Rasgos



A família está sofrendo um enorme impacto negativo. A sociedade deixou de ser uma grande amiga da família e tornou-se uma adversária declarada, traiçoeira. Rapidamente, as linhas que definiam o certo e o errado se embaraçaram. Os valores familiares se perderam sob o cobertor da conveniência pessoal, encolhidos sob a opção de “faça o que for melhor para você”. Os valores tradicionais da sociedade que encorajavam, incentivavam e reforçavam o casamento e a família estão desaparecendo como água pelo ralo.

Você já reparou como um tecido é confeccionado? Os fios são regularmente entrelaçados, e quando um fio escapa, o tecido exibe um pequeno rombo. Se vários fios escapam, surge um grande desfiado, e o tecido enfraquecido corre o risco de rasgar-se facilmente, a qualquer momento. Quando a maioria dos fios se solta, aí o tecido simplesmente se desintegra.

Esse exemplo mostra de modo bem simples a realidade de grande parte das famílias no mundo atual, que são os fios do tecido que formam a sociedade em cada cidade do nosso planeta.

Minha esposa Judith e eu investimos os primeiros dez anos de nossa vida em um ministério no Brasil chamado “Vencedores por Cristo”, discipulando e treinando jovens para evangelizar e trabalhar eficazmente em suas igrejas. Depois desse período, passamos a liderança do VPC para jovens brasileiros, que, por sua vez, vem dando continuidade a esse ministério.

Mergulhamos no ministério Lar Cristão (Sociedade Religiosa Lar Cristão) focando a família e desenvolvendo seminários, publicações, apostilas, CDs, DVDs, encontros e palestras. Através destes quase 40 anos com o ministério Lar Cristão, temos acompanhado as mudanças sofridas pela instituição família desde os anos 80 até hoje, em 2015, quando celebramos 30 anos da Revista Lar Cristão. Esta publicação nasceu para dar suporte à família brasileira, utilizando princípios bíblicos de relacionamento (com Deus, consigo mesmo e com o próximo) e ferramentas para facilitar o convívio familiar.

Quero, neste aniversário de 30 anos da revista Lar Cristão, comentar algumas das mudanças que temos presenciado e refletir um pouco sobre elas.

1 - De Família Rural para Família Urbana A família nos anos de 1960 e 1970 era mais rural, em grandes ou pequenos latifúndios, mas era no interior que residia a maioria da população. Hoje, o Brasil ficou mais urbano, e isso causou mudanças significativas: a família não tem a mesma tranquilidade do campo, vive desassossegada na correria do dia a dia, enfrentando tráfegos sobrecarregados e violência urbana. Os paulistanos, assim como outros moradores de grandes metrópoles, não conseguem mais fazer uma refeição com a família reunida. Às vezes isso acontece aos sábados ou aos domingos, mas durante a semana cada um se envolve com suas atividades e já não tem tempo sequer para conversar.

2 - Mães de Fim de Semana Quando chegamos ao Brasil, em 1967, mais ou menos um terço das mulheres casadas estava engajada no mercado de trabalho. Hoje, quase a maioria trabalha fora (além de ainda cuidar de suas casas). Isso teve implicações profundas, pois a mãe deixou de ser mãe integral para ser mãe de fim de semana. A falta de embasamento familiar dessa geração criada por creches, escolinhas, babás e empregadas resulta em adolescentes e jovens com carências emocionais e psicológicas.

3 - Crescimento de Separações e Divórcios O número crescente de separações e divórcios tem resultado em filhos morando só com o pai ou só com a mãe (a grande maioria com a mãe), provocando saudades, carências e frustrações. Gosto muito de uma citação feita por G. K. Chesterton: “Se o casal pode divorciar-se com base na incompatibilidade de gênios, não compreendo por que o mundo todo não está divorciado. Conheço muitos casamentos felizes, mas nunca vi um casamento compatível” (What’s Wrong With the World. San Francisco: Ignacias Press, 1994).

Nenhum casal é absolutamente compatível pelo simples fato de todos nós sermos disfuncionais! As causas são várias e vão desde temperamentos e personalidades diferentes até a nossa própria natureza pecaminosa. O casamento, inclusive, nos oferece a oportunidade de permitir que a nossa natureza egoísta morra e de aprendermos a viver de modo mais altruísta, procurando pensar mais nos outros do que em nós mesmos. Um dos motivos do maior número de separações atual é o fato de haver mais aceitação e menos estigma do divórcio na sociedade (e na igreja) do que 30 ou 40 anos atrás.

4 - O Desenvolvimento da Tecnologia Nos anos 70 e 80, não existiam computadores, tablets, iPad, iPod, iPhone. Hoje, para o melhor ou para o pior, estamos tecnologicamente avançados. Em A terceira onda, livro de Alvin Toffler, o doutor em letras, leis e ciência, especializado em apontar tendências para o futuro, foca especialmente o século XXI e os subsequentes com sua tese de que a primeira onda que invadiu a terra foi agrícola; a segunda, a industrial; e a terceira, que vivenciamos atualmente, é a tecnológica.

Hoje em dia, adultos de qualquer idade, jovens e crianças, milhões e milhões de pessoas vivem interligados ao resto do mundo, conectados em tempo real por meio dos seus computadores e celulares. Não posso negar que tais instrumentos nos trazem inúmeras vantagens, mas também nos oferecem livremente conteúdos que não edificam nosso espírito e podem não somente destruir uma pessoa que não saiba utilizar acessos on-line adequadamente, mas também destruir a unidade e a comunicação familiar.

5 - O Aumento Assustador de Sexo Pré-Nupcial entre a Juventude Evangélica Fiz, 20 anos atrás, uma pesquisa sobre os hábitos dos jovens criados em nossas igrejas evangélicas e constatei que, na área de sexo pré-nupcial, 33% deles tinham tido pelo menos uma relação sexual e os demais eram sexualmente ativos. Atualmente, a porcentagem subiu para 52% e, infelizmente, essa é uma das principais razões das separações nos primeiros 5 a 10 anos de casamento.

Tenho, em meu ministério no Brasil, ensinado a milhares de adolescentes e jovens os princípios e propósitos de Deus sobre o namoro, noivado, casamento e sexo. É compensador presenciar quando um jovem entende o plano de Deus para sua vida amorosa e sexual, mas não deixa de ser uma difícil empreitada preparar satisfatoriamente nossos jovens para o casamento! Os pais têm um papel primordial e precisam estabelecer algumas convicções pessoais sobre seu papel junto aos filhos adolescentes e jovens:

a) Adolescentes e jovens precisam sentir o envolvimento de seus pais na questão de namoro e relacionamento em geral. b) Os pais precisam ter coragem e transmitir limites e regras a seus filhos. c) O pai (e/ou a mãe) deve ter um bom diálogo com o futuro namorado da filha ou namorada do filho.

6 - O Materialismo “Passeia” Livremente no Mundo Moderno Junto com o crescimento fenomenal da igreja evangélica nos últimos 50 anos tem havido um crescimento econômico. Esse fator possui aspectos positivos e negativos. São muitas, e cada vez mais comuns, as loucuras cometidas por causa do dinheiro. Incentivados por uma sociedade consumista, seduzidos pela máquina do marketing, acabamos convencidos de que precisamos nos manter atualizados, e uma dessas formas é adquirir aparelhos eletrônicos de última geração. A ganância financeira é facilmente percebida nas enormes filas das lotéricas antes de ocorrerem os sorteios da mega sena. O dinheiro se tornou uma arma secreta para manipular e controlar os membros familiares, criando brigas e desentendimentos. Será que esquecemos as palavras de Jesus: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui (Lucas 12.15)?

7 - Algo está Faltando, Algo está Fora do Lugar Uma família composta por marido e pai, esposa e filhos é a base universal para a sociedade. Qualquer outro tipo de situação causa a impressão de que “algo está fora do lugar”, como, por exemplo: pai ou mãe solteiros, casal homossexual que adota filhos, pais, avós e casais amasiados. Tais situações contrariam a ideia de uma família natural como Deus instituiu em Gênesis 1-2.

Essas famílias diversificadas não fortalecem a sociedade. A decisão de desobedecer ao plano de Deus para a família coloca um fardo ainda mais pesado sobre as escolas, igrejas, tribunais, enfim, do sistema e de sua inclinação em se adaptar ao bem-estar e à comodidade pessoal sem se importar como isso acontece. O casamento gay vem crescendo na sociedade, especialmente nos últimos trinta anos. Sem dúvida alguma, essa nova realidade vem impactando a família tradicional.

Precisamos perceber o momento que atravessamos e correr para a Palavra de Deus, porque ela permanece firme para guiar nossa vida e família.

Uma das formas de mantermos os olhos nos princípios de Deus para a família é termos publicações como a Revista Lar Cristão, que transmite as diretrizes deixadas por Deus de forma clara e didática. E neste ano ela está completando 30 anos de existência. Nossa oração, então, pela Revista Lar Cristão é que ela continue existindo e fortalecendo as famílias e a igreja para a glória de Deus, o próprio Arquiteto do Lar.

#Família

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