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O auge do amor e do romantismo



“Deus, o Senhor sabe que estou envelhecendo. Então, ajude-me a não me tornar uma pessoa rabugenta, uma metralhadora verbal e, principalmente, não permita que eu desenvolva o péssimo hábito de pensar que tenho que dar minha opinião sobre todos os assuntos, em qualquer ocasião. Liberte-me do desejo de tentar solucionar todos os problemas dos outros ou da pretensão de endireitar a vida das pessoas. Quero ser compreensivo, não autoritário. Guarda a minha boca, Pai, do interminável desfiar de pequenos e inúteis detalhes. Ajude-me a não murmurar contra minhas dores e meus ‘ais’. Peço graça suficiente para ouvir as histórias e as dores alheias. Ensine-me a lição gloriosa de que, eventualmente, também posso errar. Gostaria de tornar-me mais doce, em vez de mais amargo. Minha intenção, e novamente peço sua ajuda para isso, é aproveitar ao máximo os anos que me restam. Há tantas coisas divertidas na vida e, tenho certeza, não quero perder nenhuma delas!”

Falando por mim mesmo, acho que esta é uma oração muito sábia e coerente para todos aqueles que, como eu, vivem os anos dourados. O simples fato de lembrar que estou com mais de setenta anos desperta em mim um desejo imenso de deitar e tirar uma soneca.

Não é difícil perceber que a velhice está chegando. Por exemplo, ao se abaixar para amarrar o cadarço do sapato, você se pega pensando o que mais poderá fazer para aproveitar ao máximo a posição em que está, já que é tão difícil se abaixar. Sua mente assume compromissos que seu corpo não consegue cumprir. Algumas partes do seu corpo doem, e às vezes o que não dói não funciona!

Infelizmente, nem todas as pessoas que leram essas frases acharam-nas engraçadas. Para muitos, o envelhecimento representa uma realidade triste e solitária. Porém, que enorme desafio e que magnífica oportunidade tem à frente todo aquele que compreende que sua vida está nas mãos de Deus, que pretende usá-lo produtivamente e ajudá-lo a aproveitar com satisfação e alegria essa fase de sua vida.

Amor e romance na velhice Dizem que não há nada melhor do que o amor entre jovens. Eu concordo que tudo é muito romântico, muito especial, mas o amor na velhice é lindo! Esse é o amor que resistiu ao teste do tempo, das tempestades e triunfou derrotando diversas adversidades. É o amor que cresceu, se solidificou e se aprofundou em meio a tribulações, dificuldades, mas também em meio a alegrias, afeto e companheirismo. Amor que, percebe-se, não se importa com rugas, cabelos grisalhos, ombros curvados, músculos flácidos e resistência física comprometida. Esse é o tipo de amor que sempre vê a pessoa amada como a mesma que estava ao seu lado no altar há muitas décadas.

Não consigo esquecer um casal de velhinhos que frequentava uma igreja da qual fui pastor. Ambos eram octogenários, estavam casados havia mais de 65 anos e sempre foram um exemplo de amor, afeto, comprometimento e harmonia conjugal. É exatamente sobre isso que me refiro quando exalto o amor na velhice. Ele é autêntico, fiel e profundo.

À medida que os casais envelhecem e o ninho fica vazio, eles se deparam com uma nova realidade: os dois estão novamente sós, como no início do casamento. A pergunta que costumo fazer a pessoas mais maduras que estão vivendo esse momento é a seguinte: como está o amor entre você e sua esposa? Como está o amor entre você e seu marido?

Tenho observado alguns casais idosos que não sentem mais amor pelo cônjuge. Seu relacionamento conjugal é tenso e estressante; a comunicação, que deveria ser íntima e profunda, é quase inexistente. Como é triste ver um casal que um dia foi tão apaixonado e cheio de sonhos não esboçar reação alguma diante do fato de que seu amor está morrendo com o passar dos anos. Para muitos, o que resta é continuar vivendo sob o mesmo teto apenas suportando a presença um do outro. Que desperdício decidir viver dessa maneira quando a vida tem tanto a oferecer!

Será que precisa ser assim? Creio que não. Há outra opção, e o casal que descrevi anteriormente encontrou o caminho para fazer um grande amor vibrar com intensidade até o fim da vida.

Não sou um inventor de fórmulas mágicas para assegurar que toda relação conjugal madura será feliz, mas identifico-me com os casais que lutam para que seu casamento seja bem sucedido. Por isso, quero compartilhar algumas sugestões que têm sido úteis e eficientes em minha própria vida conjugal.

Nunca se esqueça de que você escolheu seu cônjuge Tente voltar no tempo e exercite sua memória. Relembre o que fez seu coração bater mais forte por sua esposa ou por seu marido no início, quando vocês se conheceram. É claro que através dos anos você descobriu características em seu cônjuge que gostaria que não existissem. Isso geralmente acontece. O casamento é a união de um pecador e de uma pecadora: duas pessoas imperfeitas. Ele também reúne culturas, hábitos, manias e temperamentos diferentes. É uma pena, mas muitos casais não sabem trabalhar com as diferenças de personalidade e hábitos familiares. Há aqueles que são mais flexíveis e aceitam os desafios que a vida conjugal lhes apresenta, conseguindo contornar as diferenças. Outros são irredutíveis, invariavelmente ficam amargurados, ressentidos e, às vezes, mesmo querendo que tudo dê certo, acabam decretando a infelicidade de sua relação.

Decida amar seu cônjuge Se o seu amor por sua esposa ou seu marido esfriou radicalmente, eis aqui uma ótima notícia: é possível reaquecê-lo. No passado, você amou essa pessoa, pois se sentiu irresistivelmente atraído por ela. Você prometeu amá-la diante de Deus, de seus familiares, de seus amigos e, especialmente, diante dela. Sua intenção era amá-la até o dia em que um dos dois morresse. No entanto, o que no início você achava totalmente possível, conforme o tempo foi passando, tornou-se completamente incompatível.

Talvez a atual situação o(a) surpreenda. – Como tudo isso aconteceu? – você se pergunta. Eu sei como aconteceu. Ambos ou um de vocês desistiu de investir no amor. Mesmo já sendo idoso, com muitos anos de casado, tente observar, analise, estude, conheça seu cônjuge; descubra maneiras de encorajá-lo, de fortalecer sua autoestima, incentivar seus talentos, expressar sua gratidão pela companhia dele. Procure identificar os pontos positivos do caráter dele(a) e destaque-os na presença de outros. Esta é uma das maneiras pelas quais um marido e uma esposa podem exercitar a determinação de amar seu cônjuge.

Manifeste graça constantemente em seu relacionamento Alguém já disse um dia que o segredo de um casamento feliz está na capacidade que as duas pessoas têm de perdoar. Quando Jesus mencionou que devemos perdoar setenta vezes sete, Ele também incluiu seu cônjuge nesse preceito.

Você estará manifestando graça quando transmitir ao seu cônjuge que o aceitará e o tratará com dignidade mesmo se ele falhar com você; quando não o condenar e não o forçar a adotar suas regras, exigências e leis; quando o convidar a compartilhar com você suas mais profundas feridas e medos, tanto quanto sonhos, alegrias e desejos. Não importa há quanto tempo vocês estão casados. A graça de Deus precisa transbordar em seu relacionamento.

Tenha sempre certo senso de humor A Bíblia diz que rir é um bom remédio para a alma. Para dizer a verdade, às vezes rio de mim mesmo. Minha esposa e eu às vezes rimos de algumas coisas que para outras pessoas podem parecer banais e sem graça. Não receie demonstrar que você é humano, falho e comete erros ridículos. Há uma frase que diz: “Leve Deus muito a sério, mas a você, nem tanto”.

É importante demonstrar ao seu cônjuge quais são os limites que, se ultrapassados, poderão feri-lo. Seja sensível e proteja sua relação conjugal.

Descubram quais são e procurem investir em suas afinidades Quais são as atividades que animam e agradam a ambos e podem contribuir para aprofundar o companheirismo e o afeto entre vocês? Um passeio pelo parque? Uma viagem até um lugar próximo? Uma viagem mais longa, se possível? Jardinagem? Fotografia? Um jantar a dois? Ir ao teatro, ao cinema, a um concerto? Invista em qualquer atividade que seja prazerosa para os dois.

Crie maneiras para dizer “eu te amo” Talvez um jeitinho de sorrir, um abraço especial ou um bilhete romântico colocado em algum lugar de destaque na casa. Quem sabe um elogio feito na presença de amigos ou uma surpresa romântica: um jantar, um presentinho, etc. Use sua imaginação!

Demonstre seu carinho O contato físico é um meio poderoso de comunicação, um modo afetuoso e reconfortante de alimentar o espírito e de transmitir emoções positivas.

A pele humana é como um gramado: cada folhinha de grama é como uma extremidade nervosa, tão sensível que, ao menor toque, pode gravar a sensação daquele momento no cérebro. O toque é uma das formas mais eficazes de dizer:

Você não está só! Você é importante! Lamento muito! Eu amo você!

A princípio essas dicas podem parecer muito simples, mas elas, além de práticas, são incrivelmente eficazes no relacionamento conjugal.

O grande desafio para os cônjuges, de qualquer idade, é saber manter seu relacionamento conjugal aquecido, profundo e dinâmico, pois assim, quando chegarem à velhice, poderão desfrutar o auge do amor e muito romantismo.

#Amor #Romantismo

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