Expectativas conjugais



Ninguém se casa para “se dar mal”. Todos, ao se casarem, a menos que haja uma relação doentia ou deformada na concepção e motivação do relacionamento conjugal proposto, querem e desejam “se dar bem”.

O que se deve perguntar sempre é: quais são as suas expectativas a respeito do relacionamento conjugal? Elas estão corretas? São comuns a vocês dois? O que você está esperando do casamento? O que está disposto a oferecer nesse relacionamento? Essas perguntas se tornam uma oportunidade para os cônjuges refletirem, individualmente e como casal, sobre o relacionamento conjugal que desejam buscar e construir juntos. O desafio é construir um projeto de vida conjugal duradouro e feliz.

O que vemos em nossos dias é uma cultura de “consumo” tão acentuada, que até mesmo nos relacionamentos trabalhamos com a conveniência, com o interesse pessoal e egoísta, com a busca hedonista do prazer a qualquer custo (o descartável faz parte do nosso dia a dia). Esquecemo-nos de ser realistas sobre nós mesmos, sobre o outro, sobre o “juntos”. Aprecio muito as palavras do compositor Beto Guedes, que traduzem o que diz o livro de Eclesiastes (4.9-12): “Um mais um é sempre mais que dois”.

Nunca se esqueça de que a busca por nos conhecermos melhor e conhecer o(a) outro(a) melhor faz parte constante da caminhada de amar. Por isso, não há um casamento que não corra riscos e também não há um casamento que não possa melhorar. Assim como na vida, o casamento também vive suas fases distintas, que têm a ver com o momento de cada um e do casal, com fatores internos e externos, provocados ou involuntários.

Basta pensar no momento do encantamento de um pelo outro, do enamorar-se um do outro. Basta conscientizar-se das expectativas exageradas e irreais da paixão, da tentativa de mudar o outro (em tempo: oro sempre para que Deus mude em mim o que precisa ser mudado e mude em minha esposa aquilo que Ele deseja mudar nela), da experiência de quando os primeiros dias passam e a rotina chega, do crescimento da família (filhos), das demandas, medos, pressões profissionais, entre outras percepções e detalhes em cada fase.

Também precisam fazer parte dessas expectativas o compreender e administrar as diferenças naturais de um homem e de uma mulher. A visão de vida, a sensibilidade, a percepção dos fatos (lembre-se: elas têm um “sexto sentido”), a lógica e o prático, de um lado, e a emoção, intuição e o sentimento, de outro. Somos diferentes, e diferença não é defeito.

Quando Deus nos faz “homem e mulher” e concebe o sermos uma família, isso é parte do seu projeto para a felicidade do ser humano (Gênesis 2.18-25) e não algo acidental na vida humana.

Muito das expectativas conjugais que criamos precisam estar alicerçadas nos papéis descritos na Palavra de Deus para a vida de um casal. As recomendações e instruções bíblicas têm sido relegadas, como se, culturalmente adaptáveis e/ou descartáveis, não coubessem mais nos modelos e estruturas familiares atualmente propostos. Quando contemporizamos ou abdicamos de nosso papel no relacionamento conjugal, não só sobrecarregamos o outro como geramos frustrações afetivas e emocionais.

Um marido necessita estar consciente de seu papel de proteção, cuidado, sensibilidade diante das necessidades de sua esposa (intimidade emocional, não apenas sexual), liderança amorosa, provedor não apenas material, mas emocional, afetiva e espiritual (você é o líder espiritual de sua casa), amor traduzido em honra e honra como manifestação do seu amor.

Uma esposa necessita estar consciente de seu papel de auxiliadora idônea (Gênesis 2.18), sábia e virtuosa ao edificar a casa (Provérbios 31), honra, respeito, apoio (trabalhe com ele na tomada de decisões), intercessão, intimidade (física e emocional).

Acho incrível o texto de Cantares (4.12-15) quando descreve o relacionamento conjugal como um jardim, um manancial e uma fonte pura e singular. Construa uma relação conjugal sobre esses pilares de sustentação: Fidelidade – um jardim fechado. A fidelidade conjugal dá segurança a ambos e garante a bênção de Deus na vida do casal.

Amizade – atenção, cuidado, tratamento, compartilhamento. É uma aliança, não uma prisão. Seja comprometido(a) com sua família. É rendição voluntária, não domínio possessivo. É conteúdo manifesto, não aparência. É preciso cultivar sempre um ambiente gostoso, acolhedor, de comunhão e afeto, em que o outro é valorizado pelo que é e não apenas pelo seu desempenho.

Santidade – a fidelidade e a amizade vão desembocar em santidade. Deus tem tudo a ver com a intimidade na vida conjugal, por isso exercite a busca da vida espiritual saudável em casa, no casamento, na família. Quanto mais próximos de Deus, mais próximos e realizados no casamento.

Honra – não basta desejar, é preciso honrar. O amor faz o comum se tornar extraordinário. Exercite a apreciação, o elogio, o respeito e o zelo com o outro.

Às vezes tudo parece complexo e difícil, mas nada é tão incrível como partilhar a vida com alguém e poder descobrir a alegria do amar. Expectativas? Ame e deixe-se surpreender!

#Noivado

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