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Liderando a geração Z



Geração Z refere-se aos que nasceram no fim dos anos 90 e início dos anos 2000. Os estudiosos do desenvolvimento humano já denominam os que nasceram após 2010 de Geração Alfa. Recorreram ao alfabeto grego por se esgotarem as letras do alfabeto latino. Desde a Geração X (anos 70-80), filha do Baby Boommers (anos 50-60), usou-se o final do alfabeto latino para nomear as gerações. Não faria sentido colocar letras anteriores a X, Y ou Z, pois traria muita confusão, consideram os sociólogos.

Salto geracional Os adolescentes de hoje estão dando um salto geracional, com um diferente estilo de viver que não é visto com bons olhos pelas gerações anteriores. O confronto de gerações sempre existiu e sempre existirá: “A mudança é só por um tempo, pois serão substituídos por uma nova geração, pois eles não são eternos” (Karl Mannhein, Sociologia, São Paulo: Ática, 1982, p. 78). A peculiaridade desta geração é que ela já nasceu na Era Digital, numa sociedade mais tecnológica e virtual, num sistema cultural globalizado que trouxe novas propostas e alterações de comportamento. As gerações anteriores foram inseridas no mundo digital e tiveram que assimilar essas novidades e adaptar-se. O “novo” causa estranheza e resistência no velho. Para os nascidos numa sociedade virtualizada, nada é novo. Eles já possuem uma interação com as tecnologias e estão familiarizados com os conceitos e inovações surgidos a partir da Era Digital.

Esta nova geração está altamente movida pela tecnologia, marcada pela globalização, com um incentivo ao consumo e vive a maior parte do tempo num espaço paralelo ao mundo real, que é chamado de virtual ou ciberespaço. Tudo isso deu a ela uma nova visão de mundo, um estilo de vida diferente dos seus pais, professores, líderes e pastores.

O surgimento de um novo ser Recentes pesquisas realizadas com jovens de 13 a 18 anos constatam que está surgindo uma nova geração. Seu comportamento, por causa do mundo tecnológico, está trazendo inovações que causam transformações sociais e novas construções de conceitos na sociedade e na vida das pessoas. Verificaremos seus efeitos apenas num futuro bem próximo.

Como é esse novo ser? Em seu mundo, a maior parte do tempo se passa no espaço virtual e não no real. Todas as suas comunicações têm lugar na internet. Pouca coisa acontece no mundo real. Na web, ele se comunica com os amigos, namora, conhece gente nova, faz pesquisas escolares, faz cursos, assiste a filmes, ouve músicas, faz compras, fica por dentro das notícias, joga, conhece novos lugares, tira qualquer dúvida no Google, vai a qualquer lugar com o GPS, acompanha seus ídolos e, dependendo da pessoa, faz até sexo!!!

Essa nova maneira de viver, menos presencial e mais virtual, dificultou a comunicação interpessoal, causando um isolamento social: “fecha-se no seu próprio mundo”. E o afastamento do outro provoca a exagerada “aproximação de si mesmo”, isto é, a alienação – prenunciada por Karl Marx na Era Industrial –, tão presente na Era Digital. A consequência é a desvalorização do outro, a falta de interesse e compromisso com os problemas da sociedade, considerando que não são sua responsabilidade, por isso tem menos engajamento político e civil.

A globalização faz com que ele esteja em comunicação com todos e em todos os lugares do mundo. O lugar em que ele experimenta mais de perto esse mundo sem fronteiras é no jogo virtual. Ele pode estar conectado ao mesmo tempo com alguém da Europa, Ásia, Oriente Médio, América ou com o vizinho do lado. Ele pode ser quem quiser quando está jogando. Realiza suas fantasias, escolhendo o seu avatar (personagem que o representa no mundo virtual). E faz o que quiser: rouba, mata, odeia, invade terras, planetas, vence exércitos, conquista reinos, amores, etc. Tem tudo de que precisa e que não consegue no mundo real. Tem uma liberdade total! Mas tudo isso é “fake” (do inglês: mentir, roubar - é uma identidade falsa no mundo virtual).

A cultura globalizada traz um mundo sem fronteiras, que abre mais a mente para lidar com o diferente, com menos preconceito, mais abertura para aceitar o novo, com menos resistências para mudanças, faz com que se adapte mais rápido. Essa quebra de preconceitos e abertura de mente transforma-o em sujeito num estado de anomia – sem regras, sem valores –, formando subculturas – sistemas com seus próprios valores e comportamentos (Helena Wendel Abramo, Cenas juvenis: punks, darks no espetáculo urbano, São Paulo: Scritta, 1994), como as tribos urbanas: emos, punks, darks, carecas, neonazistas, funkeiros, nerds, etc.

O mundo tecnológico fez dele um multitarefeiro (de multitarefa, termo utilizado da computação, pois os sistemas operacionais permitem que os processadores realizem várias tarefas simultâneas – disponível em http//pt.wikipedia.org/ wiki /multitarefa): fala no celular, ouve música e tecla na rede social ao mesmo tempo. Tudo isso enquanto está na frente do computador fazendo um trabalho escolar!!! A consequência é que ele é ultrarrápido; é a geração fast-food. Por um lado, isso é positivo, mas tem pouca concentração, é disperso e tem dificuldade de focar num alvo e persistir nele. Aumenta sua dificuldade de esperar, tornando-se impaciente e com atenção seletiva – presta atenção só no que lhe interessa.

A vivência numa sociedade consumista fez dele uma pessoa que não consegue lidar com frustrações. Seus desejos são insaciáveis, e ele pode comprar quase tudo apertando uma tecla. Sua autoestima está mais baseada no “ter” do que no “ser”, na quantidade de cliques que recebe nos “curtir” e visualizações dos seus “posts” e de suas “selfies” nas redes sociais. Isso faz dele um narcisista (“eu me amo, não posso viver sem mim”) e egocêntrico, que faz dele o centro de tudo. Se alguém frustra o seu desejo, ele é intolerante e descarta-o. São os “humanos descartáveis”, citados por Zygmunt Baumann em seu livro Modernidade líquida (2008). Usa o outro e joga fora, as relações tornam-se um meio e não um fim para a sua felicidade. Por isso, os vínculos afetivos, quando são construídos, também são descartáveis e sem compromisso, como o “ficar, rolo e pegação”.

O que fazer com eles? Jesus e Paulo já nos alertaram que esse jeito de viver seria característico dos últimos tempos (Mateus 24.12; 2 Timóteo 3.1-5). Mas, como líderes, educadores, discipuladores e mentores desta nova geração, os mais velhos têm o compromisso de, com sua experiência, ensinar, dar o conhecimento, o exemplo, pois em sua vida já têm os resultados comprovados do que plantou e colheu: frutos de vida ou de morte (Gálatas 6.7-8).

É preciso que os líderes ajudem essa nova geração a exercitar o pensamento crítico-reflexivo. Ela possui muita informação, mas pouca profundidade. Tem pouco discernimento sobre o que é certo e errado. Deixa-se levar facilmente pela massificação, mídia e marketing. Perdeu a noção sobre o que seja verdade ou mentira; falsidade ou realidade, vontade de Deus ou a sua própria, etc., tem dificuldade em encontrar uma convicção crítica e pessoal. Tornou-se até alienada da vida da igreja e fria espiritualmente. As estatísticas comprovam o fenômeno dos “desigrejados”, representados principalmente pelos jovens, que, ao entrar na universidade, abandonam suas igrejas. Temos presenciado isso de perto em nossas viagens pelo país, são poucas as igrejas que possuem um número representativo de jovens. Há um bom número de crianças e adolescentes e quase nada de jovens, comparado ao número total de membros da igreja.

Há a necessidade de trazê-los mais perto do mundo real. Fazê-los aprender a conviver de uma maneira menos individualista, mais solidária, sendo mais participantes da vida da igreja, da família e da sociedade. Ajudá-los a ter equilíbrio entre o tempo gasto com o mundo virtual, com entretenimento, descanso e o mundo real de estudo, trabalho, convívio com os outros, com a família e cuidados com a saúde.

É urgente solidificar os valores do reino de Deus, de justiça, verdade, busca de santidade, que façam vínculos de amor profundo em seus relacionamentos afetivos e valorizem a importância do casamento e da família, pois a ideia de “até que a morte nos separe” já não faz parte do seu modo de pensar.

Há um novo cenário Com esta geração é preciso uma nova forma de relacionamento. As fórmulas antigas não funcionam mais! Ela quer um relacionamento horizontal, não mais verticalizado, de cima para baixo, sem explicação e com ameaças: “Faça porque estou mandando!”, “porque sou seu líder!”. Ela exige explicações inteligentes, com clareza e sustentação bíblica e não em dogmas e tradições; e principalmente que tenha coerência. Não adianta apenas “falar”, é preciso “viver o que se fala”. Está habituada à inclusão. Quer sentir-se fazendo parte do time, ser ouvida e respeitada em suas opiniões para solução dos problemas. Julgá-la menos e aceitá-la em suas falhas devido à sua pouca idade. Reconhecer o que se fez de bom e não só apontar os erros. Mostrar alternativas para melhorar uma ideia. Motivar quando não foi bem sucedida, sem menosprezar o que já foi feito, elogiar o que foi feito de positivo. Essas são algumas maneiras de mostrar empatia, ganhar confiança e quebrar as resistências.

Uma geração de transição Ela será responsável pelo futuro da igreja, da nossa sociedade e do nosso país. Os jovens desta geração serão os adultos de amanhã. Que tipo de líderes serão? O que eles entenderão por igreja, família, Brasil, políticos, líderes, pastores e pais senão tiverem bons exemplos? Cabe aos adultos de hoje preparar a próxima geração para que sejam homens e mulheres adultos, maduros e responsáveis, que perseverem na Palavra e temam a Deus. “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino” (1 Coríntios 13.11). “Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez” (Salmos 78.3-4).

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