O segredo está no casal



Eu poderia aproveitar este artigo para engrossar o coro dos que – com toda razão – alertam, reclamam, denunciam o grau e a ferocidade dos ataques desferidos contra a instituição da família no Brasil nos últimos tempos. Material não faltaria para uma pesquisa sobre as variadas formas que essas agressões têm assumido. Algumas claras, evidentes, chocantes. Outras sombrias, disfarçadas, sutis. Mas cada uma delas faz parte do arsenal altamente destrutivo utilizado pelo perverso príncipe deste mundo, especialista em escravizar e cegar seres humanos.

Sim, graças a Deus pelos que se sentem com a responsabilidade e têm os meios apropriados para alertar e denunciar – geralmente pastores, escritores, articulistas, palestrantes, pessoas da mídia. Esses são os que estão na linha de frente da batalha.

E quanto aos muitos milhares de crentes que também querem lutar, mas não têm acesso aos meios de comunicação, não lidam com o grande público, não têm nem mesmo o dom da palavra? Por acaso, ficariam fora da luta, apenas assistindo de longe?

Certamente que não. Há outras maneiras de se engajar: em conversas pessoais, em manifestações, em grupos de estudo, em oração, apenas para citar algumas.

Deixarei tudo isso de lado para me concentrar em apenas uma forma de luta contra os ataques satânicos e humanos contra a família. Uma solução discreta, pacífica, mas extremamente eficaz, capaz de neutralizar, até mesmo de destruir as investidas inimigas.

Não, não irei sugerir um método de doze passos, nem a última “fantástica revelação” do guru evangélico da moda. Minha sugestão não traz novidade alguma e, por isso mesmo, talvez até pareça meio sem graça, um velho clichê que não desperta grandes interesses.

Indo diretamente ao ponto: a arma mais poderosa para o crente defender a instituição da família é aplicar vigorosamente a Bíblia no seu dia a dia, a começar em casa, seja em coisas grandes ou pequenas.

Como o assunto é muito vasto e disponho de pouco espaço, vou me concentrar num conceito básico, um verdadeiro pilar em que a Bíblia sustenta grande parte da estrutura da família: o casal.

O casal é o núcleo da família. Em Efésisos 5.22-33 a relação marido-mulher ordenada por Deus é exposta de modo claríssimo. O marido é o cabeça do casal, com a responsabilidade de amar, cuidar e proteger a mulher, sendo o responsável de quem Deus exigirá o suprimento do lar. A mulher deve, em tudo, ser submissa, obediente ao marido. Pronto: aqui está praticamente o resumo de tudo o que a Bíblia tem a falar sobre a relação marido-mulher.

E ninguém ouse achar que esses conceitos estão ultrapassados, fora da realidade atual, por pertencerem a uma cultura de dois mil anos atrás. O texto sagrado compara esse relacionamento marido-mulher com a relação entre o Senhor Jesus Cristo e a sua Igreja. Ora, porventura é ultrapassada a realidade de Cristo como cabeça de uma Igreja-esposa obediente e submissa? Essa relação não apenas é válida hoje, ou daqui a cem, ou um milhão de anos. É eterna!

Pessoalmente, estou convencido de que é no casal que está o calcanhar de Aquiles, o ponto fraco da família de hoje. Foi aqui onde, décadas atrás, começou a se formar uma pequena fissura nos alicerces da família cristã: o movimento feminista. Pode até ter sido iniciado com boa dose de sinceridade, com o nobre alvo de defender mil abusos contra a mulher. Mas o diabo é muito sagaz e especialista em entortar o que é reto. Pouco a pouco as mulheres foram exigindo não apenar ser respeitadas e corretamente consideradas pelos homens, mas ser igualadas a eles em todos os aspectos possíveis. E a pequena fissura se alastrou, rachando mesmo as bases da instituição familiar. Todas as gerações de mulheres abaixo de sessenta anos se prepararam muito mais para uma profissão bem-remunerada do que para a missão mais nobre e complexa de ser mãe, de ser esposa, de cuidar de um lar agradável a Deus.

Paternidade e maternidade se confundiram. Tarefas domésticas antes naturalmente definidas foram redistribuídas de maneira artificial e forçada. O marido se inibe de exercer autoridade sobre uma esposa que faz um esforço hercúleo para trabalhar fora e, ao mesmo tempo, cuidar da casa. Ele pode até sinceramente tentar ser o cabeça do casal, como Deus ordena, contudo é difícil se livrar da triste, mas pragmática realidade terrena de que “quem paga manda”! E às vezes ela paga as contas mais do que ele! Com a autoridade dividida, a família se transforma em um bizarro corpo de duas cabeças. E se a noção de liderança perde a nitidez e fica confusa aos olhos do próprio casal, quanto mais dos filhos!

É certo que a Bíblia não proíbe a esposa de ter alguma renda e contribuir financeiramente com a sua casa. Basta ler o belíssimo exemplo da mulher virtuosa (Provérbios 31.10-31). Mas que não se perca de vista o equilíbrio daquele casal. Embora apareça em segundo plano, o marido, juiz, além de importante na cidade, era muito querido, mostrando ser sério e de bom caráter. Dificilmente teria toda essa reputação se fosse um homem sem autoridade na própria casa. E ele próprio a louvava, chamando-a de a mais virtuosa das mulheres. Que harmonia entre os dois!

É lícito, portanto, a esposa ter alguma renda para contribuir com as despesas da casa. Mas tudo tem limites. E, no lar, dois sinais alertam que esses limites estão ultrapassando o que Deus traçou. Primeiro, quando o esforço e o tempo que a mulher dedica ao trabalho remunerado a impedem de dar um bom andamento à sua casa, em especial na atenção ao marido e aos filhos. Segundo, quando o grau de profissionalismo no trabalho externo e o peso da sua contribuição financeira, de alguma maneira, roubam a sua naturalidade, vontade e mesmo prazer em ser submissa ao marido.

Ao me concentrar no desequilíbrio bíblico entre muitos casais crentes, não estou sugerindo ser este o único mal a perturbar a família cristã. Também há a dificuldade na criação de filhos expostos a uma sociedade cada vez mais degenerada, a medonha confusão sobre sexualidade, o padrão decrescente da condição espiritual dos crentes, os perigos de um mundo “interneticamente” conectado e vários outros.

Mas insisto que esses males causariam muito menos danos se fossem enfrentados por casais em que o homem fosse, de fato, o cabeça (cuidador, protetor, principal provedor) e a mulher fosse, de fato, submissa ao marido.

E como sempre acontece quando se obedece a Deus, todos os outros problemas seriam resolvidos de maneira mais suave e eficiente. Não como mágica ou fruto do acaso, mas pelo poder de um Deus que se alegra em ajudar e capacitar um casal obediente a combater todo um sistema satânico que Ele próprio odeia.

Não vejo melhor forma de terminar do que simplesmente repetindo o título do artigo, na esperança de que fique ecoando na mente e no coração do leitor: o segredo está no casal!

#Vidaconjugal

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