Ah, se aquela Kombi velha falasse!



Se existe algo de que posso falar como investidor na minha relação conjugal, até mesmo no nosso namoro meteórico, e com muita alegria, é que semeei o romantismo à moda antiga! Sempre procurei ser o namorado, o parceiro conquistador, apaixonado e romântico!

No início do nosso relacionamento, a situação financeira era precária, tanto no período de namoro como nos primeiros anos de casados, mas mesmo assim eu conseguia atrair a minha namorada e ao mesmo tempo incrementar a relação com uma flor, um presentinho, como um chocolate, uma balinha, um cassete com músicas apaixonadas, lingerie, tirando suspiros da amada e fazendo-me sentir o “artista do pedaço”.

Recordando os primeiros dias, vem à minha lembrança uma praça em que eu a levava, onde havia uma Kombi velha que vendia milho verde cozido, pamonha e mingau de milho verde. Eu comprava milhos, e às vezes pamonhas, e um refrigerante para nós. Assentávamos em uns banquinhos de cimento bem rústicos, onde comíamos aquelas comidas típicas com muita alegria e éramos felizes! A impressão que minha esposa passava para mim e a conclusão a que chego hoje é que parecia estarmos em um restaurante top, com um cardápio variado, cercado de luzes coloridas e ao som de uma orquestra sinfônica nos brindando com as mais belas músicas românticas!

Já ajudei muitos homens que frequentemente me procuravam na igreja pedindo socorro. Na sua maioria, tinham dinheiro e muitos recursos, menos uma relação saudável no casamento. Eles eram bem vistos na sociedade, andavam sempre bem vestidos com roupas de grife, com os carros mais sofisticados, frequentavam os melhores restaurantes e moravam nos bairros mais nobres da cidade, contudo eram homens infelizes. Ao questionar o porquê da tristeza, da desilusão e dos infortúnios na relação, percebia que era a falta de tempo para a esposa e a total frieza quanto ao trato, aos elogios e ao romantismo.

Certa ocasião, um empresário me procurou desesperado, pois seu casamento ia de mal a pior, e compartilhou um fato curioso. Querendo agradar a esposa, assinou um cheque em branco e a autorizou a comprar o carro que ela quisesse. Para sua surpresa, ouviu: “Não quero seu cheque, não quero seu dinheiro nem carro algum, eu quero a sua atenção”. Perguntei a ele: “Você sai de vez em quando com sua esposa?”. Ele respondeu: “Sempre que dá eu saio, mas você sabe como é, o tempo é muito exíguo”. Logo o inquiri com uma nova pergunta: “Você tem por costume presentear sua esposa em datas especiais, como aniversário, dia dos namorados, aniversário de casamento e datas fora de época?”. Para meu espanto, ouvi: “Eu não me lembro do dia em que ela faz aniversário, e quanto às demais datas, eu não tenho tempo nem fui ensinado a fazer isso”. Então lancei as últimas perguntas: “Você faz declaração de amor para ela? Você a elogia? Procura ser romântico?”. A resposta que ouvi foi: “No início do casamento até que eu falava algumas coisas”.

Desafiei aquele homem a voltar ao primeiro amor. Levei-o àquela praça da Kombi velha e perguntei: “Por que você não vem a esta pracinha saborear uns milhos, um mingau e algumas pamonhas?”. Sua reação foi me olhar com certo espanto. No final, comprei alguns milhos e pamonhas, dei a ele e disse: “Dê para sua esposa”. Ele me obedeceu. No outro dia, disse-me que ela tinha amado aquele gesto. Incentivei-o a ir àquela praça com sua esposa. Na semana seguinte, sugeri que comprasse um buquê de flores e mandasse entregar em casa. Antes, pedi que ele escrevesse algo romântico em um cartão para colocar junto das flores. Como não conseguia escrever, ajudei-o com algumas palavras, e ele concluiu sua “missão quase impossível”. Na semana seguinte, presenteou a esposa com algumas peças de lingerie. Conclusão: aquela relação foi restaurada por causa de pequenos mimos do marido para com a esposa. Ela queria TEMPO, a presença do seu amado e de vez em quando alguns galanteios regados com ROMANTISMO “à moda antiga”.

Neste ano, eu e minha esposa Mônica comemoramos trinta anos de casados, graças a Deus! É necessário um grande esforço para um casal permanecer junto por tanto tempo. Sempre estamos nos programando para uma viagem. Procuramos comer em alguns restaurantes onde podemos saborear comidas que agradam os dois. Tenho o hábito de presenteá-la com o que lhe agrada, dentro daquilo que posso oferecer. Quando minha esposa deseja comemorar seu aniversário com as filhas em uma cidade pela qual tem admiração, fazemos um esforço para que tal sonho se torne realidade. O segredo é planejar, programar com antecedência.

Mas quer saber mesmo a verdade sobre alguns elementos que fazem toda a diferença na relação do casal ao longo dos anos? Cultivar o hábito de um tempo saudável para distração, jogar “conversa fora”, conversar sobre a linda história que os dois vêm escrevendo e jamais perder o espírito de cavalheirismo e romantismo. É preciso elogiar sempre, escrever, dizer “eu te amo”, que ela é importante, que você se preocupa com ela. Qual é a mulher que rejeita tais mimos? Isso nem Freud explica!

De vez em sempre, é bom sair e visitar a pracinha da Kombi velha. Lá tem uma comida milagrosa e bem baratinha. Ressuscita qualquer casamento “velho e enferrujado”.

#Terceiraidade

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