EDIÇÃO 153 - NOVEMBRO/DEZEMBRO 2016

PAIS E FILHOS, AMIGOS PARA SEMPRE

A psicóloga Fátima Fontes diz que imaginar que os pais são os melhores amigos dos filhos é uma “doce ilusão”, pois os melhores amigos de nossos filhos são escolhidos por eles conforme a faixa etária ou afinidades.

Marcos Quaresma

O CULTO DOMÉSTICO É POSSÍVEL NOS DIAS DE HOJE?

A prática do culto doméstico em lares cristãos tem sido um grande desafio nos dias atuais. Infelizmente, várias circunstâncias dificultam esse exercício tão necessário.

Adhemar de Campos

SAL NA SOPA E LUZ NA ESCURIDÃO

Quando penso em famílias cristãs e em sua atuação na evangelização, lembro-me de imediato das palavras de Jesus no Sermão da Montanha, quando ele caracterizou seus seguidores como sal e luz: “Vós sois o sal da humanidade; mas se o sal perde o gosto, deixa de ser sal e não serve para mais nada. É jogado fora e pisado pelas pessoas que passam. Vocês são a luz do mundo... Ninguém acende uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto...” (Mateus 5.13-14a, 15a – NTLH)

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SESSÕES

Fique por dentro

O sal, para dar sabor, precisa misturar-se à sopa. A luz, para iluminar, precisa brilhar nas trevas. Infelizmente, muitas vezes o sal fica bem guardado no saleiro, isto é, os seguidores de Cristo ficam acondicionados dentro das quatro paredes da igreja em vez de espalhar sabor na sopa, que é a vida, no seu dia a dia na escola, no trabalho, em seus relacionamentos, etc. 


O mesmo acontece com a luz, que insiste em permanecer brilhando na igreja, que já é bastante iluminada.


Deus colocou você nesse emprego não apenas para receber um salário que sustente você e sua família; nessa escola ou universidade somente para estudar; nessa vizinhança porque foi aí que você comprou ou alugou uma casa. Não! Você está nessa empresa, escola, universidade, vizinhança para ser um grãozinho de sal, uma luz na vida daqueles com quem convive. 


Não tenho a intenção de despertar um sentimento de culpa em seu coração. Gostaria, porém, que você refletisse profundamente na confiança que Jesus demonstrou ter em nós ao delegar-nos uma tarefa tão sublime e considerasse, sem demora, a necessidade de ser sal e luz em seu trabalho e escola, entre seus familiares e amigos. 


Ninguém é sal e luz somente para proveito próprio, mas também para o benefício coletivo. Portanto, Deus chama as famílias cristãs a também serem sal e luz neste mundo: “... a luz de vocês deve brilhar para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5.16 – NTLH).


Você, por exemplo, que mora em uma avenida de alguma metrópole ou em uma rua tranquila de uma cidade do interior ou do litoral, já parou para pensar que o seu apartamento, a sua casa, representa um grão de sal e luz na sua vizinhança? Quem mora do seu lado esquerdo ou direito? Eles creem em Jesus? Que tipo de dificuldades estão enfrentando? Quantos filhos têm naquela casa ou apartamento cuja família vive gritando, discutindo e sendo ouvida por todos ao redor? Qual é o nome de seu vizinho? Qual é o nome da esposa e dos filhos? Existe outra família cristã no seu prédio ou morando perto da sua casa? Quando um de seus vizinhos fica doente, você o visita e tenta ajudá-lo? Quando alguém que você conhece ou vive perto de sua casa perdeu um ente querido, você foi até lá para “chorar com os que choram”?


Eu sei que atualmente a vida é acelerada. Temos tantos compromissos, corremos tanto e mesmo assim nem sempre conseguimos acompanhar ou corresponder à aceleração e às exigências do cotidiano. Hoje, mais do que nunca, em um mundo super-habitado, não há como negar que o ser humano jamais esteve tão atarefado e também tão só.  


Era isso que Jesus Cristo queria quando nos desafiou a sermos sal e luz neste mundo? Afinal, por que Deus nos colocou entre as pessoas com as quais convivemos? 


Este conceito de sal e luz tem quase dois mil anos e é conhecidíssimo entre os cristãos, mas a minha preocupação consiste em por que somos tão acomodados e tão lentos em ser sal e luz? Por que alguém às vezes reluta ou até não sabe como “dissolver-se e incorporar-se à sopa”, isto é, não toma a iniciativa de se relacionar com o ambiente ou a sociedade em que vive? Sendo bem sincero, digo que muitos cristãos não sabem ou não querem se relacionar com incrédulos.


Tenho observado que, quase sempre, quando uma pessoa incrédula – que vivia uma vida totalmente nas trevas – se converte, ela perde, depois de um ou dois anos de sua conversão, a capacidade de relacionar-se com seus colegas não crentes em seu trabalho, na sala de aula, no campo de futebol ou até mesmo com seus familiares em casa. A razão disso é que ela mergulha em determinada “cultura evangélica” estabelecida, com suas regras, tradições, manias e preconceitos, perdendo, assim, o brilho e o sabor espontâneos. Às vezes, o novo grãozinho de sal, que durante algum tempo esteve na sopa, vai aos poucos voltando para o saleiro, ou a luz deixa de brilhar nas trevas e opta por brilhar onde já há muita luz.


Há um provérbio que vale a pena ser lembrado: “sem contato não há impacto”. A falta de compreensão, de orientação sobre o que quer dizer ser sal e luz tem deixado o cristão sem contato com o mundo. Insisto que se o grãozinho de sal não se incorporar à sopa, obviamente perderá o sabor. Se a luz não invadir a escuridão, não iluminará absolutamente nada.


Entristece-me o fato de que grande parte das famílias evangélicas brasileiras perdeu o contato com o mundo. Estão no mundo, mas não compreendem as implicações de estar no mundo. Há muita ênfase em “não ser do mundo”. Mas a realidade é que, por meio da força e do testemunho transmitidos pela solidez e pela harmonia da família cristã, é possível transformar a sociedade perdida e desorientada em que vivemos. E para que a proclamação do evangelho possa ser ouvida e aceita, ela precisa ser mostrada pela ação prática de vidas transformadas.


Meu amigo, minha amiga, não sei se você acha difícil evangelizar “seu mundo”. Se este for seu caso, gostaria que você analisasse as perguntas a seguir no âmbito que lhe for pertinente:

  • Você considera a convocação de Jesus como uma prioridade em sua vida?

  • Você, médico, por que é médico?

  • Você, empresário, por que é empresário?

  • Você, professora, por que é professora?

  • E você, advogado, por que é advogado? – e assim por diante.

 

É óbvio que você tem sua profissão e seus encargos. Ela é seu “ganha-pão”, mas enquanto está consultando, ensinando, administrando ou advogando, qual é a sua prioridade? Enquanto cumpre seu dever, você tem sido um grãozinho na sopa e uma luz na escuridão?


 Talvez, neste ponto da leitura deste artigo, você esteja pensando: 
– Está bem, Jaime, chega! Já compreendi qual é o meu papel e o de minha família, mas por favor, ajude-me a descobrir o caminho.

 

Vou dar algumas sugestões para você praticar:

Visualize o Espírito de Deus pairando sobre a sua vizinhança
Nunca podemos nos esquecer de que levar pessoas a aceitarem a Cristo é obra do Espírito Santo. Jesus disse: “Os campos estão brancos para a ceifa...”. Há pessoas que, preparadas pelo Espírito Santo, moram perto de você e estão procurando respostas. Deus o conduzirá a essas pessoas se você estiver em busca delas.

Comece a orar por alguém que o Espírito Santo colocar em seu coração
Se você não tiver uma pessoa em mente, peça ao Espírito Santo que a aponte. Leve-a diariamente ao trono da graça de Deus em oração. Peça a ele uma oportunidade para construir um relacionamento com ela. Seja sensível às suas lutas e necessidades. Procure construir uma ponte entre o seu mundo e o mundo dela.

Quando Deus der a oportunidade, compartilhe o que ele tem feito em sua vida e o que Jesus Cristo significa para você
Esteja pronto para compartilhar o plano da salvação.

O impacto de uma vida transformada pela graça de Deus é profundo. Quem é perdoado por Deus também saberá perdoar alguém que o feriu. Quem foi aceito na família de Deus é capaz de amar e aceitar as pessoas ao seu redor. 


Deus nos confiou a tarefa de refletir em nossa vida a nossa fé e obediência à sua Palavra. Vidas transformadas por Jesus Cristo, esta é a mensagem do evangelho.


A família cristã precisa ser sal e levar o sabor inigualável da salvação e da vida abundante em Cristo ao mundo em que vive; ser luz brilhando na escuridão, iluminando o caminho e aproximando outros da verdadeira luz que é o nosso Senhor Jesus.

Jaime Kemp

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