EDIÇÃO 158 - SETEMBRO/OUTUBRO 2017

O RESPEITO ENTRE NÓS REINA

Beth e eu nos conhecemos em 16 de junho de 1975 e casamos exatamente um ano depois. Ela tinha um irmão mais velho e nasceu no dia do aniversário do pai dela. Seu nome lhe foi dado por ser o mesmo da rainha e da princesa da realeza italiana. Toda a família sonhava que a princesa se casaria com um “príncipe encantado, montado em um cavalo branco”. Quando a família dela me conheceu, eu era líder da Renovação Católica Carismática – onde me converti – e tornei-me esse príncipe tão desejado!

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Nos primeiros dias de casados, por morarmos em Itajaí, SC, onde a maioria da família morava, logo todos descobriram que ela não havia se casado com um príncipe encantado, e sim com um “grande cavalo branco”! 
 

Louvado seja o nosso Pai, porque me converti lendo muito a Bíblia e, junto com Beth, fomos descobrindo princípios e valores para os relacionamentos de filhos de Deus e buscamos colocá-los em prática, mesmo sem ter um contato mais profundo e orientações com casais mais velhos e referenciais.
 

Como eu era um “cavalo”, pois a ira me dominava, usava palavras e atitudes agressivas, que matavam os sonhos de uma família. Beth, por sua vez, era extremamente mansa, o que também me irritava! Mas entendendo e buscando obedecer ao que está escrito em Efésios 4.26-27, para não dar lugar ao diabo no nosso casamento, na hora ou antes de terminar o dia, eu me arrependia, chorava e pedia para ela me perdoar e orar por mim. Ela também não havia sido preparada para o casamento e era só uma princesa superprotegida da família. Assim, mesmo tendo atitudes tão diferentes, fomos aprendendo a confessar nossos pecados um ao outro e a orar um pelo outro e éramos curados, como diz Tiago 5.17: “Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos”.
 

Outra grande diferença entre nós – que está presente na maioria dos casamentos, especialmente nos primeiros anos – é que as minhas atitudes de irritação e ira me deixaram cada vez mais frio no trato com ela nos primeiros dois anos. Ela, ao contrário, ainda sonhava em ser amada e receber carinho do seu príncipe. Beth lia muitos livros cristãos e tentava me agradar e ser carinhosa, mesmo lutando para não ser o que eu era: frio e grosso! Conhecemos 1 Coríntios 7.1-5: “Quanto aos assuntos sobre os quais vocês escreveram, é bom que o homem não toque em mulher, mas, por causa da imoralidade, cada um deve ter sua esposa, e cada mulher o seu próprio marido. O marido deve cumprir os seus deveres conjugais para com a sua mulher, e da mesma forma a mulher para com o seu marido. A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher. Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio”.

 

Descobri que, antes de casar, queria ‘tocá-la’ sempre, parecendo que eu sofria de mal de Parkinson, mas depois de casar me deu AVC e não sabia mais ‘tocar’ com carinho, mesmo que suas atitudes sempre fossem de muito carinho. Quando entendi que era meu dever conjugal tocá-la com carinho, amor e afeto, também nisso eu confessava para Deus e para ela que queria mudar. Como sempre fazemos há 41 anos, orávamos juntos, todos os dias, e concordávamos que precisávamos da misericórdia e graça do Pai para que essas diferenças não nos distanciassem, mas nos unissem pela oração, respeito e ajuda mútua, como aprendemos em Mateus 18.18-22: “Digo-lhes a verdade: ‘Tudo o que vocês ligarem na terra terá sido ligado no céu, e tudo o que vocês desligarem na terra terá sido desligado no céu. Também lhes digo que se dois de vocês concordarem na terra em qualquer assunto sobre o qual pedirem, isso lhes será feito por meu Pai que está nos céus. Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles’. Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou: ‘Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?’ Jesus respondeu: ‘Eu lhe digo: Não até sete, mas até setenta vezes sete’”.


Diante de um ensino tão claro, começamos, desde a lua de mel, a orar juntos, perdoando um ao outro e, em vez de discutir e brigar pelas nossas diferenças, decidimos sempre ligarmos aqui na terra que no nosso casamento jamais aceitaríamos separação ou divórcio e não acusaríamos nem cobraríamos a mudança um do outro, mas sempre concordar e orar, sabendo que Jesus estaria presente no meio de nós dois (e depois, sempre oramos com os filhos juntos). Ele “garantiu” que, se concordarmos acerca de qualquer coisa que pedirmos (inclusive sobre aquilo que não concordávamos ou não entendíamos, nas atitudes um do outro), isso será feito pelo Pai que está nos céus. Para que isso acontecesse – como aconteceu de verdade, fomos transformados – tivemos de decidir, juntos também, a perdoar sempre um ao outro!


Porque a Palavra é viva e eficaz, com três anos de casados começaram a vir os filhos, e vieram todos em cinco anos, dois homens e duas mulheres, e eles já encontraram um ambiente de confissão, perdão e oração na vida diária do pai e da mãe, o que gerou respeito e o desejo de sempre um ajudar o outro, em vez de acusar ou cobrar, mesmo tendo, como até hoje, atitudes diferentes diante das dificuldades e tribulações na vida de todos os que são filhos de Deus (Romanos 8). 


Com eles também buscamos aprender mais na Palavra sobre como educar os filhos, mesmo sendo tão diferentes, e nesse processo de educá-los nos princípios e valores de Deus tínhamos de tomar cuidado para que nossas diferenças de atitudes, como pessoas e como casal, diante dos erros deles não fossem transferidas a eles. De novo tive de lutar com a ira e, muitas vezes, como fiz com Beth, quando eu me irava com eles e pecava, na mesma hora, ou antes de terminar o dia, confessava as minhas atitudes e palavras iradas, pedindo que eles orassem pelo pai. A mãe fazia o mesmo, só que ela era e é, até hoje, uma mulher de espírito manso e dócil, muito mais difícil de se irar.


Nestes mais de 41 anos de casados e mais de 35 anos de aconselhamento familiar, Beth e eu aprendemos com nossos próprios erros em palavras e atitudes, mas também ouvindo, vendo e aconselhando casais em suas diferenças, divergências e, infelizmente, muitos desgastes, feridas, muita destruição na vida de cada um e, o pior, com sequelas terríveis sobre os filhos e netos, que perderam a referência da humildade, perdão, graça e respeito que vemos na vida de Jesus por não terem visto isso na vida dos pais, que, mesmo frequentando uma igreja e dizendo-se filhos de Deus, não cuidaram do seu testemunho dentro da sua própria família, como nos adverte 1 Timóteo 5.8: “Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente”. Então, para que você também não incorra nisso, vamos apresentar algumas diferenças de atitudes que têm distanciado e separado muitos casais e destruído famílias:

  • Diferenças no histórico e influência familiar de cada um (1 Pedro 1.17-19);

  • Temperamentos diferentes que causaram atração, e depois do casamento podem ser motivo de distanciamento se não houver respeito e ajuda nas lutas interiores de cada um (Romanos 7);

  • Falta de humildade de cada um, ou dos dois, em confessar e pedir ajuda um para o outro, e do casal em pedir acompanhamento de um casal mais experiente (1 Pedro 5.5-10);

  • Aprender que o amor só vai ser experimentado e provado depois do casamento, quando viverem de fato o que nos adverte 1 Coríntios 13 e 1 João 3-5.

Só os que amam esse amor descrito nesses textos perdoam, oram e ajudam um ao outro. Só os que conhecem a Deus respeitam as posições e atitudes diferentes e divergentes no casamento, na família, na igreja e onde estiverem, pois amando um ao outro o amor de Deus é aperfeiçoado neles, e no decorrer dos anos o casamento, a família e a igreja se tornam um pedacinho do céu, o retorno do Éden.

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