Amor, poderoso protetor do coração



Conheço poucas pessoas que não gostam de chocolate neste mundo. Eu mesmo não sou uma delas. E devo confessar um deslize: meu médico, minha esposa, minhas filhas e meus amigos me repreendem, e eu sei que eles têm razão. Sou diabético, mas, minha gente, não consigo resistir a um chocolatinho de vez em quando. Se você também é diabético, não siga meu exemplo.

O chocolate tem milhões e milhões de fãs. Tenho a meu favor a ciência, que afirma que ele ajuda a controlar o colesterol, reduzir a pressão arterial, proteger o cérebro e que sua ação antioxidante contribui para diminuir o risco de câncer. Para deixar bem claro, estamos falando do chocolate amargo.

Apesar de já ter sido considerado inimigo da saúde num passado recente, ele continua sendo unanimidade mundial. Seus benefícios já foram renegados e distorcidos, porém os próprios médicos avaliam que principalmente o chocolate amargo, sem exagero, claro, é um grande aliado para uma vida saudável. Enfim, ele é delicioso e faz com que nosso coração sinta alegria, bem-estar, satisfação.

Mais Doce que o Chocolate Quero fazer um paralelo entre o doce e gostoso chocolate e o sentimento mais nobre que existe, o amor. O amor também já foi afrontado, desvirtuado, mas continua sendo uma inquestionável e unânime necessidade humana, afinal todos sonham em amar e ser amado, em bem querer e ser querido, em entender e ser entendido, em garantir segurança e sentir-se seguro. Todas as pessoas sonham em sentir bem-estar, alegria, satisfação pessoal e emocional, e o amor é capaz de concretizar todos esses desejos.

Eu e minha esposa, Judith, estamos completando cinquenta anos de casados. Bodas de Ouro! E a pura verdade é que este meio século juntos valorizou muito mais minha vida do que ouro puro.

O amor é mesmo lindo, não posso negar. Acho que ninguém pode. A maioria de nós tem sua própria definição sobre o que é amar, entretanto nosso problema é o fato de não sermos capazes de aplicá-la em nossos relacionamentos. O amor implica muitas promessas, mas nós, seres humanos, muitas vezes temos dificuldade em cumpri-las.

Muitos dividem o conceito de amor em dois grupos: O amor “se” – É o amor que só é concedido “se” forem cumpridos certos requisitos. Infelizmente, esse é o tipo mais comum, e há pessoas que desconhecem outro. O amor “porque” – Esse tipo de amor é oferecido a uma pessoa por algo que ela faz. Há determinada qualidade ou condição nessa pessoa que contribui para que ela seja amada. “Eu amo você porque...”

Esses modelos estão longe da maneira como Deus vê o amor, que é: O amor “apesar de” – Esse amor não espera nada em troca. É o amor descrito em 1 Coríntios 13.4-7 e é o único que pode fazer com que um casamento seja sólido e frutifique.

Depois de cinquenta anos de casados, Judith e eu não temos o mesmo apogeu romântico de nossa lua de mel. Muita água já passou por baixo da ponte. Nós já ultrapassamos o alvorecer de nossa descoberta como pessoas apaixonadas. Atualmente, estamos vivendo o entardecer do nosso amor, porém o romantismo não desapareceu, mas não se resume mais a vibrações que provocam arrepios. Todo sentimento passional que sentíamos no comecinho do nosso casamento, com o passar dos anos, tornou-se mais profundo, consistente e amadurecido. O rio de águas turbulentas e agitadas agora é calmo e sereno.

Em minhas palestras aos jovens, tenho procurado deixar claro que a paixão não garante um casamento seguro. Se houver somente esse tipo de amor entre o casal, certas realidades do cotidiano mostram-se incoerentes, pois não há nada romântico em trocar fraldas, trocar lâmpadas, arrumar portas rangendo, idas ao supermercado e ter que enfrentar pressões financeiras e familiares. Quando o amor romântico passa por experiências desse tipo, tão comuns e tão humanas, demonstra sua fraqueza para suportá-las, principalmente durante muito tempo.

O amor é uma necessidade emocional e um ato de vontade que responde a uma avaliação intelectual da personalidade total de outra pessoa. Falando de amor enquanto um ato de vontade, eu quero recomendar a leitura do livro Amor, sentimento a ser aprendido, de Walter Trobisch, publicado pela ABU Editora.

O amor não é simplesmente um sentimento, uma emoção ou um momento de romantismo, mas algo proposital.

Refere-se a tomar uma decisão racional de amar uma pessoa.

Deus, quando olhou para a humanidade, não ficou emocional ou sentimentalmente comovido. A Palavra nos diz que Ele nos amou primeiro. Não houve nenhuma emoção, mas uma decisão racional. Esse é o tipo de amor que possibilita à pessoa que já chegou a odiar alguém voltar a amá-lo.

Geralmente, o amor não é encarado desse modo. Expressões como “o amor é cego”, “amor à primeira vista” não se enquadram na definição bíblica. Desde pequenos nos preocupamos com a necessidade de amar e de sermos amados, portanto o amor é, incontestavelmente, muito mais do que o bater acelerado do coração ou um sentimento epidérmico.

O Amor Verdadeiro É comprometido – Judith e eu queremos ficar juntos “até que a morte nos separe”. Quando nossas opiniões divergem ou nos desentendemos, não lançamos a ameaça de divórcio. Nunca cogitamos essa possibilidade ou a utilizamos como trunfo para conseguir o que queremos. É “outrocentralizado” – O orgulho e o egoísmo são um veneno que mata a chance de tornar um casamento feliz e realizado. O ser humano é egoísta por natureza, por isso precisa ser constantemente relembrado que o amor de Deus, ágape – que tem sempre como objetivo o bem-estar do cônjuge –, precisa ser praticado e honrado diariamente.

O verdadeiro significado da vida é “glorificar a Deus e desfrutá-lo para sempre” (Confissão de Westminster). A forma de conseguirmos atingir esse alvo no casamento é lembrarmos que a prioridade do marido é a esposa e vice-versa. Parece simples, mas não é, justamente porque temos uma natureza egoísta. O amor ágape é sacrificial, proposital e altruísta.

É comunicativo – Nunca é demais enfatizar a importância da comunicação na evolução de um relacionamento equilibrado e saudável entre marido e mulher. O grande sábio Salomão disse: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza, come do seu fruto” (Provérbios 18.21). Vida ou morte? Felicidade ou infelicidade? A escolha é de cada um, dependendo da disposição e capacidade da pessoa de dialogar. É deprimente assistir à devastadora tragédia que desestabiliza um casamento quando não há intimidade emocional. Há casais que erguem muros altos entre si para não serem molestados emocionalmente um pelo outro, impedindo qualquer troca de ideias, sensações, planos, fraquezas, emoções. Infelizmente, o resultado dessa superproteção é uma triste solidão, já que ambos se obrigam a permanecer reclusos dentro de si mesmos, tornando-se inatingíveis.

O amor comprometido e “outrocentralizado” lutará por uma comunicação favorável e aberta. Foi isso que Deus fez. A Palavra diz: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós...” (João 1.14). Por causa do seu grande amor por nós, Deus quis comunicar-se conosco. Então Ele enviou seu “Verbo”, Jesus, que se tornou carne, ossos e sangue e viveu entre nós, passando por tudo o que nós passamos. Sabe por quê? Para expressar (comunicação) e mostrar o quanto nos ama.

Preenche a vida – Amar e ser amado! Como escrevi antes, esta é uma das maiores necessidades do ser humano. Mas, para nossa tristeza, o amor tem sido muito deturpado atualmente, quando os ideais divinos relacionados a esse sentimento estão praticamente esquecidos. Há uma imensa diferença entre aquilo que o Senhor nos ensinou sobre ele e a prática do amor volúvel que é abraçada pelo mundo contemporâneo. Para Deus:

  • Amar depende de uma decisão pessoal. Foi exatamente o que Ele fez conosco: decidiu nos amar!

  • Amar é assumir um compromisso. Ele se comprometeu conosco e jamais desistirá de nós!

  • O amor precisa ser incondicional. Ele nos amou, apesar de sermos pecadores!

É esse tipo de amor, forte, comprometido, incondicional, que o Senhor sente por nós, que Ele quer e espera que sintamos uns pelos outros, especialmente pelo nosso cônjuge e pelos nossos filhos.

Jesus ressaltou que o amor é o maior mandamento entre todos. Consequentemente, atos de ódio, preconceito e egoísmo contra o próximo são pecados sérios. Por isso, toda resposta que dermos, todo pensamento e motivo que tivermos devem passar pelo filtro do amor, porque se não for assim, não terão valor.

Precisamos orar constantemente pedindo para o Senhor Jesus nos ensinar a amar. Essa oração despertará nossa sensibilidade contra atos e comportamentos que não transmitem amor, tais como: impaciência, egoísmo, cinismo, sarcasmo, julgamento precipitado, inveja, fofoca etc. Desprovidos de amor, somos pessoas artificiais, infelizes e hipócritas. O amor é o sentimento e a atitude mais inesperada no mundo de hoje e é a única ação humana que Satanás não consegue deturpar. Neste mundo egoísta e ganancioso, onde geralmente cada pessoa é seu próprio deus, uma vida impelida pelo amor acende uma luz muito brilhante na escuridão.

Entre os aromas e sabores da vida, o amor provoca sempre o gostinho de quero mais. Quem prova desse sabor faz dele o tempero essencial para o seu dia a dia. Seu gosto é inesquecível e não tem contraindicações. E é exatamente esse gostinho de quero mais que Deus me dá o privilégio de provar no meu casamento até hoje. Desde o dia 25 de setembro de 1965, eu e Judith temos vivido uma vida juntos abençoada, com conflitos e desentendimentos, certamente, pois não somos perfeitos – somos pecadores –, mas uma vida sempre fortalecida por esse tempero essencial, mais doce que o chocolate, que é o amor.

Judith, amo você! O seu amor fez de mim uma pessoa melhor. Amo você mais do que ontem e menos que amanhã.

#Amor

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