Famílias millennium



Gerações X, Y, Z. Essas expressões têm sido cada vez mais difundidas para caracterizar a grande diferença entre as novas gerações. Essas três gerações nasceram entre meados da década de 60 e a virada do milênio e trouxeram diferenças profundas para a sociedade, as empresas, as igrejas e as famílias.

A geração X é caracterizada por aqueles que nasceram entre 1964 e 1980. É um grupo que iniciou rupturas, empreendeu e compartilha pouco suas ideias. A geração Y é formada por aqueles que nasceram entre 1980 e 2000. É uma geração multitarefa, concilia lazer e trabalho e é muito ligada em tecnologia.

Já a geração Z, ou millennium, é o grupo nascido da segunda metade da década de 90 em diante, até 2010. É a geração nativa digital. Ela não consegue entender o mundo sem celular, internet e videogames, apesar de isso tudo não ter mais do que vinte anos de existência. E ainda há a geração Alpha, representada pelos que nasceram após 2010, uma geração 100% tecnológica desde o berço.

Apesar de cada geração ter características bem distintas, não dá para dizer que suas famílias seguiram suas tendências e se tornaram famílias X, Y, Z ou Alpha. Na verdade, é exatamente aí que se gerou um conflito muito grande, pois essas gerações romperam barreiras, e muitas dessas famílias não sabem até hoje como trabalhar isso.

Se de um lado temos grandes crises conjugais, que se resolvem através do divórcio, de outro lado temos grandes crises familiares, que ninguém sabe como resolver. As perguntas que as famílias levaram para os pastores no passado tinham suas respostas previstas em manuais que foram estudados na faculdade de teologia. As perguntas de hoje nunca estiveram em nenhum manual.

Voltando no tempo Se por um lado parece que estamos numa crise sem uma luz no fim do túnel, por outro lado não dá para dizer que esta é uma crise sem precedentes. Dá para dizer que “nunca antes neste mundo” tivemos que enfrentar crises familiares tão profundas por causa da diferença entre gerações. Entretanto, se pararmos para pensar que estamos vivendo a virada de um milênio, temos que buscar o que aconteceu nas viradas de milênio no passado para nos ajudar a entender este momento.

A melhor virada de milênio foi quando Jesus veio ao mundo. A virada para o primeiro milênio da era cristã tem características incríveis. Jesus foi o personagem principal, mas quem era Ele do ponto de vista da sua família e da sociedade? Um revolucionário, futurista, questionador da religião oficial e das tradições vazias, usava uma nova linguagem e uma forma diferente de se comunicar. Ele causou uma “boa confusão” na sua família.

Aos doze anos ficou alguns dias fora de casa para “discutir teologia” no templo. Na juventude, quando iniciou seu ministério, foi rejeitado pelos seus próprios irmãos, os outros filhos de José e Maria, e abriu caminho para que coisas sem precedentes acontecessem nesse novo milênio.

Sua família também não era a família ideal. José e Maria foram escolhidos por Deus para receber Jesus, e isso é incontestável. No entanto, como Deus trabalha através de vasos de barro, falhos, vemos um José medroso de início, que quis fugir diante da gravidez de Maria. Vemos também uma Maria temerosa e ansiosa. Segundo alguns historiadores, José seria bem mais velho que Maria, e talvez até viúvo. Já Maria era uma adolescente. Humanamente falando, imagine começar uma família assim. Só mesmo anjos aparecendo e a graça de Deus se manifestando para dar liga a tudo.

A história bíblica revela que José se transformou de inseguro em confiante e Maria de temerosa em agraciada. Os irmãos de Jesus mudaram de descrentes para convertidos depois da sua morte, e alguns tiveram ministério de grande impacto. Entretanto, o que dá para apreender de tudo isso?

Do ponto de vista humano, essa foi uma família que tinha tudo para dar errado, que teve que enfrentar a virada do milênio, perseguição, fuga, rejeição, quebra de paradigmas com tudo que Jesus fazia e ainda sofrer com a morte na cruz de um dos seus membros. No entanto, através disso essa família se tornou uma família conectora entre dois milênios. Ela foi uma “família millennium”.

Família millennium As famílias millennium nem sempre entendem tudo pelo qual estão passando, mas ao mesmo tempo sabem que fazem parte de um novo capítulo da história que é escrita por Deus. São conectoras de gerações. São o lugar onde estão sendo formados os filhos que revolucionarão o mundo, e isso não apenas no caso de Jesus, mas também dos seus irmãos.

Famílias millennium entendem que são privilegiadas. Essas famílias só existem a cada mil anos. Nós temos um privilégio hoje que só se repetirá daqui a mil anos. Podemos ver isso como um problema ou como um privilégio. Maria foi agraciada, José privilegiado por ensinar a lei e sua profissão para Jesus e os irmãos de Jesus viveram experiências sem precedentes.

Famílias millennium vivem “crises constantes”, pois dificilmente entendem o que está acontecendo com seus filhos e por que tantas revoluções e mudanças acontecem tão rapidamente.

No entanto, o papel das famílias millennium é acompanhar, apoiar e incentivar a nova geração a fincar bases profundas daquilo que será vivido nos próximos anos. Outro papel é ser conectora e lutar para que esta geração não se perca. Jesus questionou as tradições vazias, mas aprofundou o senso do que era o reino de Deus para aquela geração.

Todos nós temos o privilégio de ser famílias millennium. O grande desafio que temos é conseguir cumprir o papel de influenciarmos nossos filhos, para que eles deixem marcas neste início de milênio que se repercutirão por muitos e muitos anos.

#Vidaconjugal

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