O amor não se aposenta!



É maravilhoso ver dois jovens apaixonados. Concordo que não existe nada mais romântico do que a evidente paixão nos olhos de um rapaz e de uma jovem no altar, a não ser... o amor entre duas pessoas idosas.

Amor na velhice? Sim, por que não? Afinal, o amor não se aposenta! Quando falo em amor na velhice, refiro-me ao amor que resistiu ao teste do tempo, das tempestades e triunfou, derrotando diversas e variadas adversidades. É o amor que cresceu, se solidificou e se aprofundou em meio a lutas, dificuldades, mas também imprimiu na memória e no coração momentos de alegria, afeto e companheirismo. Amor que não se importa com rugas, com cabelos grisalhos, ombros curvados, músculos flácidos – isso se por acaso percebê-los, e que se torna ainda mais comprometido e solidário quando a resistência física fica comprometida. Esse é o tipo de amor que sempre vê a pessoa amada como a mesma que estava ao seu lado no altar muitos anos atrás.

Lembro-me até hoje de um casal de velhinhos que frequentava uma igreja da qual fui pastor. Ele tinha 89 e ela 87 anos. Ainda os vejo na calçada em frente à igreja, andando bem devagar, entrando sempre de mãos dadas com a outra mão apoiada numa bengala. Um ajudava o outro a subir cuidadosamente os degraus, sentavam no mesmo lugar todos os domingos e assistiam ao culto permanecendo de mãos entrelaçadas. Às vezes ele a abraçava ou então beijava carinhosa e discretamente o rosto dela. Ambos estavam casados havia mais de 65 anos e eram um exemplo de amor e harmonia conjugal. Todos se emocionavam com a solidez daquele amor recíproco depois de tanto tempo. Então, quando Deus chamou o marido para a eternidade, a esposa sobreviveu à sua ausência menos de três meses e também partiu para estar com o Senhor. Gosto de pensar que o amor dos dois era tão intenso, que não suportaram ficar separados. É exatamente sobre isso que me refiro quando exalto o amor na velhice. Ele é autêntico, fiel e profundo!

À medida que os casais envelhecem e o ninho fica vazio, eles se deparam com uma nova realidade: os dois estão novamente sós, como no início do casamento. A partir daí, a pergunta a ser feita é a seguinte: como vai indo o amor entre ambos? Tenho observado alguns casais idosos que deixaram morrer o amor pelo cônjuge. Seu relacionamento conjugal é tenso e estressante; a comunicação, que deveria ser íntima e profunda, é quase inexistente. É muito triste quando um casal – que um dia foi tão apaixonado e cheio de sonhos –, permite que seu amor vá morrendo lentamente, no decorrer dos anos. Para muitos, só o que resta é continuar vivendo sob o mesmo teto, apenas suportando a presença do cônjuge. Que desperdício decidir viver dessa maneira quando a vida tem tanto a oferecer. Será que precisa ser assim? Creio que não. É preciso encontrar o caminho para manter um grande amor vibrando intensamente até o fim da vida.

Minha esposa e eu estamos na melhor idade. Tenho me preocupado muito em desenvolver com Judith um relacionamento mais terno e doce conforme os anos vão passando. Nós não possuímos fórmulas mágicas para assegurar que toda relação conjugal madura será feliz, mas identifico-me com casais que lutam para que seu casamento seja bem-sucedido. Em vista disso, quero compartilhar algumas sugestões que têm sido muito úteis e eficientes em minha própria vida conjugal.

Você escolheu seu cônjuge Em algumas culturas isso não acontece, mas no Brasil, noventa por cento dos rapazes e das moças decidem por si mesmos com quem vão casar. Sendo assim, lembre-se que algo o atraiu à sua esposa e vice-versa. Volte no tempo para relembrar o que fez seu coração palpitar logo no início, quando vocês se conheceram. É claro que com o passar dos anos você descobriu nele(a) características que gostaria que não existissem. O casamento é a união de um pecador e de uma pecadora; portanto, de duas pessoas imperfeitas. O casamento também agrega culturas, educação, criação, hábitos, manias e temperamentos diferentes. Infelizmente, muitos casais não sabem trabalhar com as diferenças de personalidade e de idiossincrasias familiares. Há aqueles que são mais flexíveis e aceitam os desafios que a vida conjugal lhes apresenta, conseguindo contornar suas diferenças. Outros são irredutíveis, vivem constantemente amargurados, ressentidos e, às vezes, mesmo querendo muito que dê certo, acabam decretando a infidelidade da sua relação.

Decida amar seu cônjuge Se o seu amor por sua esposa ou marido esfriou consideravelmente, aqui vai uma ótima notícia: é possível reaquecê-lo. Você prometeu amar seu cônjuge diante de Deus, de seus familiares, de seus amigos e, principalmente, diante dele(a). Sua intenção, quando casou, era amá-lo(a) até o dia em que um dos dois morresse. No entanto, o que no início você achava totalmente possível, conforme o tempo foi passando, tornou-se completamente incompatível. Talvez a atual situação a(o) surpreenda: “Como chegamos a esse ponto? Como isso aconteceu?” – eu sei o que aconteceu. Ambos, ou um de vocês, parou de investir em seu amor. Mesmo já sendo idosa(o), com muitos anos de casada(o), observe, analise, redescubra seu marido, sua esposa. Seja criativa(o) e procure maneiras de encorajá-lo(a), de fortalecer sua autoestima, incentivar seus talentos, expressar sua gratidão e contentamento por ele(a) estar ao seu lado. Destaque sempre os pontos positivos de seu caráter e faça isso também na presença de outras pessoas. Agindo dessa maneira, você estará exercitando e demonstrando sua determinação em amar seu cônjuge. Manifeste graça constantemente em seu relacionamento Alguém já disse um dia que o segredo de um casamento feliz está na capacidade que as duas pessoas têm de perdoar. Quando Jesus mencionou que devemos perdoar setenta vezes sete, ele também incluiu seu cônjuge nessa multiplicação. Você estará demonstrando graça quando transmitir a ele(a) que:

  • o(a) aceita e o(a) trata com dignidade, mesmo se ele(a) falhar com você

  • não o(a) condenará

  • não imporá a ele(a) regras, exigências, leis

  • você está sempre aberta(o) e disposta(o) a compartilhar com ele(a) suas mais profundas feridas e temores, assim como seus sonhos, alegrias e desejos.

Não importa o tempo que vocês estão casados. A graça de Deus precisa transbordar em seu relacionamento.

Todo relacionamento precisa ser vivido com certo senso de humor Eu procuro divertir-me o máximo possível com a vida. Tenho conseguido, quase sempre. A Bíblia diz que rir é um bom remédio para a alma. Para ser bem sincero, eu consigo rir até de mim mesmo e, às vezes, eu e minha esposa rimos de coisas que para alguns podem parecer banais e sem graça.

Não receie revelar que você é humano, falho e comete erros ridículos. Há uma frase que diz: “Leve Deus muito a sério, mas a você, nem tanto”. É importante demonstrar ao seu cônjuge quais são os limites que, se ultrapassados, poderão feri-la(o). Seja sensível e proteja sua relação conjugal.

Descubra interesses em comum Quais são as atividades que animam ou agradam a ambos e podem contribuir para aumentar o companheirismo e o afeto entre vocês? Jardinagem? Viagens? Fotografia? Um jantar a dois? Um passeio pelo parque? Invista em qualquer atividade que seja agradável para os dois.

Encontre maneiras criativas de dizer “eu te amo” Talvez um jeito especial de sorrir, um abraço carinhoso ou um bilhetinho romântico colocado em algum lugar fácil de ser encontrado. Quem sabe um elogio sincero feito na presença de amigos? Use sua criatividade!

Não desista de desfrutar do relacionamento sexual Muitos casais sentem saudades de quando tinham energia e condições de manter uma vida sexual ativa. Mas a história não precisa ser essa. Em vez de aceitar a possibilidade de que o sexo inexiste nessa idade, mantenha sua mente aberta, pois ele pode ser melhor do que nunca. Pessoalmente, já aconselhei vários casais de idosos que afirmam que seu relacionamento íntimo é mais prazeroso agora do que quando eram jovens. Deus estimula os casais de qualquer idade a desfrutarem do sexo: “... alegra-te com a mulher da tua mocidade, corça de amores e gazela graciosa. Saciem-te os seus seios em todo o tempo; e embriaga-te sempre com as suas carícias” (Provérbios 5.18b,19). Devo reafirmar que o Senhor não está encorajando apenas aos casais jovens, mas esta sugestão também é para os idosos.

Um toque sensível O contato físico é um meio poderoso de comunicação, uma forma carinhosa e reconfortante de alimentar o espírito e transmitir emoções positivas.

A pele humana é como um gramado: cada folhinha de grama é como uma extremidade nervosa, tão sensível que, ao menor toque, pode perpetuar a sensação daquele momento no cérebro. O toque é um modo extremamente eficaz de dizer:

  • Você não está só!

  • Você é importante!

  • Lamento muito!

  • Eu amo você!

As sugestões que acabo de dar podem parecer muito simples, mas elas, além de práticas, são incrivelmente eficientes no relacionamento conjugal.

O grande desafio para os cônjuges de qualquer idade é saber manter o relacionamento aquecido, profundo e dinâmico, pois assim, quando ficarem mais velhos, poderão desfrutar o auge do romantismo em seu amor. Vamos orar juntos!

#Relacionamento

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