Adolescência, a descoberta do eu


A forma mais relevante de se comunicar é por meio de histórias. Jesus mesmo usou esse método, portanto, neste breve espaço, quero compartilhar alguns momentos da minha história e minhas deduções a partir dela.

Até ontem eu era criança e tudo que fazia era coisa de criança. Minhas brincadeiras eram de criança, meu interesse pelo sexo oposto era apenas de amizade, meus pais eram absolutos. Na verdade, eu achava que meu pai era o homem mais forte do mundo e minha mãe a pessoa mais sábia da terra, pois ela sempre sabia o que eu queria. Meu sonho era ser jogador de futebol.

Agora não sou mais criança e me disseram que ainda não sou adulto. Portanto, sinto-me como em uma ponte que liga dois mundos. Essa ponte parece ser, ao mesmo tempo, tudo que existe, pois tudo que vivo nela é muito intenso. Vivo o meu primeiro amor e minha primeira grande decepção. Como tudo acontece pela primeira vez, tudo é emocional, portanto tudo, absolutamente tudo, se torna gigantesco em minha vida.

Gostaria que as pessoas me entendessem, se pudesse dizer para elas como é este momento em que estou vivendo. Eu estou descobrindo quem eu sou? Diria para você que no final é uma luta não só dentro de mim, mas com a sociedade e também com familiares, pois estou continuamente definindo meu novo papel como uma pessoa em crescimento.Uma luta para poder definir quem eu sou, com que grupo de pessoas me identifico, o que valorizo e, o que parece ainda mais louco, estou à procura de onde sou aceito do jeito que sou.

Por favor, gostaria que você entendesse que eu estou num processo de definição de quem eu sou. Eu quero ter minha primeira namorada, quero definir minha futura profissão, quero sair com meu grupo de amigos, quero escutar a música que gosto e ter o cabelo que acho legal. Também quero ser um servo de Deus, quero obedecer a meus pais, quero definir o que faço e ao mesmo tempo quero ser amado, ser abraçado, independentemente do que eu fiz, dos meus erros e acertos.

Parece contraditório, pois quero que meus pais me guiem, mas não sejam ditadores de regras. Quero o cafuné da minha mãe, mas não a quero na minha festa de amigos; quero a instrução do meu pai sem a lista de “nãos” que se segue cada vez que nos falamos.

Algumas vezes meus pais, que pagam minha escola ou me ajudam com dinheiro para sair e me divertir com meus amigos, me dizem: “Se você se acha adulto, então pague suas contas e trabalhe”. Eu sei que era assim antes da Segunda Guerra, quando não havia tempo para ser adolescente; ou você era criança ou adulto. Mas não tenho culpa de isso ter acontecido. Na verdade, isso foi um processo natural de entendimento de que eu ainda não sou adulto, mas também não sou mais criança.

Eu quero ser sincero aqui. Eu sei que tenho que respeitar meus pais, e faço isso. O que acontece é que agora sigo mais os seus princípios do que suas regras. Quando não bebo, quando não entro em carro de estranhos, quando volto para casa com alguém sóbrio ao volante, quando decido não fazer sexo, quando vejo que preciso estudar para ter um futuro brilhante, quando ajudo uma pessoa que precisa, faço isso porque aprendi através de exemplos na minha vida.Exemplos de valores, exemplos de vida, porque fazem o que é certo.

Algumas pessoas também exercem algum tipo de autoridade sobre minha vida. Elas têm a função de autoridade não para exercer a força (a não ser que seja realmente necessário), mas para me guiar, como meus pais, professores, pastores e líderes na igreja e pessoas que escolhi para informalmente serem meus mentores.

Estou ciente de que tenho que respeitar as pessoas, que tenho que seguir as autoridades. Na verdade, eu não só quero como preciso, contudo, neste momento, para mim tudo é novo. E tenho me esforçado imensamente para equilibrar o que quero com o que não quero de forma a construir o futuro com o qual sonho.

Para mim Deus é tudo, pois Ele diz em sua Palavra que está em todos os lugares, então Ele está pronto para me ajudar a tomar decisões quando estou em casa ou com os amigos. Ele também disse que me ama e que nada pode me tirar de suas mãos, portanto eu sempre oro para que Ele me ajude a tomar as decisões corretas para que possa se orgulhar de mim, que sou seu filho e servo.

Mas Ele sabe, e todos nós sabemos, que enquanto crescemos, infelizmente erramos – e também acertamos. Se errei, foi porque tentei acertar. Sei que meus erros têm uma consequência lógica e eu tenho que consertar a situação ou mesmo ser disciplinado por ela. Mas eu gostaria que meus erros não tivessem uma consequência relacional com minha família; com Deus eu sei que não tem, pois todos os meus pecados são perdoados, claro que com arrependimento. Eu também sei que se eu aprender com meus erros, posso ser uma pessoa melhor, pois vou aceitar melhor os outros, bem como evitar a partir de agora o caminho errado.

Portanto, pais e autoridades, sejam meus parceiros nessa caminhada. Quando digo parceiros, não quero mudar nem um pouco o seu papel sobre minha vida, seja de pais, professores ou pastores, mas apenas pedir que tenham uma atitude de caminhar junto em vez de colocar barreiras no caminho. Eu preciso de pessoas com autoridade e voz de orientação e direção para me guiarem até que realmente possa fazer sozinho, se é que algum dia vou fazer tudo sozinho, pois através da sua vida e do seu conhecimento eu aprendi que na multidão dos conselhos há sabedoria, por isso não quero nunca deixar de ouvi-los.

Eu estou à procura de quem eu sou. Sei que encontro isso em Deus, mas tenho que interpretar essa questão no meu dia a dia. Minhas atitudes são tomadas no anseio de escolher o melhor caminho e minha maneira de viver é buscar encontrar minha felicidade cumprindo meus deveres como cidadão, filho e cristão, ao mesmo tempo em que usufruo do meu direito também de cidadão, filho e cristão.

#Adolescência

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