EDIÇÃO 153 - NOVEMBRO/DEZEMBRO 2016

PAIS E FILHOS, AMIGOS PARA SEMPRE

A psicóloga Fátima Fontes diz que imaginar que os pais são os melhores amigos dos filhos é uma “doce ilusão”, pois os melhores amigos de nossos filhos são escolhidos por eles conforme a faixa etária ou afinidades.

Marcos Quaresma

O CULTO DOMÉSTICO É POSSÍVEL NOS DIAS DE HOJE?

A prática do culto doméstico em lares cristãos tem sido um grande desafio nos dias atuais. Infelizmente, várias circunstâncias dificultam esse exercício tão necessário.

LEIA MAIS

Faça de seus filhos seus discípulos Judith Kemp
 
Tendo um viver cristão

Luciana Piragine
 
Trazendo meu esposo para Cristo
Rosana Fernandes
 
Evangelização por meio da família
Silmar Coelho
 
Família envolvida na igreja

Sergio Leoto

 

Nossos filhos, reflexos de

nossas ações

Emilio Fernandes

 

Meu lar, lugar de bênção

para muitos

Marco Thomazi
 

ARTIGOS

Adoração em família

Gerson Ortega 

Linguagens do amor  

Marcos Garcia

 

Finanças em família

Paulo de Tarso 

 

Comunicação & ação

Giovanni Luiz Zimmermann

 

Namoro cristão

Wagner Fernandes

 

A família nas mãos de Deus

Alcindo Almeida

 

SESSÕES

Fique por dentro

Neste mundo moderno corrido, internético e globalizado em que vivemos, tem se tornado difícil não só o culto doméstico, mas até mesmo o relacionamento familiar saudável. Desde que a televisão foi inventada, ela passou a ocupar um lugar especial nos lares, exercendo fortemente o papel de entreter, mas também de prender a atenção e isolar as pessoas. E apesar de ainda ter seu espaço e seu poder de influência garantidos, ela passou a enfrentar fortes concorrentes, que definitivamente vieram para ficar: os computadores, tablets e, principalmente, smartphones, que ocupam grande parte do nosso tempo. Sem dúvida, todos eles são de grande utilidade, facilitando em muito nossa vida, porém tem sido uma luta para pais de filhos pequenos, numa faixa média que vai de dois a sete anos, controlar o tempo que eles passam com esses dispositivos. 


Da mesma forma, pais que têm filhos pré-adolescentes e adolescentes enfrentam uma luta diária na tentativa de orientá-los e protegê-los do uso excessivo de seus aparelhos e também dos inúmeros riscos oferecidos pela rede, repleta de pornografia, brincadeiras e jogos que podem levar à morte. Jovens e adultos também não estão livres do fenômeno dominador que se tornaram esses equipamentos. Todos estamos “enredados”.


Evidentemente surge uma pergunta: há algo que podemos fazer? Existe uma saída? Gostaria de refletir sobre algumas ideias e ações que podemos praticar para enfrentar essa situação.


Primeiramente, temos que entender que o mundo modernizou-se. A comunicação desenvolve-se numa velocidade incrível por conta do processo de globalização. Queiramos ou não, temos que nos adaptar à realidade atual, o que não significa nos tornarmos reféns do sistema que aí está.


O próximo passo é considerarmos o que somos e temos. Para isso, é preciso lembrar quem éramos sem Cristo, de onde viemos, etc. O apóstolo Pedro nos alerta sobre algo muito importante: “Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, nada vendo ao longe, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados” (2 Pedro 1.9).


O empenho na vida devocional, individual ou familiar, se alimenta e extrai força da experiência real de conversão. Como esquecer quem éramos sem Cristo? Andávamos segundo o curso deste mundo, fazíamos a vontade da carne e dos pensamentos, éramos por natureza filhos da ira, até sermos alcançados pelo amor de um Deus que é riquíssimo em misericórdia e nos deu vida juntamente com Cristo, segundo Efésios 2.3-4. Se essa experiência não for a base da nossa devoção ao Senhor, o que poderia ser?


Um pai que teve uma real experiência com o Senhor vai dedicar-se ao máximo para levar sua família a experimentar o mesmo. “Bem-aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira à roda da tua mesa” (Salmos 128.1-3).


Penso que a dificuldade e a falta de constância no culto familiar provavelmente estejam diretamente ligadas a uma experiência cristã superficial e religiosa. Podemos até ter cultos domésticos regularmente, porém sem o essencial e sem a riqueza da nova vida, não faz sentido algum.


Certa vez, um pastor contou a respeito de sua filha adolescente, que, abrindo o coração, disse: “Pai, eu não sou cristã, não sou o que você pensa que sou”. A princípio, o pai não deu muita importância, mas depois de um tempo notou que estava diante de uma dura realidade. Claro que não podia aceitar o fato, e assim passou a clamar desesperadamente ao Senhor, a ponto de dizer: “Senhor, não suportaria a ideia de minha filha morrer e ir para o inferno. Se for assim, salve-a e que eu vá em seu lugar”.


“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” (1 Pedro 1.23). Uma vez que um chefe do lar experimenta transformação autêntica, ele terá motivos suficientes para compartilhar e abençoar seus familiares, como lemos no salmo 128.


O que de prático pode ser feito? Além do testemunho pessoal de conversão, indispensável para o sucesso de todo projeto familiar, é necessário ter conhecimento, fé e conteúdo bíblico, aliado a um método prático e atrativo a ser utilizado. É um fator importantíssimo no culto doméstico não apenas fazermos uma simples leitura bíblica, mas usar a oportunidade para plantarmos valores bíblicos que se enraízam no coração dos familiares eternamente. Nesse sentido, devemos ser bastante criativos para que a comunicação desperte interesse a respeito das verdades divinas.


Tradicionalmente, sabemos que o culto doméstico é realizado basicamente com cânticos, leitura bíblica e orações, porém, nestes tempos modernos de comunicação rápida, temos que estar preparados para não tornar a reunião caseira maçante, mas esclarecedora e produtiva. A criatividade inclui, para crianças menores, o uso de livretos bíblicos com muitas imagens coloridas, vídeos curtos de histórias sobre personagens como José, Moisés, Davi e principalmente Jesus. 


Outra ferramenta poderosa é a música. Estudando as Escrituras, nota-se que ela é parte do projeto divino da redenção. O maior livro da Bíblia – Salmos – contém 150 capítulos, ou melhor, cânticos e poesias. A música estava na criação, no céu, no anúncio dos anjos por ocasião do nascimento do menino Jesus, está no homem, na natureza e por fim diante daquele que está sobre o trono, conforme relata João no livro do Apocalipse. Esses dados oferecem uma ideia do valor que a música tem e o papel que cumpre quanto aos desígnios de Deus.


Além de pastor, também sou músico e minha esposa é formada em piano, razão pela qual nosso lar sempre foi um ambiente de música e louvor. “Na casa dos justos há voz de júbilo e de salvação; a destra do Senhor faz proezas” (Salmos 118.15). Além de herdarem nosso DNA, nossos filhos cresceram desfrutando conosco da presença de Deus em nossos cultos e vigílias caseiros. Tivemos o privilégio de ver suas vidas serem marcadas pelo poder de Deus, experiências que hoje estão repassando para seus filhos. “Os quais temos ouvido e sabido, e nossos pais no-los têm contado. Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor, assim como a sua força e as maravilhas que fez” (Salmos 78.3-4).


Crianças, adolescentes e jovens, desde cedo, são movidos a música. Pais sábios buscam em Deus capacitação para influenciar seus filhos na adoração a partir do lar, onde, com certeza, desejarão participar do culto doméstico. “Agora, pois, escrevei-vos [escreverei, no original] este cântico, e ensinai-o aos filhos de Israel; ponde-o na sua boca, para que este cântico me seja por testemunha contra os filhos de Israel” (Deuteronômio 31.19).


Outra ferramenta poderosa é a oração. Cada um de nós é resposta de alguém que orou por nós. “… o que ligares na terra terá sido ligado nos céus” (Mateus 16.19). Nesse texto, Jesus disse a Pedro, a quem entregou as chaves do reino dos céus, que a oração liga a terra ao céu e tem o poder de mudar o curso da história em todos os sentidos.   


Susana Wesley começou a fazer reuniões de oração em sua cozinha, numa das viagens de seu marido, Samuel Wesley. Era para ser um breve devocional com os empregados da casa, mas chegou a juntar 200 pessoas. Ela era uma mulher que levava muito a sério a vida de oração, tanto que gerou dois filhos abençoados, tremendamente usados por Deus: Charles e John, por meio de quem nasceu a Igreja Metodista. Isso é um forte testemunho do poder que envolve a oração. Quantas vezes não vimos Deus agir de modo sobrenatural em resposta às nossas orações? Incontáveis são as vezes que isso aconteceu, por isso estamos firmes.


É o papel de um pai levar seus filhos a cultivarem uma vida de oração a partir do seu próprio exemplo. Nossos filhos são fortemente influenciados quando testificam nossa vida de oração e assim são levados a conhecer a Deus e provar seu poder.    

  
Nosso lar é o melhor lugar para discipular os filhos que Deus nos confiou, algo que a igreja por si só não pode fazer. É nele que trabalharemos para levar nossa família a um encontro com Deus, a uma vida de adoração, de meditação bíblica e de oração constante. 

 Adhemar de Campos 

SAL NA SOPA E LUZ NA ESCURIDÃO

Quando penso em famílias cristãs e em sua atuação na evangelização, lembro-me de imediato das palavras de Jesus no Sermão da Montanha, quando ele caracterizou seus seguidores como sal e luz.(Mateus 5.13-14a, 15a – NTLH)

Jaime Kemp

  • Twitter Clean
  • w-facebook