Comunicando o caráter cristão e valores morais


A comunicação no lar é um dos mais importantes componentes da saúde familiar. No mundo contemporâneo, muitos lares mais se parecem com um posto de gasolina e estacionamento de carros. Cada um vai para o trabalho, para a escola e quando aparecem no lar é para tomar um banho, comer alguma coisa e dormir. No dia seguinte, é a mesma coisa. No final de semana ainda há o ativismo provocado pela correria das atividades na igreja ou o envolvimento com as amizades. Quase ninguém mais conversa com ninguém no lar. Cada um é um ilustre desconhecido que se esconde em seu quarto.

É claro que a sobrevivência para atender às exigências da vida e do trabalho acaba exigindo a dedicação ao trabalho e ao estudo. Não tenho dúvida de que nosso envolvimento com a igreja também é importante, mas temos urgência em compreender que o lar é o ambiente fértil para o desenvolvimento da intimidade, da amizade, da comunicação de valores e princípios éticos que venham a nortear as decisões de cada um de nós. E, convenhamos, nascemos como seres éticos, todos temos de decidir. Mesmo que não tomemos nenhuma decisão, decidimos não decidir, pois não decidir é também uma decisão. Então, quais serão nossos pontos de partida ou nossos referenciais éticos ou morais a partir dos quais teremos segurança para tomar decisões?

Se, desde pequenos, nossos pais vivem a partir de princípios éticos e morais alicerçados na Bíblia, se em nosso lar a Bíblia é o ponto de partida para explicar as razões da vida e das decisões, nossa mente vai sendo abastecida por esses ideais e, quando vamos assumindo a vida, teremos fonte segura para nossas decisões, seja no âmbito da amizade e relacionamentos, seja no âmbito profissional, etc.

Recentemente fiz um levantamento entre 472 pastores de diversas regiões do Brasil, representando cerca de 7% dos pastores de uma grande denominação, e foi possível constatar que 74% deles não fazem culto doméstico regularmente e 70% não estão satisfeitos com o tempo que investem em sua vida devocional. Isto é, buscam falar de Deus, mas não estão priorizando falar com Deus primeiro. Se esse é um retrato na vida pastoral, como poderíamos desenhar o retrato dos lares evangélicos brasileiros dos “crentes normais”? E isso só falando em momento devocional!

Necessitamos com urgência redescobrir que somos salvos não simplesmente para vivermos a vida nos preparando para a eternidade – ela virá sem dúvida e Jesus já está preparando tudo para nós no futuro. Fomos salvos para sermos recolocados de volta no estado original de onde caímos, para sermos recolocados volta nos propósitos originais Deus, desde antes da fundação do mundo. Os teólogos dizem que fomos criados para a glória de Deus. Isso é correto, mas talvez seja muito abstrato para muitos de nós. Então, entendo que, para vivermos para a glória de Deus, nosso rumo é vivermos em harmonia e em amor com Deus, com nós mesmos, com o próximo e com a natureza criada. Seguimos os dois grandes mandamentos (com três níveis – Deus, eu e o próximo) e mais o princípio lógico de estarmos vivendo num ambiente criado.

Isso significa que, a partir do lar, compete a nós como pais desenvolver um ambiente em que a comunicação de princípios e valores éticos seja primordial para que nossos filhos cresçam com segurança para tomar suas decisões para o resto da vida e tenham saúde moral e espiritual. Valores éticos que apontem para esses quatro ideais para os quais fomos criados. Como está esse desafio em seu lar?

#Adolescência

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