EDIÇÃO 157 - JULHO/AGOSTO 2017

A GRAÇA GARANTE A IGUALDADE ENTRE O CASAL

Aos poucos o lugar vai se enchendo. Todos se acomodam em meio a muitos comentários feitos por alguns espectadores e também por torcedores empolgados. Logo a corrida vai começar. A pista está pronta, com vários obstáculos – que ainda não podem ser vistos – à frente.

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Os que vão correr estão ali, conscientes da realidade, sentindo-se preparados, emocionados, dispostos a vencer. A expectativa de cada um é enorme: como a vitória virá? Dada a largada, o esforço em direção aos objetivos é visível, todos empenham-se ao máximo em busca do sucesso. 


De fora, muitos aplaudem, dizem palavras de estímulo, literalmente “empurram” como podem, dando opiniões e conselhos com a melhor das intenções. Enfim, para o torcedor “a sua vitória é a minha vitória”! “Estamos juntos!” Correndo ao lado, porém, estão adversários, oponentes aguerridos plenos de intenções perversas. Eles também querem vencer. 


Nas raias, cada um aplica o que sabe: procura usar corretamente a força, a respiração, os movimentos, o impulso, o controle emocional e, muito importante, se esforça para seguir as regras do jogo, a fim de não ser desclassificado. A cada passo os adversários fazem o mesmo, da mesma forma. Há uma competição em andamento. 


Assim é o casamento. Os amigos e familiares que acompanharam o treino, ou seja, o namoro e o noivado, comparecem à cerimônia e, juntos, formam a “torcida organizada”. Batem palmas, cantam, oram, ministram, fazem a festa e, em seguida, voltam para as suas ocupações. Estarão disponíveis quando procurados, mas o certo é que cada um que corre tem de cuidar dos próprios passos. Demandas impostas à relação conjugal, como obstáculos em uma pista de corrida, não tardam a chegar. Os preparativos para o evento, a torcida e o simples fato de entrar na pista não garantem o sucesso. Há fundamentos que precisam ser praticados.


Ah, em tempo: faço questão de lembrar que, apesar da semelhança, a diferença entre uma corrida com obstáculos numa olimpíada e o casamento é que, neste caso, marido e mulher correm juntos, em igualdade de condições e responsabilidades, e amealham invariavelmente os mesmos resultados. Portanto, a vitória diária será proporcional ao quanto cada um ajuda o outro a vencer os percalços que virão caminho afora até o fim do jogo.


Um dos principais fundamentos para o sucesso no casamento se chama “graça”. A graça que é de Deus e compartilhada ilimitadamente com os homens. A graça é mais preciosa do que cultura, bens, riquezas, status, filhos, religião e tudo mais. Graça é favor, é boa vontade, é desejo de bem-estar. Todos somos receptáculos da graça; é só querermos usufruir. 


As virtudes da graça espalham graciosidade na relação conjugal e isso dá a mesma dignidade ao marido e à esposa; expulsa o peso, o mau humor, as comparações inadequadas, as lembranças que azedam a relação, as ofensas que adoecem a alma e que, por consequência, afastam um do outro. A graça cura.


Se não houver vigilância, os obstáculos que surgem no caminho diariamente podem tornar o casamento árido e o coração insensível para com a pessoa que voluntariamente escolhemos amar. O cansaço resultante poderá ser motivo para perder o pique e desejar sair da pista. Se isso acontece, é porque o entusiasmo, a alegria, a leveza e a pujança da graça inicial ficaram para trás. É preciso voltar.


O casal sonhou, planejou, iniciou a construção do lar, mas, de repente, surgiram os “inesperados” no caminho. São muitos e só serão vencidos se os dois entenderem que o desafio é igual para ambos. Para a vitória terão de somar forças, rever estratégias, relembrar instruções e estimular um ao outro. Só a graça pode empurrá-los para frente, conduzi-los saudáveis, sem buscar atalhos, sem quebrar as regras. Ambos precisam ser fiéis ao que foi proposto.


Para cada obstáculo à frente pode-se ouvir e sentir a graça batendo à porta. Ela pede um lugar no espaço estratégico do ser, a partir do qual possa derramar aceitação mútua, longanimidade, misericórdia e perdão. Essas são coisas que dão força para saltar quaisquer obstáculos na caminhada.


A graça de Deus, manifesta por meio de nós, é como “a água que brotava da terra e irrigava toda a superfície do solo” no Éden. Ela dá vida ao jardim em tempos sem chuva e, da terra, sobe aos céus formando as nuvens que trazem o aguaceiro de maiores bênçãos ao lar onde vive o casal. Ah, a preciosa e rica graça de Deus! Ela ajuda a fazer com que o casamento valha a pena. 


A presença da graça encoraja o casal a assumir, juntos, a responsabilidade pelo clima do lar. É na leveza da graça que se aprende a escolher palavras que dão forças para saltar obstáculos; é o cetro da graça divina sobre nós que nos ajuda a assumir posturas humildes que cedem passagem ao outro e evita acidentes no casamento; é o amor manifesto com graça que nos impulsiona a proteger quem corre ao nosso lado. Sim, a graça faz ver que, se surpreendidos por uma possível competição entre os dois, a saúde do casamento é o mais importante pódio que marido e mulher podem conquistar. Na verdade, o casamento é vitorioso quando cada um dos pares exerce graça em favor do outro.


Os olhos do casal precisam estar fixos no verdadeiro objetivo: o propósito do casamento. Duas coisas nos levam a investir tempo de graça na vida do cônjuge: uma é o valor que ele tem, e a outra é o propósito da escolha que foi feita. Houve uma escolha voluntária, um voto recíproco de entrega em amor, sem reservas, e para sempre. É isso que está em jogo! Nenhum obstáculo pode impedir o casal de viver segundo esse alvo. Em função desse propósito, cada um deve fazer pelo outro mais do que se espera. O outro está sempre em primeiro lugar! O verdadeiro amor torna isso possível. “O amor cobre multidão de pecados.” Paulo ensina que “o amor é bondoso... não maltrata... não procura seus interesses... não se ira facilmente... não guarda rancor...”. É por causa do amor e por meio do amor que superamos as barreiras impostas pelos incontáveis contratempos que surgem frequentemente. Amor é graça imerecida!


Sai no lucro o casal que decide, de boa vontade, cuidar um do outro como iguais sendo sempre sinceramente agradecidos, longânimos, misericordiosos e amáveis. Mais uma vez: graça é isso!


Com o passar dos anos, para alguns casais a graça se esvai. Amar é substituído por aguentar; o que antes era servir, agora é apenas cumprimento do dever; o prazer de estar juntos se tornou em mero comportamento para manter as aparências; o que era prazer tornou-se um fardo. A graça se foi! Quando a graça se vai, coisas desagradáveis, que estão à espreita, ocupam o seu lugar: preocupação, desilusão, tristeza, rejeição, depressão, baixa estima, ciúmes, culpa, medo, mágoa, enfermidades... enfim, a ausência da graça transforma a vida do casal numa desgraça.


A manutenção da graça na corrida matrimonial é fortalecida quando oramos como Moisés: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio”. Tudo o que somos e fazemos tem origem no nosso coração. Quando nos casamos, dissemos que estávamos entregando o nosso coração ao outro. Esse coração não pode se esvaziar da graça de Deus. Por isso devemos orar constantemente pedindo um coração inclinado para a graça que traz sabedoria.


Em um dos momentos mais difíceis da sua vida, o apóstolo Paulo ouviu o Senhor dizendo: “A minha graça te basta”. Onde essa riqueza celestial se faz presente, tudo se torna sublime, valioso, importante, renovado. Não há solidão; não tem o “eu” nem o “você”, “o meu” nem “o seu”. Tem o “nós”, o “nosso”. Por quê? Porque na presença da graça – e só pela graça – o casal se transforma numa só alma. E tudo se mistura aí!


Fica fácil entender a grandiosidade que é o casamento quando o vemos do ponto de vista do “Deus de toda a graça”. De acordo com a visão do mundo não! Só pelos olhos do Criador da família podemos ver a glória da união matrimonial. O casamento é um mistério. Mistério desvendado pela graça que, quando presente, transforma dois em um. Unidade que só a morte pode desfazer. A graça sobre a união matrimonial é tal que “o marido descrente é abençoado pela esposa crente; e a esposa descrente é abençoada pelo marido crente”. E mais: “os filhos descrentes são abençoados pelos pais crentes”. Isso é graça! É favor imerecido!


A corrida não terminou. Enquanto você corre, olhe para trás. Tente contar quantos obstáculos já foram vencidos. Tantos que você não conseguirá enumerar! Continue crescendo e sendo abençoado cada vez mais. “A tua graça é melhor do que a vida!”


Quem está vencido pelo cansaço, não desista! Renove a sua força na graça do Onipotente. Lembre-se de que você e o seu cônjuge têm o mesmo valor, os mesmos direitos, as mesmas responsabilidades, a mesma promessa de Deus: “Nunca te deixarei, jamais te desampararei”. A graça de Deus é como um rio que nunca seca e está bem à sua frente. Aproveite! Juntos alimentem-se dele, vivam por ele, reguem as suas vidas e a sua casa com as águas da graça de Deus. Com certeza há muita gente torcendo por você, orando em seu favor, clamando por ver você no lugar dos vencedores. 


Que os familiares e amigos continuem vendo você e o seu cônjuge na pista, correndo juntos, na mesma cadência, vencendo os obstáculos, no mesmo propósito e na mesma disposição de quando invocaram a bênção da graça de Deus no altar do casamento. Saltem os obstáculos! Vocês, marido e mulher, são igualmente abençoados e abençoadores

A graça garante reconstrução e que não há condenação    

Lisânias Moura
 
A graça garante a paciência mesmo diante de uma irritação

Carlos Catito
 

Exigência ou excelência

Luiz Henrique de Paula
 
Um ser livre... 

Ivana Garcia
 

A graça lhe proporciona a liberdade de escolher o modo como realizar as coisas

Rodrigo Capusso

A graça diz: eu vou contar aos outros seus pontos fortes e não superestimar seus pontos fracos

Paulo Klawa

ARTIGOS

Adoração em família

Gerson Ortega 

Linguagens do amor  

Mario Simões

 

Finanças em família

Marcos Thomazi 

 

Comunicação & ação

Darcy Sborowski

 

Namoro cristão

Elisabeth Bifano

 

A família nas mãos de Deus

Luis Antonio Caseira

 

Pais e filhos, amigos para sempre

Luciana Piragine

Vida conjugal

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Aprendi com Judith

Quero convidá-lo(a) a pensar demoradamente sobre a gratuita e soberana graça de Deus. Uma compreensão correta sobre ela poderá transformar toda a sua vida e também o seu casamento.

Jaime Kemp

O bálsamo da graça no casamento

Uma das histórias bíblicas mais dramáticas foi, sem dúvida, a de Oseias e Gômer. Lendo, conhecendo e estudando a história de casamento desse profeta, podemos, sem dúvida, extrair reflexões importantes sobre o tema deste artigo.

Gilson Bifano

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