O que fazer quando as drogas são o problema



O Café com Jornal, da TV Bandeirantes, fez uma semana de reportagens sobre os trotes nas universidades no Brasil. Fiquei triste por acompanhar as reportagens porque elas retratam a real situação da nossa juventude. Nas reportagens, vimos pessoas sendo expostas de maneira ridícula e vergonhosa. Depois perguntamos sobre o motivo de um governo tão sujo. A sociedade está suja e contaminada pelo pecado, e isso não tem como ser anulado da nossa realidade. Confesso que a minha alma chorou nas manhãs da primeira semana do mês de março!

E olhando para essa situação, percebemos o quanto a juventude está sem freios, sem moderação, sem controle, sem percepção da importância dos limites na vida e no coração. E olhamos para as famílias com seus filhos e percebemos um envolvimento com o alcoolismo e com as drogas em um nível alarmante.

Sou pastor numa região privilegiada de São Paulo, onde a juventude tem mais acesso ao estudo por causa da boa situação econômica. Vários têm grandes possibilidades de estudar nas universidades particulares e muitos têm acesso às universidades internacionais. Só que tenho percebido um número elevado de jovens, alguns na flor da idade, envolvidos com o consumo de drogas, completamente destruídos e levando seus pais a um estado de tristeza enorme.

O fato é que várias famílias vivem situações de filhos dependentes e sem saber ao certo o que fazer. Assim, quero compartilhar sobre um livro de um missionário amigo, Miguel Adailton, que se chama Quem ama protege. Ele acredita que a maior dificuldade dos pais é o que fazer diante de uma situação tão desagradável.

Ele diz que a primeira coisa que os pais precisam fazer quando descobrem que um filho está usando drogas é procurar ajuda de um profissional espe­cializado ou de uma clínica de recuperação. Entretanto, na aflição da desagradável descoberta e no desespero de não saberem direito o que fazer, muitas vezes entram na primeira porta que aparece, e talvez não seja o melhor lugar nem a hora de submeter o filho a um tratamento.

Na hora de procurar ajuda, portanto, os pais devem se cercar de alguns cuidados para evitar que a dependência do filho e o drama da família se agravem ainda mais. Algumas clínicas e comunidades terapêuticas são dirigidas por pessoas com boa vontade, mas sem qualificações técnicas e estrutura adequada para esse tipo de prestação de serviço, e outras são controladas por pessoas que estão apenas em busca de dinheiro. Para evitar maiores frustrações, é essencial entender que mesmo quando um dependente diz que está disposto a parar e decide pro­curar ajuda, muitas vezes ele apenas está dizendo: “Alguma coisa está saindo do meu controle!”. Esta admissão é um bom sinal. Significa que o dependente está aberto ao diálogo, mas, normalmente, nessa fase, ele ainda não aceita o fato de que está doente.

Enquanto o usuário estiver convicto de que dependência não é doença, ele resistirá a qualquer sugestão de tratamento, mesmo já admitindo o fato de que está perdendo o controle da própria vida. Por isso, os pais precisam ficar atentos e, no momento em que a intervenção for solicitada, demonstrar todo interesse de lutar ao lado do depen­dente.

Miguel diz que um detalhe importante é trabalhar a autoestima do filho e sempre lembrá-lo de que é ama­do. Nessa fase, o contato e o abraço são fatores singulares para o dependente. Outro detalhe é o compromisso de estar com ele durante o processo de tratamento. Demonstração de amor de forma concreta é essencial. Os pais devem aproveitar o momento para também impor alguns limites e reforçar a capacidade e a necessidade que ele tem de ficar livre.

Os pais, ou qualquer pessoa que deseje ajudar um dependente no tratamento, devem procurar a melhor forma, entre as muitas ofere­cidas. A menos que seja um dependente que já não consegue decidir se quer ou não parar de usar drogas e precisa de um tratamento involuntário, é importante que o dependente participe da escolha do método, do local e quando começará o tratamento. Afinal de contas, ele é o maior interessado na escolha. Seja qual for o método de tratamento escolhido, deve con­templar os aspectos biológico, psicológico e social do dependente e ainda o respeito à individualidade e necessidade do recuperando. Assim como as drogas provocam “estragos” diferentes em pessoas diferentes e em períodos de tempo diferentes, na hora da cura os efeitos do tratamento também mudam de pessoa para pessoa.

O professor José Elias Murad, da Associação Brasileira Comunitária para Prevenção do Abuso de Drogas, disponibiliza dez conselhos práticos e objetivos para pais que enfrentam essa realidade. Esses conselhos são frutos de muitos anos ajudando milhares de pesso­as a se curarem do uso de drogas psicoativas:

1. Não dramatize o fato. Encare-o com realismo e objetividade. Discuta-o com seu (sua) esposo(a) ou com alguém de muita con­fiança. Lamúrias, automortificações, recriminações ou agressivi­dades e violência não ajudam em nada. 2. Procure ter certeza de que o fato está realmente acontecendo através da observação minuciosa do comportamento de seu filho. 3. Tenha uma conversa franca com seu filho. Procure colocá-lo bem à vontade, a fim de descobrir a verdade. 4. Tente descobrir o tempo, a frequência e quais drogas ele está usando. Esses dados são importantíssimos para serem fornecidos, no futuro, ao especialista que irá ajudar seu filho. 5. Procure descobrir as razões que levaram seu filho a usar drogas. Muitas vezes as raízes do problema residem em distúrbios da própria família que, juntos e de comum acordo, vocês pode­rão resolver ou minimizar. 6. Não estigmatize seu filho chamando-o, por exemplo, de “maco­nheiro”, “drogado” ou “marginal”. Nem faça ameaças de expulsá-lo de casa ou mesmo interná-lo. 7. Nunca fique se recriminando ou procurando culpados. Per­guntas como “onde foi que falhamos?” não ajudam em nada. Lembre-se de que não existe vacina contra as drogas e que elas podem acometer qualquer indivíduo, independentemente de classe so­cial, econômica ou cultural. 8. Converse com seu médico de confiança a respeito do assunto. Peça-lhe orientação, principalmente sobre clínicas e serviços es­pecializados, a fim de encaminhar seu filho para o tratamento e recuperação adequados. 9. Procure dar a seu filho o apoio de que ele tanto precisa. Não basta oferecer-lhe a assistência de um médico psiquiatra ou de um psicólogo. É preciso que toda a família se envolva no pro­cesso terapêutico. Chegou a hora de mostrar a seu filho que seus melhores amigos estão dentro de sua casa. 10. Lembre-se: amor, carinho, compreensão e diálogo são as melhores armas para combater as drogas. Use-as.

Finalizo o texto deixando algumas dicas à luz das Escrituras Sagradas para o coração dos pais:

Uma educação e um lar adequados são armas indispensáveis contra esse processo terrível na nossa sociedade. E essa educação é pela Palavra de Deus. Precisamos sentar com os nossos filhos para ensinar as Escrituras para eles. Dentro dessa perspectiva, nós, pais, temos uma responsabilidade de inculcá-las no coração dos nossos filhos. A mãe de Condoleeza Rice deixou profundas marcas na mente e na vida de sua filha. Seu nome é Angelena Rice. Nossas mães são nossas primeiras professoras espirituais. Ainda pequena, Condi aprendeu a ler e, aos três anos de idade, começou a ter aulas de piano, francês e de patinação artística. John, seu pai, era pastor da Igreja Presbiteriana Westminster, em Birmingham, e se tornou deão do Stillman College, onde o avô dela tinha se formado. Mais tarde, ele serviria como vice-presidente da Universidade de Denver. E sabemos o que essa mulher se tornou nos EUA. Qual foi o diferencial? A educação espiritual dos seus pais.

Ore com seus filhos e ore por eles. Um amigo, o Pr. Jeremias Pereira, diz que devemos ir aos quartos dos filhos enquanto dormem e devemos orar por eles em todos os sentidos. Devemos investir tempo na intercessão pelos nossos filhos e no meio dessa sociedade corrompida precisamos clamar para que Deus os guarde das drogas, dos vícios e de todo mal que há hoje.

Que o Eterno Deus no ajude a lidar com essas situações!

#Pais #Paisefilhos #Paternidade

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