A descoberta da pessoa resulta em melhor vivência



“Assim, descobri que, para o homem, o melhor e o que mais vale a pena é comer, beber, e desfrutar o resultado de todo o esforço que se faz debaixo do sol durante os poucos dias de vida que Deus lhe dá, pois essa é a sua recompensa. E quando Deus concede riquezas e bens a alguém e o capacita a desfrutá-los, a aceitar a sua sorte e a ser feliz em seu trabalho, isso é um presente de Deus.” (Eclesiastes 5.18-19)

Mesmo sendo o trabalho um dom de Deus, não podemos perder a perspectiva correta sobre ele. Seguir uma carreira é apenas uma dimensão a ser conquistada para uma vida bem-sucedida. A Bíblia recomenda que o trabalhador desempenhe suas tarefas arduamente, com entusiasmo, disciplina e dedicação. A sociedade também privilegia essa recomendação e supervaloriza os bons trabalhadores.

Embora Deus considere a família a instituição mais importante da face da Terra – ela é a base de toda a sociedade –, hoje em dia a carreira, a produção, a iniciativa, a excelência e a diligência assumem o espaço principal na vida de uma pessoa, mesmo que isso implique sacrifício à sua família.

Vamos encarar a realidade. Eu e você podemos trabalhar vinte horas por dia, mas pergunto: para quê? Os versículos de Provérbios 23.4-5 respondem: “Não esgote suas forças tentando ficar rico; tenha bom senso! As riquezas desaparecem assim que você as contempla; elas criam asas e voam como águias pelo céu”. Creio que muitas vezes é questão não de enriquecimento, mas de sobrevivência, o que torna o impasse mais difícil de ser resolvido.

Se você está assumindo, sem uma real necessidade, mais do que pode fazer, lembre-se de que o sucesso de sua carreira não compensa o fracasso de sua família! Ser bem-sucedido profissionalmente é importante, mas ser bem-sucedido como pai e mãe é muito mais! É importante que o marido/pai tenha uma boa profissão, siga sua vocação, desenvolva suas habilidades, sinta-se realizado profissionalmente. É importante que a esposa/mãe se realize como dona de casa ou como profissional, no caso de ela também trabalhar fora. Há mulheres que não sabem cozinhar, mas sabem orientar uma assistente para que o faça. E essa mesma mulher é, muitas vezes, eficiente em sua área profissional. Felizes, pois, são os homens e as mulheres que conseguem descobrir sua vocação e têm empregos em suas áreas fortes, pois muitos são os que trabalham sem nenhum prazer, o que torna a luta pelo sustento e sobrevivência ainda mais penosa.

Porém, mais felizes ainda são os que, além da realização profissional, conseguem separar tempo para gastar com seus filhos, orientando suas vidas e desenvolvendo neles o temor do Senhor, pois pais e filhos que se conhecem gastam tempo juntos, são companheiros e se amam. Não estou falando de perfeição, isso é impossível, mas refiro-me a lares cujos pais atuam como facilitadores direcionando seus lares com base nos princípios bíblicos, com sabedoria e investimento de tempo, não simplesmente deixando o barco correr com a correnteza! Uma sociedade que possua lares com esse perfil sem dúvida se tornará mais forte e equilibrada. E é essa a principal contribuição das famílias para uma civilização.

Outra característica que também contribui para que haja lares equilibrados é a percepção de uma diferença básica entre homens e mulheres. Essa diferença deve ser levada em conta em todo e qualquer lugar em que haja convivência entre ambos os sexos, seja no ambiente familiar, profissional, secular ou eclesiástico: é a diferença entre o racional e o emocional. Os homens, de forma geral, costumam se interessar mais por projetos e as mulheres por pessoas. Os homens costumam se realizar mais através do que fazem, e as mulheres através dos relacionamentos. Basicamente eles são mais “mente” e as mulheres mais “coração”. Há exceções, porém essa é uma das maiores diferenças entre os sexos, que pode gerar diferentes enfoques de ver o mundo, de formas de exercer profissões e cargos, de maneiras de educar e repreender um filho, de métodos utilizados para se dar uma aula na Escola Dominical para crianças ou para adultos, de contar o quanto entrou de oferta missionária e assim por diante.

Como marido e pai que sou, quero agora deixar uma palavra específica aos homens: tomem cuidado para não trocar suas prioridades, pois quando o chefe de família fica alheio ao seu papel, o lar pode virar apenas dormitório e os filhos e a esposa estranhos, o alcoolismo pode se tornar fuga, a vida sexual se espalhar em deflagrada promiscuidade, tornando a instabilidade no emprego inevitável e a agressividade a marca dos relacionamentos. Esse quadro tem sido muito mais comum do que imaginamos e atinge várias camadas sociais e religiosas. Nem sempre todos os degraus são descidos ao mesmo tempo, mas o perfil vai se formando e piorando com o tempo.

Jesus era um homem com uma missão. Essa missão era fazer a vontade do Pai. E foi esse compromisso que fez com que permanecesse focado quando tantas vozes de sua humanidade gritavam ao seu redor para desviá-lo da rota. Jesus era firme e assertivo, como podemos perceber quando expulsou os mercadores do templo. Ele também frequentou a sociedade de seu tempo e foi capaz de viver no mundo sem, contudo, ser do mundo. Ele soube apontar as áreas em que se posicionava contra os costumes, mostrou como poderiam corrigir-se indicando o caminho para que construíssem algo melhor. Jesus tinha bem definido em sua mente quem ele era e o que deveria realizar. Possuía uma autoimagem equilibrada, aliada a um forte senso de propósito. Mas, ao mesmo tempo, nós o vemos ministrando de forma pessoal e carinhosa às pessoas carentes, mesmo quando as situações o levavam a confrontar-se com o poder estabelecido da época, contra a tradição, contra a religião formal e seus líderes. Nós o vemos parando e dirigindo-se à mulher que tocara suas vestes em busca de ajuda (Mateus 9.20-22). E esse mesmo Jesus também tomou as crianças em seu colo, apesar da rejeição de seus discípulos (Lucas 18.16).

Devemos, então, homens e mulheres, pais e mães, seguir o exemplo de Jesus em todas as áreas de nossa vida. De forma prática podemos dizer que devemos estar cientes de que é importante desenvolver nossa vocação e nossos dons, tanto no trabalho secular quanto no eclesiástico, porém mais cientes ainda devemos estar de que nosso propósito primeiro é dar o melhor de nós para que nossos lares se tornem, para os nossos filhos e para nós, o mais aconchegante lugar do mundo para viver.

#AfamílianasmãosdeDeus

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