Água é vida



Nas páginas da Bíblia, deparamo-nos com a belíssima simbologia da água dentro do projeto totalizador para sobrevivência da estupenda criação de Deus: No princípio criou Deus os céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas (Gênesis 1.1-2); E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida (Apocalipse 22.17). No coração das Escrituras (os evangelhos) está sublinhado que Jesus Cristo é a Fonte da Água da Vida: E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre (João 7.37-38). Nesta pista, podemos dizer que o altar de Deus é sua maravilhosa criação. Jesus Cristo é o centro da nova vida e da recriação da vida, à luz do projeto transformador do reino de Deus.

Nós, metodistas, ressaltamos a importância do meio ambiente. Por isso, o Plano Nacional Missionário (PVM) 2012-2016, na ênfase 5, destaca: implementar ações que envolvam a Igreja no cuidado e preservação do meio ambiente (...) Considerando-se as atuais condições de vida no planeta Terra – com a devastação das áreas verdes, a escassez de água, o acúmulo de lixo, etc. – a atuação missionária, em sua vertente social, também deve apoiar, incentivar e participar das iniciativas em defesa da preservação do meio ambiente.

Essa linha pastoral abre um maravilhoso horizonte para a igreja vivenciar um discipulado corajoso, transformador, que possa assumir um compromisso com a dignidade da criação de Deus (Salmos 24). No espaço da criação de Deus, nossa responsabilidade é zelar, é cuidar e, consequentemente, dar sentido à nossa vocação de salvar vidas para Cristo, mas também promover ações que possam dar uma melhor qualidade de vida ecológica. Dentre as muitas ações na pauta ecológica, precisamos priorizar a água.

Com absoluta certeza, podemos afirmar que água é vida, é alimento e é saúde. Dessa maneira, a água precisa ser um direito humano e social, ou seja, um bem público. Em outras palavras, as privatizações da água por grandes empresas internacionais constituem uma grande ameaça à vida, considerando-se os interesses econômicos, isto é, transformando a dádiva da criação da água em um bem comercial. Portanto, a água é uma extraordinária expressão da graça de Deus concedida a toda a criação. A vida abundante prometida por Jesus Cristo (João 10.10) passa pela bênção da água. Objetivamente, sugiro que o tema da água possa ocupar as nossas atenções ao longo do ano de 2015. Os estudiosos estão apresentando dados concretos da profunda crise de abastecimento que estamos vivendo. Neste ano vimos o caso da cidade de São Paulo. Os reservatórios do sistema Cantareira chegaram a um patamar indesejável, e agora precisamos de chuvas periódicas durante cinco anos. Um quadro assustador!

Assim, para ajudar as nossas igrejas, grupos societários, grupos de discipulado, ministérios nas diversas esferas da comunidade de fé, aconselho, respeitosamente, três ações:

a) Projetos que possam ressaltar a importância da presença de Cristo na vivência da comunidade. Ou seja, ações que sinalizem Jesus Cristo como a fonte da água da vida. Por exemplo, o diálogo de Jesus com a mulher samaritana (João 4.1-30) oferece lições extraordinárias para aquela época, bem como para nós hoje. Na verdade, o conteúdo desse diálogo aponta que a metáfora da água é universal. Todos nós precisamos de água para a nossa saúde pessoal e comunitária. Nesse encontro, Jesus mexeu e remexeu com a mulher samaritana (João 4.19-30), com seus conceitos e preconceitos. Precisamos de uma ação missionária que possa oferecer a água da vida: Jesus. Do mesmo modo, carecemos da água da graça de Deus para a nossa existência. Vivemos numa sociedade com muita expectativa de consumo e, consequentemente, sedenta de sensibilidade e amor.

b) Projetos que possam dinamizar o dia a dia da Educação Cristã. A Igreja Metodista compreende que a tarefa educativa é um processo permanente e transformador. A vida cristã precisa ser irrigada na fonte da água da vida, que é a Palavra de Deus. A Escola Dominical, os grupos societários, os grupos de discipulado constituem excelentes espaços para o crescimento na maturidade cristã, à luz do conselho de Pedro: Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo (2 Pedro 3.18a). Esse crescimento passa por ações que possam ajudar a comunidade a manter projetos relacionados à água no dia a dia da igreja. Por exemplo, revisão das instalações hidráulicas, reaproveitamento da água da chuva, construção de poços artesianos. Uma ação educativa que possa envolver todos os segmentos da comunidade de fé e serviço. Do mesmo modo, programações litúrgicas poderão ser trabalhadas utilizando o simbolismo da água, como, por exemplo, o batismo como símbolo de purificação, aliança e compromisso missionário.

c) Ações que possam contribuir com políticas públicas sobre a água. Não podemos abrir mão do nosso ensino sobre a responsabilidade cidadã diante do quadro angustiante do planeta terra. Como igreja instamos, pessoal e comunitariamente, a participar da missão de Deus. Essa missão implica, como foi dito, um compromisso ecológico, objetivando defender os princípios inegociáveis da vida, que, em última instância, passa pelo direito público da água. Por isso, as políticas governamentais precisam evidenciar um marco legal sobre o uso da água. Nessa direção, precisamos fortalecer as políticas já existentes, bem como outras que possibilitem garantir água para todas as pessoas.

Por fim, trago à memória a mensagem de esperança vivida por João na Ilha de Patmos: E vi um novo céu e uma nova terra. (...) E mostrou-me o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, e de um e de outro lado do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações (Apocalipse 21.1a; 22.1-2).

Que imagem maravilhosa! Uma mensagem de transformação, rios não poluídos, rio que oferece, gratuitamente, água cristalina para a convivência dos povos! Rio que alimenta a natureza! Árvores, praças... para comunhão e partilha! Por isso, João encerra sua carta com um comovente apelo: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida (Apocalipse 22.17b).

#Paternidade #Pais #Paisefilhos

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