Pais superpoderosos



No início do novo ano, vi-me pensando em formas de ajudar meus filhos a estarem mais perto de Deus. Soa até presunçoso achar que meu marido e eu, como pais, podemos fazer isso. Mas quando eu falo “estar mais perto de Deus”, não quero dizer que desejo que saibam mais histórias da Bíblia, que sejam mais obedientes, que conheçam mais respostas do catecismo e outras coisas do tipo, apesar de tudo isso ter sua vital importância. Falo do desejo que tenho de que o cristianismo seja algo que eles experimentem no dia a dia, que os influencie na hora de agir, que seja a esperança que tenham cada manhã.

O tempo tem passado, e eu continuo pensando em como fazer isso. Sim, porque eu realmente acho que os pais têm esse poder de influência. É só mais um de nossos superpoderes. E continuo pensando. Certamente, as histórias que contamos, as orações que fazemos e os conselhos dados ao pé do ouvido vão servir como base para que nossos filhos entendam melhor quem é Deus e creiam n’Ele. Mas eu queria algo além disso. No fundo, queria poder transportar minha experiência espiritual para seus pequenos e teimosos corações. Queria garantir, de alguma forma, que o cristianismo para eles fosse algo real e não apenas uma tradição.

E certa noite, enquanto colocava a menor na cama e tentava fazer uma oração com ela, que foi interrompida por um pedido de água, pensei algumas coisas. Em primeiro lugar, que nossos filhos são indivíduos, e eu preciso aceitar que terão experiências com o sagrado diferentes das minhas, assim como a minha experiência religiosa foi diferente da dos meus pais, e isso é esperado que aconteça justamente pelo fato de sermos únicos.

Em segundo lugar, que nossa família, longe de ser aquela do comercial de margarina, é composta por humanos. Pessoas que erram, que acertam, que machucam, que perdoam, que ficam tristes, ansiosas, mas, acima de tudo, se amam. E se nossos filhos vivenciarem a realidade e dureza da vida com a certeza de que são amados e que esse amor flui de Deus para todos nós, teremos feito muito. Que a religião seja autêntica. Vivida mais do que falada.

Que haja espaço para questionamentos para que a fé que se forma seja consciente e não uma mera reprodução de costumes. Será importante, nesse caso, sermos humildes, sinceros, benevolentes e piedosos. Reconhecer nossos erros, pedir perdão e às vezes nos despirmos da nossa roupa de super-heróis para admitir o cansaço, a tristeza, a preocupação, mas, ainda assim, passarmos para eles a nossa esperança em Cristo.

E em último lugar, pensei que, apesar de termos recebido a missão de educar e instruir nossos filhos no caminho da luz, a salvação deles não virá por um modo diferente do nosso. É pela graça de Deus. E se é assim, melhor confiar nos poderes do alto. Fazer tudo que estiver ao nosso alcance, claro, mas sabendo que somente o Espírito poderá fazer com que a semente plantada dê bons frutos. Que esta seja a nossa oração.

#Terceiraidade #Paternidade

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