Conflito entre gerações: como conviver em família?


Vivemos num ritmo crescente das novas tecnologias. Entre as transformações causadas por elas, existem algumas rupturas entre as gerações. As pessoas mais velhas não entendem as atitudes dos jovens de hoje. Estes, por sua vez, consideram os mais velhos desconectados com a realidade do mundo atual.

Esse é o dilema de nossas famílias. Estamos numa época em que várias gerações convivem ao mesmo tempo e no mesmo ambiente. Isso acontece no meio profissional, nas universidades, nas igrejas e em casa. A maior expectativa de vida faz com que avós e pais fiquem ativos por mais tempo. Assim, aumenta o tempo de convivência com os filhos, netos e até bisnetos. Surge, então, o conflito de gerações.

É comum o avô cobrar do seu filho a postura dos seus netos: “Seu filho não vai casar? Ele já está com 23 anos! Eu nesta idade já tinha dois filhos e meu escritório de advocacia. Ele nem namorada tem…”. O filho responde: “Calma, pai, seu neto está focado em sua carreira profissional. Ele vai fazer um curso no exterior antes de casar”. “E o seu filho de 16 anos? Nem escolheu a sua profissão! Diz que quer ir fazer um estágio no Espírito Santo para salvar as tartarugas marinhas. Isso dá dinheiro?” Poderíamos citar muitos exemplos para enfatizar que há um novo cenário. As fórmulas antigas de relacionamento não funcionam mais. Definir os adolescentes como preguiçosos e alienados é muito simplista e não resolve!

Não há como ficar passivo e indiferente diante dessa realidade. Em algum momento os mais velhos terão de se envolver com as tendências ou serão envolvidos por elas. Não há mais como viver num mundo sem tecnologia e internet. Desde sua conta bancária, comprar no supermercado, estacionar o carro, comunicar-se com alguém por celular, e-mail, redes sociais, até acender um fogão, nosso cotidiano está envolvido pelo mundo virtual. O adolescente de hoje já nasceu dentro dessa realidade. É preciso conhecer e aprender a viver no mundo que seu filho vive. Mundo em que, aliás, você também vive!

A classificação das gerações A Sociologia define diversos conceitos de geração, mas a concepção que trataremos aqui é a definição utilizada pela socióloga Débora C. Carvalho, que se refere “às transformações tecnológicas e a sua influência no comportamento, atribuindo um determinado perfil comum a um grupo, que os define e os diferencia. Muito utilizado pelo Marketing, Mídia, Moda e Ciências do Comportamento”. Há algum tempo uma geração era definida a cada 25 anos. Nos dias de hoje, uma nova geração surge a cada 10 anos. Elas se dividem em:

• TRADICIONAL: Anos 20, 30, 40 • BABY BOOMER: Anos 50 e início dos anos 60 • GERAÇÃO X: Anos 70 e início dos anos 80 • GERAÇÃO Y: Fim dos anos 80 e início dos anos 90 • GERAÇÃO Z: Anos 2000 • GERAÇÃO ALFA: 2010

Superando a crise O fato de as gerações conviverem num mesmo ambiente pode contribuir para amenizar a distância entre elas e as dificuldades que cada uma possui.

As novas gerações possuem muita informação, mas pouca profundidade. Precisam adquirir outro tipo de conhecimento, o pensamento crítico-reflexivo, algo em que a geração anterior pôde contribuir devido a sua vivência. Os jovens, por terem fácil acesso a todo tipo de informação e domínio da tecnologia, não podem desconsiderar o conhecimento dos mais velhos.

Os mais velhos, por sua vez, precisam ser humildes e aceitar a necessidade de se adaptarem à nova realidade, sendo menos resistentes e mais flexíveis ao novo e ao diferente.

Sugerimos algumas dicas para uma nova atitude nas relações familiares:

1. Troca de experiências Os mais velhos (pais, avós, tios, irmãos, etc.) precisam dos mais jovens: de sua energia, motivação, criatividade, informalidade, flexibilidade, rapidez, sua capacidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, sua visão de um mundo sem fronteiras, globalizado e do seu bom trânsito entre as minorias. Já os mais jovens precisam dos mais velhos: de sua experiência, vivência, maturidade, conhecimento, reflexão, bom conselho, exemplo, direção, esforço e resultados comprovados.

Veja os conselhos que Paulo orienta Tito a dar aos jovens e aos mais velhos: “Encoraje os jovens a serem prudentes” (Tito 2.6); “Ensine os homens mais velhos a serem moderados, dignos de respeito, sensatos e sadios na fé, no amor e na perseverança” (Tito 2.2).

2. Uma nova forma de se relacionar a) Maneira horizontal: não de cima para baixo. Com autoridade, mas sem autoritarismo. Com clareza da informação, explicando bem o que se quer. Sem ameaças ou coerção: “Faça porque eu estou mandando! Faça porque senão você vai ver o que acontece!”. Afinal, você não está lidando mais com uma criança.

b) Inclusão: os mais jovens agora querem ser tratados como parte do time da família, querem ser ouvidos e respeitados em suas opiniões e ideias. Desejam dar sugestões nas soluções dos problemas da família.

c) Empatia: é preciso mais compreensão pelas diferentes ideias e visões de mundo. Entender que “pensar diferente” não é sinônimo de falta de amor, desrespeito ou rebeldia.

d) Reconhecimento: elogiar quando o outro fez algo positivo. Reconhecer o que se fez de bom e não só apontar as falhas. Mostrar alternativas para melhorar a ideia.

É preciso preparar uma geração de homens e mulheres que sejam adultos maduros e responsáveis. As palavras do apóstolo Paulo, proferidas há tantos anos, é um desafio para os nossos tempos: “Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino” (1 Coríntios 13.11).

Há uma geração de jovens que precisa dos bons exemplos dos mais velhos, de sua experiência e referencial de vida comprometida com os valores do Reino e da Justiça de Deus. O futuro SEMPRE nos trará diferentes gerações, que viverão grandes desafios de comunicação. Só que o homem tem uma grande tendência de se afastar dos valores que Deus planejou para a família. Por isso é importante que os cristãos desenvolvam a persistência. É necessário ensinar e vivenciar em nossos lares os propósitos ensinados pelo Senhor na Bíblia. Cada membro da família cumprindo seu papel, sem perder a sua identidade. Pais procurando manter uma vida saudável e responsável diante dos filhos; filhos retribuindo o bem recebido num tratamento de honra e respeito, mesmo quando houver discordâncias; da mesma forma, o tratamento dos avós, parentes, etc. (Efésios 6.1-4; 1 Timóteo 5.4).

É necessário que a família atual aprenda a “viver em conciliação”, extraindo o que cada um tem de melhor, vencendo o desafio nosso de cada dia, que é: “Como andarão dois juntos se não houver entre eles acordo?” (Amós 3.3).

#Família

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