Corrupção um atoleiro de areia movediça

“A vida não está fácil” – “Estamos na corda bamba”. Estas são frases que temos ouvido de muitas pessoas hoje em dia. Vivemos em uma atmosfera de dúvidas e indecisões tanto quanto ao presente e, ainda mais, quanto ao futuro. O temor e a desconfiança caminham ao lado das pessoas, que procuram alguém que lhes inspire confiança e atenue seu desassossego.

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EDIÇÃO 170 - SETEMBRO/OUTUBRO 2019

A palavra corrupção é pronunciada várias vezes diariamente na mídia, nas redes sociais, em conversas particulares, em família, em grupos de escolas e universidades. Tornou-se tema de defesa de teses, discussão em fóruns governamentais ou sociais, enfim, o mundo não consegue sair dessa areia movediça onde caiu.
É preciso compreender que ao fechar a porta de nossas casas nossa família não estará protegida da influência tóxica de um mundo envolvido não somente pela corrupção, mas também pela permissividade, promiscuidade, egoísmo, desinteresse pelos semelhantes e tantos outros pecados.
Como proteger os membros de nossa família? Como orientá-los para não terem a sensação de viverem “na corda bamba” ou sentirem-se desiludidos e frustrados com as injustiças que acontecem constantemente, ao ponto de levá-los a querer desistir?
        
Exemplo
Precisamos ser bons exemplos, bons modelos como cristão, pessoa e cidadão para os que nos cercam. Esta é uma verdade inquestionável. Os pais modelam sutilmente o caráter e o comportamento dos seus filhos no presente e no futuro. Sabemos que os valores dos pais são assimilados pelos filhos. Em determinado período de suas vidas eles poderão até se libertar deles, mas sua influência inicial é, sem dúvida, muito forte.

Valores e Prioridades
O que vocês acham que seus filhos têm aprendido sobre seus valores e suas prioridades? Todos os pais querem que seus filhos sejam bondosos e sensíveis aos seus semelhantes, porém eles nos ouvem xingando no trânsito ou insultando outra pessoa quando irritados. Cremos na honestidade e integridade, mas eles sabem que damos um jeitinho para não pagar imposto de renda. Sonhamos que tenham casamentos felizes e harmoniosos, no entanto, vivemos em um ambiente de ódio, inveja, ciúme, competitividade, incompreensões, brigas, explosões de raiva, palavras ferinas com nossa esposa/marido.
Sim, o que nossos filhos têm aprendido a respeito de nossos valores e prioridades?
- Eles assistem seus pais dedicando seu tempo a mil atividades, menos ao aprofundamento dos relacionamentos familiares?
- Eles conseguem observar como e em quê seus pais gastam dinheiro?
- Eles captam falsidade nos pais?
- Mesmo sendo ainda pequenos ou pré-adolescentes, eles são liberados para assistir TV ou acessar a internet sem supervisão de um adulto?
- O que pode acontecer se eles tomarem conhecimento sobre a maneira duvidosa como conduzimos nossos negócios e quando descobrem que os políticos do seu país estão atolados até o pescoço na areia movediça da corrupção?

Compreensão de Deus
E qual é a percepção que eles têm de Deus ao observarem nosso relacionamento com o Senhor? Será que eles percebem que o amamos de todo o coração e servimos o Reino, ou aprendem que o deus dos seus pais é o dinheiro, o prazer, os bens materiais, o sucesso etc.?
A vida dos pais deve transmitir caráter cristão e valores morais sólidos. Essas virtudes só podem ser desenvolvidas em um ambiente seguro. Nossos lares precisam representar um refúgio, com pais preparados para enfrentar grandes instabilidades emocionais e proteger os seus filhos.

Clima Amoroso
 O pai que não demonstra amar sua esposa - e vice-versa - com atitudes, palavras e gestos, planta no coração dos filhos a dúvida: Será que algum dia meu pai vai me deixar, como fez o pai do meu amigo?
Do mesmo modo, em todas as situações os filhos precisam saber que são amados de forma incondicional por seus pais. Isto é essencial para que a criança adquira confiança e venha a se tornar um adulto equilibrado.

Respeito
Caráter cristão e valores morais sólidos se desenvolvem quando a dignidade da pessoa é priorizada e dignidade envolve respeito. Se os pais não respeitam os filhos, como eles aprenderão a respeitá-los? Os pais não podem ser intransigentes, irredutíveis, mas acessíveis, dispostos a ouvir, encorajar, estimular e consolar. Precisam reconhecer o potencial de cada filho, bem como incentivar seus dons e talentos, capacidades e habilidades. Essa valorização os ajudará a canalizar e utilizar seu potencial visando seu desenvolvimento e realização pessoal.

Tempo e Intimidade
Investir tempo com a família é fundamental para que os filhos aprofundem o sentimento de necessidade de união, amor e zelo mútuos. Demonstrar como é importante e prazeroso estar com sua família beneficiará a todos. Nunca podemos menosprezar esses momentos preciosos, nos quais nos aproximamos de nossos filhos para conhecê-los, entendê-los e entretê-los. Creio que isso os marca indelevelmente, influenciando suas vidas em todas as áreas, inclusive em seus casamentos. O caráter cristão e os valores sólidos afloram em ambiente que cultiva uma intimidade sadia.

O mundo atual é extremamente competitivo, crítico e não economiza pressões, abusos verbais, físicos e palavras que machucam. É muito comum uma criança experimentar, ainda precocemente, o gosto do fracasso, da desilusão, a inferioridade e a inaptidão. Duas reações podem surgir desse sofrimento: conformismo destrutivo ou revanche descontrolada. O conformismo mórbido leva à alienação, à recusa de lutar e viver. A revanche desmedida opta sempre pela chance de prejudicar o outro e esse tipo de atitude está a um passo da corrupção. Nem sempre a motivação da corrupção é material. As pessoas muitas vezes se corrompem para evitar situações que lhes são emocionalmente insuportáveis. Daí, participar em conluios é só um passo.

Segurança
Entretanto, se o lar favorecer o filho com um ambiente tranquilo, onde ele sente carinho, amor, respeito, aceitação e compreensão, ele adquirirá confiança para enfrentar e combater as pressões externas que ameaçam sua autoestima. Há muito a ser transmitido e ensinado aos filhos e um clima de camaradagem pode propiciar mais naturalidade para que isso aconteça.

Permitimos que a ansiedade nos leve a construir castelos efêmeros e temporários erguidos no alicerce ilusório de status e bens materiais. Em Mateus 18.6 Jesus advertiu: “Quanto a estes pequeninos que crêem em mim, se alguém for culpado de um deles me abandonar, seria melhor para essa pessoa que ela fosse jogada no lugar mais fundo do mar, com uma pedra grande amarrada no pescoço”.
O maior impacto que podemos causar na vida dos filhos é por intermédio da vida que vivemos. Apesar de humanos e falhos, será que fazemos o possível para ser bons modelos? O apóstolo Paulo tinha autoridade cristã, moral e social para desafiar a igreja de Cristo da seguinte maneira: “Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo” (1Coríntios 11.1)

Como serão os que nos imitarem? Íntegros ou corruptos?
O profeta Daniel foi levado para o cativeiro na Babilônia. Seu país havia sido derrotado na batalha contra aquele povo e totalmente devastado pelo exército invasor. Muitos foram mortos, milhares se espalharam em fuga e outros milhares foram levados cativos. O povo de Israel conheceu o que é desolação. O coração de Daniel carregava um enorme peso de dor. Ele orava incessantemente pelos seus compatriotas e pelo retorno a Jerusalém e a reconstrução de seus muros, que haviam sido tombados.
Fazendo uma analogia entre as famílias do século XXI e os muros caídos de Jerusalém, devemos confrontar a situação em que elas se encontram com a necessidade de orarmos pela nossa nação sem cessar e a necessidade de adotarmos medidas fortes e corajosas, como:
- A família tem sido atacada de forma implacável e o resultado não pode ser ignorado.
- Temos de tomar algumas decisões urgentes em prol da família para definirmos como proteger nosso lar das contínuas investidas do inimigo.
- Assumir o compromisso de investir em ministérios envolvidos na ajuda e suporte às famílias em crise ou à estabilidade familiar.
- Como já ressaltei, dobrar nossos joelhos em oração pelo nosso cônjuge, nossos filhos e netos, cercando-os com intercessões e pedindo poder do alto, porque esse equipamento divino nos garante que “em todas essas situações temos a vitória completa por meio daquele que nos amou” (Romanos 8.37).
Não estamos sós em nossa luta para proteger nossa família e lutar em oração e, se for possível, com ações cristãs contra a corrupção que se espalha e devasta a humanidade e as famílias: “Deus o ama. Portanto, não fique com medo. Que a paz de Deus esteja com você. Anime-se! Tenha coragem!” (Daniel 10.19).

 

  JAIME KEMP  
 

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