Felizes para sempre... será?



Sempre me surpreendo com o fato de tantos casais iniciarem a vida de casados pensando que, se simplesmente agirem naturalmente, tudo será um mar de rosas. Isso explica por que tantos noivos não veem nenhuma necessidade em participar de um curso pré-nupcial, que os ajude a se prepararem para viver sob o mesmo teto com compreensão e harmonia. Porém, eles logo descobrem que a dinâmica de um relacionamento a dois não funciona direito sem que haja preparação, maturidade e, como gosto de dizer, a crucificação diária de nossa natureza egoísta.

A verdade é que a natureza humana tende a ser autocentralizada e não “outrocentralizada”, pois, considerando exceções, ela sempre prioriza como alvo agradar a si mesma e não ao cônjuge.

Os conflitos são constantes quando um casal baseia seu relacionamento na autogratificação, em detrimento a servir ao outro, que é o princípio cristão para qualquer relação. Esses conflitos são a porta de entrada para sentimentos como frieza e indiferença. Se não forem bem trabalhados, eventualmente poderão resultar em separação, pois o marido não estará suprindo as necessidades da esposa e vice-versa. Não podemos também descartar a possibilidade do surgimento de um homem ou uma mulher que, aparentemente, venham suprir suas carências. Além disso, é normal que, com o passar do tempo, o casal deixe de atender a outras necessidades do seu parceiro porque, afinal, ninguém é perfeito!

Se você é recém-casado(a), talvez até já tenha encontrado algumas dificuldades. Se você está casado(a) há algum tempo, certamente já enfrentou várias delas. Permita-me compartilhar algumas considerações e atitudes que podem ser tomadas para tentar ajudá-lo(a) na construção de uma vida conjugal mais harmoniosa e feliz. Para isso, é importante:

Ter expectativas corretas

Certamente você já ouviu ou externou pensamentos semelhantes a estes que se seguem:

  • Você está ficando igualzinho ao meu pai!

  • Suas reações são as mesmas de minha mãe!

  • Eu esperava algo bem diferente do nosso casamento.

  • Eu tinha certa imagem do nosso relacionamento, mas a realidade está sendo bem outra!

Essas e outras confissões retratam o quadro melancólico das frustrações, desilusões, desapontamentos e infelicidade de muitos casais, especialmente nos primeiros anos de casamento. De fato, desilusão é a palavra que melhor descreve o sentimento de alguns recém-casados. Em minha experiência no aconselhamento de casais, tenho descoberto que poucos estabelecem uma comunicação aberta durante o noivado, na tentativa de identificar as expectativas mútuas e obter uma visão real do casamento que está por iniciar-se. É absolutamente saudável que os recém-casados conversem sinceramente sobre o assunto:

  • Nosso relacionamento é realmente o que você esperou que fosse?

  • Suas expectativas estão sendo alcançadas?

Sonhos não realizados podem causar frustrações, semear amargura no coração e incentivar o cônjuge a pensar em outra pessoa e até em adultério. Em Hebreus 12.15 somos avisados sobre o grande perigo que corremos ao permitir que uma raiz de amargura brote no nosso coração: “... que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem”.

Nunca podemos esquecer que, muitas vezes, expectativas irreais são inconscientes; mas, seja como for, criam ansiedades, insatisfações e frustrações. Nessa situação, o casal precisa da orientação de um conselheiro que o ajude a esclarecer seus problemas interiores e a criar uma comunicação sem bloqueios, insistindo, porém, que cada cônjuge priorize as carências do outro.

É muito imprudente depositar todas as expectativas sobre o cônjuge. Ninguém é capaz de supri-las integralmente. Devemos fixar nossos olhos em Deus, como disse Davi: “Ó minha alma, espera somente em Deus, porque dele vem a minha esperança. Só ele é a minha rocha e a minha salvação; é a minha defesa; não serei abalado” (Salmos 62.5-6).

Aceitar um ao outro Marido, o que você faria se sua esposa, recém-casada, queimasse o feijão e o arroz todos os dias?

Esposa, o que você faria caso o seu marido jogasse a roupa suja e “cheirosa” pelos cantos da casa, em vez de colocá-la no lugar apropriado, e durante dez anos você fizesse isso por ele?

Será que a aceitação do cônjuge está baseada no que ele faz ou deixa de fazer? Se você aceitou casar-se aguardando supermudanças no seu cônjuge, prepare-se, porque você está no limiar de sérios problemas.

Minha mãe, quando casou com meu pai – terceiro casamento para ela –, vivia tentando transformá-lo. Papai era um homem muito simplório, meio caipira; ela, culta e articulada. Ao longo dos anos, minha mãe causou muitos transtornos em nossa casa por causa disso, mas ela nunca conseguiu mudar o jeitinho dele. Quanto tempo e energia gastos inutilmente! Quantas desavenças e quanta perda de amor e harmonia isso provocou! Que pena!

O amor incondicional é a base de uma aceitação completa. É natural que, com o decorrer do tempo e pela graça de Deus, mudanças ocorram. A experiência, contudo, tem revelado que não forçar as mudanças, mas aceitar as diferenças, manias e idiossincrasias do outro, aponta para uma perspectiva maior de um bom relacionamento.

Essa aceitação firma-se no fato de que Deus nos aceita e nos ama incondicionalmente e, como resultado, desenvolve-se em nós um sentimento de autovalorização e a capacitação para aceitar o nosso cônjuge. É muito importante verbalizar o compromisso assumido através de uma comunicação aberta e sincera: “Eu amo muito você! Assumi um compromisso no dia do nosso casamento, válido para toda a nossa vida. Se em alguma situação houve qualquer dúvida a esse respeito, por favor, diga-me para que a gente possa conversar e acertar”.

Ter sempre a disposição de mudar Quando um casal me pede conselhos sobre como reconstruir um relacionamento abalado, a primeira pergunta que faço é: vocês realmente querem salvar seu casamento?

Por que faço essa pergunta? Porque já descobri que, em muitos casos, existe uma forte resistência a qualquer mudança. Tempo é algo precioso e não convém desperdiçá-lo com quem não está verdadeiramente interessado em trabalhar o relacionamento.

No capítulo 5 de João lemos que Jesus encontrou um inválido ao lado do tanque de Betesda e lhe perguntou: “Você realmente quer ser curado?”. Pode parecer tolice fazer tal pergunta a um homem impedido de andar durante sua vida toda, exatamente trinta e oito anos. Contudo, o fato é que muitas vezes as pessoas não querem pagar o preço da cura. Nesse caso, em particular, o homem poderia estar querendo chamar atenção ou talvez não gostasse de trabalhar.

Há pessoas cientes de seus problemas conjugais que não estão dispostas “a aceitar conselhos médicos, ir à farmácia e muito menos tomar remédios”. Uma questão inevitável da vida é que tudo muda, nada permanece, e isso é especialmente verdadeiro no casamento. No início o casal precisa se ajustar à nova convivência. Quando eles começam a se entrosar, chegam os filhos. Novas mudanças, novas adaptações. Juntam-se a isso situações diferentes no convívio familiar, talvez no emprego. Se o casal for rígido e inflexível às novas mudanças da vida, enfrentará dificuldades. O desgaste provocado por conflitos não resolvidos pode destruir um casamento.

Faça uma avaliação do seu relacionamento:

  1. Você está pressionando seu cônjuge com suas expectativas irreais?

  2. Você está aprendendo a aceitar seu parceiro incondicionalmente?

  3. Você está disposto(a) a fazer mudanças?

Responda sinceramente a essas perguntas. Elas poderão servir como ponto de partida no resgate de um relacionamento conjugal mais verdadeiro e profundo. Há um preço a pagar para todos os que optarem por ser “felizes para sempre”. Algumas atitudes precisam ser adotadas e alguns comportamentos devem ser evitados.

Que Deus lhe dê humildade e sabedoria para alcançar a felicidade conjugal.

#Vidaconjugal

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