Solteiro(a) em uma igreja casada

Talvez você ainda não saiba, mas publiquei um livro com o mesmo nome deste artigo, que foi escrito tendo como base a minha própria experiência de vida e ampliado a partir do estudo da Palavra de Deus e da convivência com pessoas que viviam a mesma situação. Assim, sinto-me bem à vontade para refletir sobre tão importante assunto.

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EDIÇÃO 163 - JULHO/AGOSTO 2018

Moro na Inglaterra e, certa ocasião, viajei ao Brasil, onde minha mãe me chamou para uma conversa “de mãe para filho”. Neste encontro, depois de dizer aquelas coisas próprias de um início de uma conversa, como, por exemplo, “Como você está?”, “Quais os planos?”, “Eu gosto muito de você”, ela disse firmemente: “Meu filho, todos os seus amigos se casaram, e você?”.


Por um lado, eu percebia o carinho de minha mãe e também todo o zelo maternal ao se preocupar e conversar comigo. Por outro lado, vi que existia um conceito de vida e expectativa que eu parecia não estar atingindo. Quantos solteiros(as) vivem achando que não estão conseguindo atingir as expectativas, sejam as dos outros, sejam, pior ainda, as suas próprias. Quase nada é pior que isso, pois pensamentos como esses podem levar a casos complicados de depressão e doença ou a um estado que é difícil de ser administrado e sanado.


Tenho um amigo que já passou por uma experiência de câncer e depressão. Ele disse que a pior foi a depressão, pois ele sabia como lidar com o câncer, mas com a depressão as coisas eram diferentes. Ele sabia que, no caso do câncer, os médicos poderiam tratar por meio de medicamentos ou procedimentos cirúrgicos, enquanto a depressão, que se alongava e trazia confusão, ele não sabia como lidar nem quando iria passar. Assim, viveu um momento difícil e começou a perder a esperança de ser curado. Hoje, graças a Deus, ele está curado dos dois problemas. Louvado seja o nome de Jesus por tudo que Ele fez!


Depois da conversa com a minha mãe, eu definitivamente comecei a me olhar como solteiro. Digo isso porque eu me via apenas como um jovem que ainda não havia encontrado a outra pessoa com quem iria dividir sua vida. Contudo, depois da maioria de nossos amigos se casarem, quando comecei a ver os filhos deles nascerem e alguém me chamar de solteiro, nesse momento eu comecei a me ver como um solteiro adulto.


Nessa fase de intenso exercício mental, pensando sobre a minha realidade e numa busca para saber como meus outros amigos solteiros estavam se sentindo em relação à família, sociedade e igreja, foi que percebi a necessidade de ler um bom livro sobre o assunto. Procurei no mercado evangélico brasileiro e não achei nenhum! Por isso decidi escrever um livro que atendesse a tal necessidade e, na verdade, só ficou pronto sete anos depois.


Durante a caminhada aprendi muito em minha fase de solteiro, um aprendizado ocorrido entre as minhas revoltas, momentos com grupos de solteiros, fossem eles de amigos ou grupos de adultos solteiros na igreja. Tudo isso em conjunto com momentos de agradecimento e adoração ao Deus que escreve minha história comigo e está comigo nos momentos bons e nos vales.


Uma das lições que aprendi foi que eu, bem como as pessoas em geral, e talvez até mesmo você que lê este artigo, tenho a tendência a acreditar que o vizinho sempre tem a grama mais verde. Nesse caso do mito da grama mais verde, parece que todas as vezes que olhamos para a grama do vizinho ela parece estar melhor do que a nossa. Amplificando esse princípio, todas as vezes que olhamos para a conta do Facebook ou Instagram de outra pessoa, parece que eles estão melhores do que nós. Isso acontece porque nosso cérebro sempre atua primeiro no modo sobrevivência e, neste modo, sempre achamos que tudo está melhor para os outros, apesar de isso não ser real. Vale lembrar que ninguém bate foto de um dia ruim ou com o cabelo bagunçado para colocar na rede social, todos colocam os seus melhores momentos.


Eu sofri muito com ciúmes e, principalmente, vendo pessoas namorando ou casadas vivendo momentos incríveis. Assim, procurando a cura para isso, descobri um remédio prático: todas as vezes que acesso as mídias sociais, eu vou lá para celebrar com meus amigos seus melhores momentos e, dessa forma, tenho uma atitude positiva e de felicidade em relação a cada um.


A ciência, por meio de ondas de ultrassom, tem lido o cérebro e mostrado que é normal as pessoas olharem para os outros e pensarem que elas estão fazendo melhor, porém  o problema se amplia pelo fato de que, ao olharmos para o nosso momento, minimizamos o seu lado positivo.


Eu sei que muitos solteiros sentem falta de alguém com quem tenham a certeza de que irão compartilhar o resto de suas vidas e, ao mesmo tempo, se sintam amados. Na verdade, esta é a visão que tenho de casamento e espero em Deus que todos os casados a tenham, mas a realidade é que isso não é real de uma forma ou outra, pois, afinal, todos os casais passam por problemas, sendo que alguns conseguem construir por cima deles e viver um belo casamento, mas outros vivem um pesadelo de relacionamento e alguns acabam até se divorciando. Então, do outro lado existem bons momentos, mas também momentos ruins.


O que me preocupa mais, de fato, não é o(a) solteiro(a) olhar para o casamento e pensar que lá tem uma grama mais verde. Até porque, pela minha experiência como líder desse ministério, aprendi que parte dos solteiros gostaria de se casar e concordo com eles que casamento também é uma forma de viver a vida, da mesma forma que viver solteiro(a) é outra forma de viver. O que me preocupa de verdade, e por isso nasceu o livro Solteiro(a) numa igreja casada, é o(a) solteiro(a) não aproveitar esta fase maravilhosa da vida.


Ao olhar as igrejas que mais crescem no mundo, eu reparo que elas são formadas por um grande número de solteiros(as). Quando olho para o campo missionário e também para missões sociais na própria cidade, eu vejo um número crescente de solteiros(as) sendo não apenas parte dos voluntários, mas líderes de mudança. Eu vejo também cada dia mais, no meio dos negócios, solteiros(as) que estão fazendo grandes carreiras e dessa forma construindo novos paradigmas na sociedade. Morando aqui em Londres, que é uma metrópole mundial, vejo cada vez mais solteiros(as) viajando o mundo, não só por prazer e entretenimento, mas para construir sua própria história com um pouco de cada lugar, com uma multiplicidade e pluralidade de conceitos e cultura, de modo a se tornarem pessoas mais completas.


Outro ponto que os(as) solteiros(as) esquecem que possuem de muito especial é a flexibilidade do tempo e, na verdade, o tempo que possuem. Muitos solteiros vão para casa deprimidos depois de um dia de trabalho, pensando que não terão ninguém para conversar, mas muitos casados também vão para casa deprimidos, pois depois de um dia de trabalho terão de lavar a roupa das crianças, fazer as tarefas escolares com as crianças, cozinhar para quatro pessoas, depois lavar os pratos, arrumar a bagunça e, depois disso, coordenar a agenda para conseguirem fazer tudo o que precisam para, se sobrar tempo, poderem fazer também o que querem. O(a) solteiro(a), ao voltar para casa, tem a liberdade de conversar com um(a) amigo(a) pelo telefone, marcar um café ou assistir ao programa de televisão que quer, sem ser perturbado(a) por mais três pessoas pedindo para mudar o canal. O(a) solteiro(a) pode construir sua própria agenda, passear no museu, ir ao cinema, viajar quando quiser, estar na casa do Senhor ou entre amigos todas as vezes que quiser.


Não foi à toa que Paulo aconselhou que ser solteiro(a) é muito bom. Não foi por banalidade que ele disse que o(a) solteiro(a) tem por alvo agradar ao Senhor, enquanto o(a) casado(a) tem de se preocupar com as coisas deste mundo. Portanto, vamos viver o momento do agora da melhor forma possível, sabendo que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus. Se compreendermos isso, acreditaremos que onde estamos e o que estamos vivendo é, na verdade, o melhor que Deus tem para nós agora! Lembre-se de que Deus espera que em tudo demos graças, conforme o que ensinou o apóstolo Paulo em 1 Tessalonicenses 5.18 (“Deem graças em todas as circunstâncias, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus”).


Concluo sugerindo a leitura do livro Solteiro(a) numa igreja casada, pois ele reflete sobre o conceito cultural da sociedade, depois entra numa profunda análise teológica dos textos bíblicos sobre este assunto e termina dando uma aula prática de como viver o melhor que Deus tem para o(a) solteiro(a). Nesse livro, procurei orientar um plano de vida, uma reflexão de amor e cuidado, bem como um caminho de felicidade que conduz ao trilho do destino que Deus tem para a sua vida.

 FERNANDO DE PAULA 

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Há alguma vantagem em ser solteiro(a)?

O casamento é uma instituição divina. Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27). O conselho de Deus é claro: “Não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2.18). O casamento, conforme instituído por Deus, é heterossexual, monogâmico e monossomático (Gênesis 2.24).

Hernandes Dias Lopes

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