Sua presença



Recentemente eu li um livro maravilhoso sobre a vida conjugal, Entre lençóis, de Kevin Leman. O autor trabalha a ideia do maravilhoso presente do sexo no casamento e diz que ele torna tudo melhor. Diz que a vida sexual de um casal normalmente é um microcosmo do casamento e que quando o sexo morre no casamento, o homem perde algo muito importante: a convicção de que pode agradar sua esposa fisicamente. E a mulher perde a satisfação de ter um homem fascinado por sua beleza.

Por que faço menção dessas falas de Leman? Porque a presença do cônjuge passa por esse lado da sexualidade na vida a dois. O casal tem a demonstração do toque do outro e através disso sentimos que somos um como casal. Leman afirma algo bem sério e profundo: “O sexo é parte de um relacionamento”.

No meu livro Um jeito doce de viver com seu cônjuge, trabalho a ideia de que o amor verdadeiro entre um homem e uma mulher é que fará com que eles tenham um relacionamento duradouro. É o amor que faz com que um casal tenha compaixão, solidariedade, respeito, carinho, ternura, paciência e compreensão mútua. É o amor que dará condições para conversar a vida toda, pois só com amor no coração pela esposa, pelo esposo é que conseguimos cultivar relacionamento de convivência e amizade pelo resto da vida. É pelo amor que casais hão de sentar-se no lugar da comunhão que é a mesa e desfrutarão de um relacionamento sadio e construtivo.

É o amor que fará com que casais se respeitem mutuamente e aprendam no relacionamento a acolher no espaço interior do coração as dores e labutas diárias da vida. É o amor que dará paciência para ambos suportarem as dores e dificuldades da vida lado a lado. É o amor que nos tornará amáveis, solícitos, dóceis e afáveis para com o cônjuge.

É interessante pensarmos na construção das fortalezas no passado. Elas eram protegidas para manter as pessoas em segurança e fora de perigo. Penso que alguns casais construíram fortalezas contra eles mesmos. Alguns casais construíram fortalezas não para proteger o relacionamento na presença do Eterno Deus, mas para serem secos, distantes e sem celebrar a presença, a graça do amor e da amizade a dois.

Precisamos resgatar o tempo gostoso e prazeroso do amor no casamento. Porque o amor nos leva a alcançar novos ideais, acima de interesses próprios. O amor é o caminho excelente da graça, como nos ensina o teólogo Paulo em 1 Coríntios 13.

Como é precioso para o marido e a mulher desfrutarem da presença um do outro e somarem a ideia bíblica de ser um. Salomão nos dá dicas maravilhosas sobre desfrutarmos a parceria a dois no casamento. Ele nos ensina a cultivar o belo do romance do marido com sua mulher. Veja alguns dos mais belos textos de Cantares através da amada para seu amado: Beije-me – bem na boca! Sim! Pois o seu amor é melhor que o vinho, mais fascinante do que os mais finos perfumes. Pronunciar o seu nome é como ouvir o murmúrio das águas. Não me admira que as jovens o amem tanto! Leve-me junto com você! Vamos fugir! Celebraremos e cantaremos as mais belas canções. Sim! Porque seu amor é melhor que o mais nobre vinho. Como você é amado! Quem não o amaria? Minha pele perdeu seu brilho, mas ainda sou graciosa, ó amigas de Jerusalém! Estou escurecida como as tendas do deserto de Quedar, mas sou bela como as cortinas do templo de Salomão.

Veja as demonstrações de carinho do amado para sua amada: Acorde, minha querida, meu amor, minha linda, minha amada – venha comigo! Olhe à sua volta: o inverno já acabou. As chuvas já passaram, sim já se foram! As flores da primavera desabrocham em toda parte. O mundo inteiro é uma sinfonia – pura harmonia! Venha, minha tímida e nobre recatada – é hora de sair, vamos passear. Deixe-me ver o seu rosto. Quero ouvir a sua voz. Aquela voz tão suave! Aquele rosto encantador!

Nas palavras de Cantares, nos poemas e nas declarações de amor, percebemos a importância da presença dos dois, há um romance belo e cativante em estar juntos, em celebrar a união a dois. E como nós perdemos esse lado romântico na nossa cultura brasileira. Quantas vezes vamos ao cinema com o nosso cônjuge no ano, quantas vezes passeamos, abraçamos e brincamos para celebrar a nossa sexualidade como casal? Alguns devem chorar ao ler este texto por perceberem que faz anos que estão negligenciando esse lado belo da relação.

Precisamos celebrar o nosso casamento através da presença, do amor e da simplicidade. Por isso, deixo algumas dicas para o coração dos casais para que todos nós celebremos com graça esse presente precioso que é o casamento dado por Deus a nós seres humanos:

Sejamos mais românticos no dia a dia como casal Fernando Pessoa disse: “Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar”. Nós amamos através das palavras, dos gestos e com o amor divino que foi dado a nós. O homem do texto de Cantares tinha prazer em ser romântico e afetivo com sua amada. Eu me lembro da minha fase de adolescência, quando tínhamos esse lado romântico de pedir a mão da moça em namoro e geralmente levávamos uma rosa para demonstrar carinho. Por que será que hoje muitas vezes levamos uma fisionomia emburrada e sem afetos, sem romantismo? Precisamos voltar aos tempos dos abraços, dos beijos, do amor, da companhia no banco da praça e da noite de luar com nossa esposa e com o esposo.

Resgatemos a poesia do coração no casamento O poeta Pablo Neruda disse:

Saberás que não te amo e que te amo posto que de dois modos é a vida, A palavra é uma asa do silêncio, o fogo tem uma metade de frio. Eu te amo para começar a amar-te, para recomeçar o infinito. E para não deixar de amar-te nunca: por isso não te amo ainda. Te amo e não te amo como se tivesse em minhas mãos as chaves da fortuna. E um incerto destino desafortunado. Meu amor tem duas vidas para amar-te. Por isso te amo quando não te amo e, por isso, te amo quando te amo.

Precisamos dessa poesia para dizer para o nosso cônjuge o quanto a presença dele é especial para o nosso ser, para o nosso coração. Precisamos olhar com os olhos do coração para nossa esposa e esposo. Precisamos resgatar palavras de afeto e respirar o lado poético da alma. Lembro de novo de Pablo Neruda quando ele disse: “E desde então, sou porque tu és. E desde então és, sou e somos. E por amor serei, serás – seremos”. Veja que o seremos sempre aparece no lado poético do relacionamento a dois, e como cristãos que andam com o Deus da aliança, precisamos desse lado afetivo no casamento, precisamos cultivar essa arte da poesia no casamento que nos faz abraçar, rir, chorar e sentir sempre. Que o Eterno Deus nos dê graça para investirmos na presença com o nosso cônjuge para que reflitamos o belo do divino que há na Trindade e assim sejamos modelos para uma sociedade cada vez mais individualista, menos poética e romântica quando fala sobre casamento!

#Sexo #Casamento

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