O mundo em que o adolescente vive hoje


Há um livro que nos traz muitos ensinos sobre as crises e dilemas da adolescência e juventude: Crescendo com o seu filho adolescente, de Eugene Peterson. O autor diz que a juventude é um momento especial tanto para os pais como para os filhos. Se ela for ignorada, acabará rapidamente se transformando em idade adulta.

Só que hoje, diante da realidade quanto à inversão de valores, tem sido muito difícil uma aproximação dos pais com seus filhos adolescentes. Vivemos uma confusão enorme quanto aos valores passados de pais para filhos. Alguns pais não têm uma atitude nem comportamento adequado para transmitir algo de positivo e elucidativo para os filhos adolescentes porque sua conduta é estranha e não há autoridade suficiente para influenciá-los. Como um pai pode ensinar seu filho sobre o cuidado com a mentira se ele mente todo dia? Como pode ensinar seu filho sobre lealdade e justiça se ele não as pratica?

Olhamos para a realidade hoje e percebemos que temos dificuldades para educar os nossos filhos adolescentes porque faltam princípios, falta a conduta verdadeira, honesta e séria. O que precisamos refletir e de maneira bem séria é que os adolescentes são como o orvalho e não como o granito. Então, é necessário que nós pais invistamos alguns minutos e aprendamos a compreender melhor os filhos adolescentes. Devemos adentrar no território do mundo adolescente. E ao mesmo tempo, eles precisam crescer na tarefa de nos respeitar como seus pais que os amam e se dedicam a eles.

Quando avaliamos o momento atual da geração jovem, percebemos que há inúmeros tipos de adolescentes e atitudes totalmente complicadas. Uma pesquisa encomendada pela MTV, denominada “Universo Jovem 3”, que trata dos valores do jovem brasileiro, entrevistou 2.359 jovens das classes A, B e C das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Salvador e Porto Alegre, sob a coordenação de Ione Maria Menes. A intenção foi identificar valores e comportamentos de jovens entre 15 e 30 anos sobre os temas vaidade e beleza, drogas, sexualidade e a comunicação na era da tecnologia. Os entrevistados definiram sua geração usando palavras como “vaidosa” (37%), “consumista” (26%), “acomodada” (22%) e “individualista” (22%), e os dados da pesquisa confirmam essa visão um tanto pessimista sobre a juventude brasileira.

No quesito “vaidade”, os jovens brasileiros parecem dar muito valor à aparência: 60% deles acreditam que pessoas mais bonitas têm mais oportunidades na vida e em torno de 15% declararam que estariam dispostos a ser 25% menos inteligentes se pudessem ser 25% mais bonitos. O medo do futuro e o adiamento das responsabilidades também estão em evidência: 82% preferem morar com os pais e usufruir de todo o conforto e uma relativa liberdade que o diálogo familiar gera a enfrentar uma vida independente.

No campo da juventude brasileira protestante, uma matéria da revista Ultimato de setembro/outubro de 2010 apresentou uma pesquisa realizada pela Editora Ultimato com 1.960 jovens com idade entre 13 e 34 anos, denominada “Juventude evangélica: crenças, valores, atitudes e sonhos”. Em relação às coisas importantes para a vida pessoal, a pesquisa demonstrou:

  • Ter fé (94%)

  • Ser honesto (89%)

  • Ser amigo e leal (87%)

  • Ter uma boa relação familiar (86%)

  • Ser trabalhador e responsável (77%)

  • Viver numa sociedade mais justa (59%)

  • Ter um trabalho que traga realização (58%)

  • Ser estudioso (58%)

  • Ter um corpo bonito e saudável (63%)

De alguma maneira, todas as estatísticas refletem dentro das nossas comunidades cristãs, pois os nossos adolescentes e jovens estão na igreja 120 horas por ano e na escola 920 horas. Das 168 horas semanais, eles vão à igreja menos do que 10% desse tempo. Então a influência da tecnologia e das atividades seculares são maiores. Os nossos adolescentes e jovens estão expostos aos prazeres e tentações das drogas e do consumismo.

Precisamos entender, como igreja, que temos uma grande responsabilidade de investir um tempo de qualidade e exercer uma influência profunda do Reino na vida deles porque a proposta para o rapaz e a moça perderem princípios e valores de Deus é forte demais.

Precisamos perceber a necessidade de acompanhar o crescimento e o processo de desenvolvimento mental, físico e espiritual dos nossos adolescentes. Precisamos, como igreja, ensinar nossos filhos que vivemos bem quando vivemos de acordo com o projeto original, para o qual nascemos: amar e sermos amados. Como diz C. S. Lewis em seu livro O problema do sofrimento: “Deus nos criou para a felicidade, mas a felicidade de sermos um, indo a ele numa relação de amor”.

Um fator interessante para avaliação é que a adolescência é um presente de Deus para os pais na meia-idade. Não é apenas um processo estabelecido por Deus para levar crianças à idade adulta; ainda é o plano d’Ele para fornecer algo essencial aos pais nos anos em que são críticos na vida deles também. Deus dá filhos para restaurar nossa percepção de sermos criaturas, filhos d’Ele, para que vivenciemos a renovação da condição essencial para entrar no Reino de Deus. Tanto os adolescentes como os jovens e pais têm uma parceria no crescimento espiritual na presença de Deus.

O livro de Eclesiastes chama o jovem para se alegrar e se lembrar do Senhor nos dias da mocidade sem esquecer que o Senhor pedirá contas de tudo. Só que não é uma responsabilidade só dos jovens, é dos pais também. Porque Provérbios diz que quem ensina a criança no caminho em que deve andar são seus pais. Também diz que a glória dos filhos são seus pais. E a honra dada aos pais tem a ver com o ensino que eles dão aos seus filhos.

Em meio a um tempo em que os nossos adolescentes têm vivido a crise do “self”, que tem desembocado num narcisismo violento, nós como pais temos a responsabilidade profunda na formação e desenvolvimento moral, espiritual e afetivo dos nossos filhos. Precisamos trazer as realidades bíblicas para essa geração que se perde no meio do ego e da ilusão de um mundo a ser conquistado. Uma geração que quer ser independente de tudo e de todos, mas é carente de afeto e convivência no mundo tecnológico que os leva para um relacionamento diário com os aparelhos eletrônicos.

Concluo deixando um texto muito importante na formação de uma criança que um dia será adolescente e jovem partindo para a idade adulta: “Tu as inculcarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te” (Deuteronômio 6.7).

Essa tarefa não é fácil. Requer uma dedicação séria durante muitos anos. Mas é Deus quem nos assegura a sua graça e sabedoria. Quero deixar alguns conselhos para pais e filhos no processo de educação e de aprendizado na presença de Deus:

Pais: Compreendam a natureza das crianças (Provérbios 22.15; Salmos 51.5). Elas não se inclinam naturalmente para o bem. Por isso devemos ensiná-las, formá-las e discipliná-las.

Saibam que a presença de vocês é essencial para ajudar a lembrança dos filhos sobre Deus. Vocês precisam crescer e amadurecer junto com seus filhos. Orar com eles e por eles. Vocês precisam buscar o entendimento dos conflitos deles desde a fase infantil. Lembrem-se de que é na família que eles aprenderão acerca da fé em Cristo.

Sejam exemplos de instrução, disciplina e carinho. Tudo isso é expressão prática do amor. Devemos considerá-los como herança do Senhor. Temos, portanto, a responsabilidade diante de Deus de criá-los para a sua glória.

Filhos: Saibam que Deus quer que vocês cresçam e amadureçam através do modelo de seus pais.

A formação do caráter é a capacidade para enfrentar as responsabilidades da vida, trabalho, casamento, sólida base moral, autodisciplina, autoestima, domínio próprio, controle sobre os sentimentos, gostos, etc. Só que a ajuda dos pais é essencial para o desenvolvimento sadio desses processos.

O propósito de Deus é que sejamos pais que cuidam bem dos filhos com graça e sabedoria, ensinando-os e amando-os no meio dos seus conflitos e crises existenciais. Que Ele nos dê graça para essa tarefa.

#Adolescência

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