Meu filho, meu discípulo



Nosso Pai celestial é um Deus de alianças. No livro de Gênesis, nos capítulos 12 e 18, está registrada a que Ele estabeleceu com Abraão e, por meio dele, com todas as famílias da terra. A intenção era de que as crianças incluídas nesse pacto fossem instruídas e criadas na “disciplina e admoestação do Senhor” (Efésios 6.4) e, dessa forma, fossem despertadas para amá-lo e servi-lo.

O projeto de Deus para a família é que o lar se torne um instrumento de preparação para a manifestação completa da graça de Deus.

Na sua infinita sabedoria, o Senhor criou o homem para que aprendesse por meio do exemplo. Quando enviou seu Filho a este mundo, não suspendeu nem violou nenhuma lei do crescimento e desenvolvimento humano. E, ao mesmo tempo, não abriu mão da necessidade de um lar em que pai e mãe possuíssem as qualidades para a boa paternidade.

Maria era a expressão de uma mulher de piedade, santidade e obediência a Deus (Lucas 1.26-55). José era um homem reto, íntegro, constante e obediente ao Senhor (Mateus 1.18-25). Eles formavam um casal que dava prioridade aos valores espirituais. E o resultado natural de um lar assim constituído é que Jesus encontrou ali sua identidade, segurança e autoestima: “E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lucas 2.40).

Jesus foi o primeiro discípulo de José, que o instruiu nos princípios fundamentais da Escritura. Já aos 12 anos podia falar no templo com os religiosos, pois tinha sido instruído na Torá – os cinco livros do Pentateuco –, que, pela tradição judaica, todo menino de sua idade devia conhecer.

Nos importantes anos de seu desenvolvimento, ele encontrou aceitação incondicional, cuidado físico e emocional, estabilidade, amor e disciplina. Isso é o resultado de pais de caráter piedoso que demonstram retidão, atenção amorosa e bondade estável.

As distorções desse padrão – injustiça, instabilidade, falta de amor ou disciplina – causam terríveis problemas nos fundamentos da personalidade. O ditado popular diz: “uma imagem vale mais que mil palavras”, ou seja, praticar é mais forte do que falar com bonitos discursos, porque vivemos aquilo que está realmente internalizado.

Os filhos aprendem vendo aquilo que os pais estão fazendo. E não só isso. No mundo de hoje, a televisão, a internet e a escola estão ensinando nossos filhos. Eles estão expostos a muitos mestres, muitas influências. E o grande risco de tudo isso é que se levantam barreiras para o entendimento futuro sobre a graça de Deus, causando problemas espirituais e emocionais muito sérios que se manifestam ao longo da existência. Os pais precisam trabalhar com muita consciência para instilar no coração das crianças o amor pela Palavra de Deus.

José e Maria sabiam da importante responsabilidade que Deus havia lhes dado. Eles entendiam que “os filhos são herança do Senhor” (Salmos 127.3) e trabalhavam com esse temor no coração:

1) Esforçaram-se para fazer um discípulo para Deus. Os pais de Jesus tinham muito claro que discipulado não é governo, é serviço. Eles o amaram, cuidaram e serviram. A prática do amor fala mais alto do que as palavras.

2) Tornaram possível a vocação de Jesus. Segundo Mateus 1.16-17, José era da tribo de Judá. Ele era nobre espiritual e biologicamente (vv. 19 a 25) e procurou proteger a reputação de Maria e de seu filho.

3) Levaram a sério a formação espiritual e educação de seu filho. Entre os judeus, a responsabilidade na formação dos filhos era do pai – o ensino da Torá e o Antigo Testamento. José dedicou-se para que seu filho aprendesse fielmente todas as verdades das Escrituras. Ele levou Jesus a aprender quatro idiomas e falar fluentemente hebraico, aramaico, grego e latim, tornando-se assim o primeiro talmidim (discípulo) de José.

4) Cooperaram para que Jesus tivesse consciência da sua filiação divina. José e Maria queriam que Jesus conhecesse o Pai para que tivesse segurança em Deus. Acima de tudo, procuraram que Ele tivesse a revelação do amor do Pai (Romanos 8.14-15). No contexto da cultura romana, o filho adotivo não podia jamais ser deserdado. O Pai deserdou seu Filho para que fôssemos feitos os seus herdeiros, de forma que jamais seremos deserdados. Jamais perderemos nossa herança. Somos filhos de Deus para sempre. Herdeiros de Deus. Coerdeiros com Cristo.

O exemplo de dedicação, serviço e amor de José e Maria com seu filho Jesus é o que todos os pais devem procurar cumprir na vida dos seus filhos.

O maior mandamento na Escritura é este: “Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Deuteronômio 6.5). Retrocedendo ao verso dois, lemos: “Para que temas ao Senhor teu Deus, e guardes todos os seus estatutos e mandamentos, que eu te ordeno, tu, e teu filho, e o filho de teu filho, todos os dias da tua vida, e que teus dias sejam prolongados”. Seguindo os versos, mais adiante vemos: “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (vv. 6 e 7). Ou seja, o ensino, o trabalho dos pais, é permanente.

Pais, estudem a Bíblia com seus filhos, pois a Palavra de Deus é mais preciosa do que o ouro depurado e mais doce do que o mel e o destilar dos favos (Salmos 19.10). Nossos filhos podem ter casa, roupa, comida, escola, mas se nós não os levarmos a Cristo, estarão perdidos com educação e tudo. A maior necessidade deles não é o sucesso profissional, serem ricos, terem sucesso. A maior necessidade deles é ter um encontro verdadeiro com Deus que os transforme e faça deles novas criaturas.

A passagem de Efésios 6.4 nos ensina que os pais não devem fomentar maus sentimentos em seus filhos sendo severos, injustos, parciais ou exercitando sua autoridade de forma irracional. Isso só servirá para que a criança alimente rancor em seu coração. Ao contrário, eduque-a, crie-a, desenvolva sua conduta em todos os aspectos da vida pela instrução e admoestação do Senhor. Exatamente como José e Maria fizeram com Jesus.

Essa é a única forma efetiva de alcançar o objetivo de que o lar se torne um instrumento de preparação para a manifestação completa da graça de Deus. Qualquer outra substituição ou meio de educar pode resultar em desastroso fracasso. A espiritualidade é necessária ao desenvolvimento da mente, tanto quanto o conhecimento. Provérbios 1.7 nos diz: “O temor do Senhor é o princípio do conhecimento”.

Assim como o pai é fiel em seu papel de modelo para os filhos, o que a criança aprende sobre Deus permanecerá através de toda a sua vida, não importando o que faça ou aonde possa ir. Os filhos aprenderão a “amar a Deus de todo o coração, alma e força” e terão o desejo de servir a Deus em tudo o que fizerem.

Somente fazendo com que Deus, em Cristo, seja o mestre e governante, sob cuja autoridade tudo deve ser crido e obedecido e sob cuja vontade tudo deve ser feito, é possível atingir o projeto eterno de Deus de termos uma família com muitos filhos semelhantes a Jesus.

#Paternidade #Filhos

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