Nem solidão, tampouco abandono



Nós nunca tínhamos pensado como seria a fase de nossa vida quando ficássemos mais idosos e não tivéssemos mais nosso filho morando conosco. Não me lembro de ter conversado sobre isso com minha esposa. E em tantos anos de casamento, nós conversamos, debatemos, discordamos, chegamos a um acordo e dialogamos sobre centenas de assuntos. Mas vivemos tão intensamente cada fase de nossa vida em família que, sinceramente, sequer projetamos como seria a nossa casa quando voltássemos a ser somente nós dois!

Podemos testemunhar que cada fase de nossa família foi maravilhosa, desafiante e, às vezes, com alguns problemas. Porém, as dificuldades fazem parte de nosso crescimento (Tiago 1.2-3) e nos ajudam muito a definir a realidade de nossa fé: se somos cristãos apenas de fachada ou verdadeiros “praticantes da Palavra” e não somente ouvintes (Tiago 1.22). Graças a Deus, nosso compromisso com Deus, com sua Palavra e sua Igreja nos fez viver e vencer cada estação de nosso amor de forma bíblica e vibrante. Tem sido maravilhoso observar que, em nossos 35 anos de casamento e 30 de ministério, o Senhor Jesus esteve presente, abençoando-nos, guiando e nos fazendo sentir seu amor e cuidado.

E nosso filho cresceu. Foi fazer faculdade em outra cidade. Mas tudo bem, sempre dávamos um jeito de ele vir quase todos os finais de semana e aproveitávamos juntos as férias e os feriados prolongados. Mas veio a formatura, depois o noivado e o casamento. Vimo-nos, de repente, com a “síndrome do ninho vazio”.

Contudo, descobrimos mais uma bênção que o Senhor tinha reservado para nós nessa nova fase de nosso casamento: éramos somente nós dois novamente! Agora, mais experientes, mais estabilizados financeiramente, mais maduros na fé, nós poderíamos começar uma nova e bela temporada em nossa vida a dois e em nosso próprio ministério. Vimos que não era necessário curtir nenhuma solidão ou sentimento de abandono, mas aproveitar também com a mesma intensidade e santo temor, como sempre tínhamos feito, esse momento que Deus estava proporcionando para nós.

Pode parecer estranho, mas calculamos de forma puramente estatística quanto tempo ainda nos restava em nosso casamento. Como estamos em média com 60 anos de idade e temos 35 anos de casamento já bem percorridos, analisamos assim: se Jesus Cristo não vier logo e se vivermos até quase 90 anos, então temos uma expectativa de mais uns 30 anos de casamento pela frente. Ou seja, agora é que nós estamos na metade do percurso! Logo, há muita vida pela frente, muita coisa a aprender e consertar e muitas experiências novas e encantadoras!

Vimos que agora, com a igreja bem estabilizada e tendo pastores e seminaristas para auxiliar, nós poderíamos passar férias mais tranquilas. E como não há mais a preocupação com o filho, eu poderia aceitar mais convites para fazer conferências em outras cidades e poderia levar minha esposa. E, principalmente, descobrimos que essa era a fase de cuidar mais um do outro.

Pensamos numa reforma de nosso apartamento e começamos pelo nosso quarto: queríamos tudo novo, nova cama, novo guarda-roupa. E nas paredes, não apreciamos mais aquela cor amarelo-pérola (que estava nos parecendo triste) e pintamos de um rosa romântico! Afinal, como diz Eclesiastes 3.11, Deus colocou a eternidade em nosso coração, portanto ainda há muito para aprendermos juntos, queremos conhecer mais ao Senhor e, com certeza, servir em seu reino, desfrutar dessa nova fase de nossa vida e ter muito ainda para agradecer, b’ezrat haShem (segundo a vontade de Deus)!

#Terceiraidade

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