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Haja coração!


Sábado à tarde. Brasil e Chile entravam em campo pela Copa do Mundo. O Brasil jogava em casa, e o país inteiro vestia verde e amarelo. O juiz apita e a bola rola. Jogo difícil. Um gol do Brasil é anulado. Vaias da torcida. Prorrogação. Chile chuta no travessão. Como diria um narrador famoso: “Haja coração”. Infelizmente, toda essa pressão foi demais para um torcedor carioca, que faleceu após ter um infarto no estádio. Ele não suportou a ansiedade. Espere aí! Ansiedade?

“Não andem ansiosos por coisa alguma” (Filipenses 4.6). A ansiedade possui diversas causas: no caso da partida, está relacionada ao estresse emocional; no caso do versículo, refere-se à falta de confiança, no sentido de eu ser o único responsável pelo sucesso de determinado fato, tarefa ou missão. Qualquer que seja a origem, a ansiedade é um sentimento de apreensão vinculado a um desejo enorme de exercer controle sobre tudo – e todos também – e, como não dizer, um desejo de ser onipotente! Muda muito olhar por esse prisma, não? Claro que muda.

Graças às novas tecnologias e redes sociais, toda nossa vida tem sido influenciada por processos de instantaneidade. Tudo é para agora. Tudo é muito rápido. Imagine, então, quando nossos filhos estiverem crescidos? Eles possuem acesso imediato a um nível de informação que levamos décadas para obter. E, daqui a alguns anos, terão ainda menos tempo para realizar cada vez mais tarefas. Essa sensação de obrigação de domínio de tudo parece ser cada dia mais exigida. Mas, parafraseando o versículo de Mateus 6.27, quem de nós, por mais que se preocupe, pode acrescentar uma hora que seja a sua vida? Ansiosos ou com medo, devemos lembrar que a onipotência pertence a Deus. E isso deve ser ensinado aos nossos filhos para que saibam como reagir à pressão.

A ansiedade que vivenciamos no dia a dia pode até nos deixar de cabelo em pé, mas é uma ansiedade corriqueira, que não necessariamente levará a um quadro patológico, ou seja, desenvolver um Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Os sintomas característicos, como sudorese, taquicardia e insônia, podem – e devem! – ser amenizados com o uso de medicamentos indicados por um especialista. Na verdade, na maioria dos casos, a ansiedade é até positiva. Ela faz parte da nossa pulsão de vida e das nossas defesas para nos reorganizarmos emocionalmente, a fim de mantermos nosso equilíbrio psíquico. Isso mesmo: é preciso se desorganizar para reorganizar e renovar outra vez. É assim que funcionamos. É como diz o versículo de Romanos 12.2: “Sejam transformados pela renovação do vosso entendimento”. E nessa reorganização enxergamos a direção de Deus.

Desse modo, não se torture se roer as unhas durante o exame do vestibular ou se não tiver dormido na noite anterior. É mais do que compreensível uma noiva ter um “piti” no local de trabalho a uma semana do casamento. Ao agir assim, só estamos nos reorganizando emocionalmente. E caso você tenha ficado rouco de tanto gritar no jogo do Brasil, não se preocupe. Você foi apenas humano, ou melhor: foi brasileiro roxo!

#Adolescência

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