O perdão e a cura da alma

Uma das principais características da atualidade é a valorização da vontade pessoal e dos sentimentos. Este é um dos lados perversos da pós-modernidade, em que o sentido da vida deixou de considerar ideais ou princípios universais aplicáveis a qualquer pessoa, sendo descolado para o território do privado, da subjetividade.

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EDIÇÃO 169 - JULHO/AGOSTO 2019

Se, por um lado, há maior valorização para o indivíduo e para suas opiniões, por outro há uma potencialização do relativismo provocando, por sua vez, tensões no relacionamento humano. Como consequência, cada pessoa acaba sendo induzida a interpretar o mundo do seu jeito e a querer que tudo ocorra conforme a sua vontade.

Decisões e atitudes que levavam em conta o bom relacionamento, o diálogo, o sentimento do próximo foram substituídas pela valorização da vontade e interesses próprios, de modo que sentimentos, antes tidos como negativos e perversos, como o ódio, a mágoa, o rancor, a indignação, a inveja, o ciúme passam a se constituir um direito de qualquer pessoa, que se torna um ser perfeito que deve ser sempre compreendido e aceito, sem reservas, que se sente no direito de ter liberdade ampla, total e irrestrita. Assim, atitudes nobres ou virtudes como a paciência, o amor, o perdão estão ficando em desuso, pois indicam que o “eu” está sendo desprezado em benefício do “outro”.

Penso que a consequência mais profunda dessa situação é que raízes de amargura se instalam na vida das pessoas de modo a torná-las cada vez mais obtusas, ácidas, críticas, ensimesmadas, encolerizadas, odiosas. Surge um adoecimento da alma, mas também do corpo com a somatização da amargura, que acaba refletindo na saúde da pessoa.

O caminho para a restauração desse estado egocêntrico de vida é a volta ao estado original de criatura de Deus, em que nos consideremos como pertencentes a Ele – o doador não apenas da vida, mas da nossa razão de viver. Depois disso, precisamos reconhecer que nossa vontade e nossos sentimentos precisam ser transformados pela graça de Cristo e devemos depositar no altar da abnegação todo desejo e sentimentos que conflitem com a vontade de Deus expressa em sua Palavra e que não temos o direito de legitimar qualquer atitude que nos leve a caminho diferente ao do amor e do perdão, por exemplo.

Neste sentido, perdoar significa reconhecer nosso estado de seres finitos, falhos. Significa reconhecer que seguimos princípios éticos elevados que estão fora de nós e que norteiam nossas atitudes e sentimentos. Significa que reconhecemos que somos portadores de natureza pecaminosa e somos, por isso, certamente sujeitos a falhas.

Se o coração abatido nos traz enfermidades, o coração alegre, contrito e perdoador é bom remédio para a cura de nossas amarguras (leia Provérbios 15.13; 17.22). Sobre isso um amigo me disse, certa vez, que “amar cura” a amargura. Se desejo ser compreendido e perdoado em minhas faltas, preciso aprender o princípio da reciprocidade, em que serei perdoado, compreendido, na mesma proporção com que procuro compreender e perdoar as pessoas.

Tenho observado que as pessoas desejam mais e mais expressar seus sentimentos e acham que isso é desenvolver a autenticidade. “Sou assim mesmo, comigo é desse jeito, ou vai ou racha, doa a quem doer!” Isso é falsa autenticidade; no mínimo é hipocrisia, indelicadeza, malcriadez e falta de educação, mesmo porque uma pessoa que age assim, em geral, quer ser sempre compreendida e aceita, mas nuca admite ou aceita quando os outros fazem a mesma coisa com ela. Um sentimento como esse desagrada a Deus, nosso Criador, Salvador e Senhor, e só gera amargura, rancor, ódio. Se você quer ser aceito e quer viver num ambiente “adocicado” de paz, alegria, ternura, só vai conseguir se semear esses sentimentos altamente positivos por meio de seus relacionamentos e compreensão do outro, sem esperar nenhuma recompensa ou compreensão do próximo.

Faça uma avaliação de sua vida e veja como você tem tratado os outros, os seus erros, como você fala com as pessoas. Você escolhe palavras “adocicadas” ou é crítico, ácido, gozador? Como as pessoas consideram você? Sentem alegria em estar ao seu lado ou procuram evitar a sua presença? Afinal, devemos ser sal da terra e luz do mundo.

  LOURENÇO STELIO REGA  

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Aprendendo a perdoar

Um dos sinônimos da palavra perdão é absolvição, e ela é utilizada em tribunais, quando um réu, após julgamento, é posto em liberdade.

 Jaime Kemp 

A base do perdão

A base do perdão é o amor, e o amor é a base do cristianismo. Não existe vida cristã sem a prática do perdão. Perdoar e pedir perdão são vitais para o desenvolvimento e testemunho cristãos.

 Adhemar de Campos 

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Começar de novo!
   
Jaime Kemp​

O perdão traz a honra

    Aécio Ribeiro

 

Perdão - Sentimento em extinção
    Giovani e Elisabeth Zimmermann

 

Tenha uma alma sadia
 
   Carlito Paes

 

Bênçãos por tabela
    
Iara Vasconcellos

 

Traição! Isso não perdoo!
    Marco Thomazzi

 

Você é muito especial
    Jaime Kemp

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