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Viva a vida!



“O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano. Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos, para anunciar que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha e nele não há injustiça” (Salmos 92.12-15).

Meu marido tem citado esse versículo de maneira errada frequentemente. Se você já conviveu com o Jaime por algum tempo, provavelmente já o ouviu dizer, pelo menos uma vez: “Os justos florescerão como o Palmeiras” (seu time de futebol do coração). Porém, agora que estamos próximos da velhice, esse trecho ganhou um significado bem mais importante para nós.

Certa vez, o Jaime estava almoçando com um amigo e perguntou a ele: “O que nós precisamos fazer para chegar aos 80 ou 90 anos e sermos bondosos, doces, carinhosos e entusiasmados?”. Esse amigo olhou bem para o meu marido e respondeu: “Acho melhor a gente começar a desenvolver essas qualidades agora!”.

A realidade nua e crua é que, para algumas pessoas, a velhice é uma viagem solitária e amedrontadora, um fardo pesado demais para carregar. O ninho vazio, o sentimento de solidão, o medo do abandono e o peso dos anos refletido em dores no corpo tendem a molestar incessantemente a mente do idoso, escancarando as portas que conduzem à amargura.

Creio que existem algumas atitudes que podem realmente debilitar uma pessoa. São reações que formam uma nuvem escura sobre a existência dos idosos e um sabor amargo em sua boca.

Autopiedade A síndrome do “Ai de mim!”, que convence o idoso de que ninguém se preocupa com ele, ninguém consegue imaginar o que ele está passando ou sequer se importa se ele morrer.

Tenho observado o exemplo de minha mãe, que tem 95 anos de idade. Ela mora sozinha em sua própria casa, e eu nunca a vi entregar-se à autopiedade. Ela ainda frequenta a mesma igreja em que se converteu há quase setenta anos e é muito querida por todos ali. Na verdade, ela é a responsável por abraçar todo o mundo. Durante muitos anos foi responsável pelo berçário e criou vários “filhos e netos”. Todos a chamam de “vó Betty”. Como dizem os versículos do salmo 92, ela está “plantada na casa do Senhor”. Como é importante a comunhão dos irmãos!

A família toda gosta de ir à sua casa. Ela não é de fazer cobranças. Se meu irmão quer trabalhar no jardim, ela fica feliz. Se ele prefere resolver jogos de palavras cruzadas com ela ou tocar violão, ela também fica feliz. Se ele tem outras responsabilidades familiares e não pode visitá-la, ela não reclama. Ela também não reclama que a filha mais velha mora a dez mil quilômetros de distância. Está feliz porque estou servindo ao Senhor.

Culpa A culpa tem o poder de aprisionar nossa mente e emoções, enquanto adoece nosso corpo e rouba nossa energia e alegria. As pessoas podem pensar: “Desperdicei a minha vida, não soube vivê-la. Agora não tenho mais oportunidade para consertar os erros que cometi”. Em alguns casos a culpa é mentirosa, por isso a Palavra de Deus descreve o diabo, nosso inimigo, como “o acusador de nossos irmãos… o qual diante do nosso Deus os acusava de dia e de noite” (Apocalipse 12.10). Entretanto, se for detectada culpa real, é necessário lidar com ela biblicamente: confessá-la e procurar restaurar os males que ela causou.

Minha mãe tem preocupações e passa por dificuldades, como todas as pessoas, mas ela anda muito perto do Senhor e sabe que já foi perdoada das falhas do passado. Mesmo na velhice podemos “proclamar que o Senhor é justo”. Que Ele é “fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça” (1 João 1.9).

Inutilidade Uma pessoa idosa pode questionar: qual é o propósito dessa fase da minha vida? Sentir-se inútil é um dos sentimentos mais destruidores que uma pessoa pode ter. Pergunte para D. Betty se isso não é verdade. O primeiro lugar no seu coração sempre foi reservado para Deus. Ela ainda está produzindo fruto. Tem longas listas de oração, é muito fiel em interceder pelos outros, além de ter o costume de ler a Bíblia de capa a capa anualmente. Seu ministério continua ao redor do mundo através dos missionários que ela e meu pai sustentaram (inclusive a filha e o genro no Brasil). Medo Provavelmente esta é a luta mais desgastante para aqueles que estão vivendo a atualmente chamada melhor idade. Em geral, as pessoas têm medo da morte, do sofrimento físico, da perda de entes queridos, de uma saúde fragilizada, do abandono ou de não possuir recursos financeiros. Mas jamais podemos esquecer que Deus prometeu que mesmo “na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos, para anunciar que o Senhor é reto” e declararão: “Ele é a minha rocha e nele não há injustiça”.

A Bíblia diz que “o perfeito amor lança fora o medo”. Quando entendemos o amor do Senhor por nós, podemos olhar para o futuro com esperança e ainda testemunhando sobre a bondade do nosso Deus, apesar de sermos idosos.

D. Betty está com saudades do céu. Seu marido e um de seus filhos já estão lá. Porém, o mais importante, o seu Salvador está lá! Minha mãe coloca sua esperança no firme fundamento das promessas de Deus.

“Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente” (Salmos 16.11).“Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez” (Salmos 78.3-4).

#Terceiraidade

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