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Escrito por: Ivonildo Teixeira | Publicado em 22/04/2010 O tema desta matéria é deveras preocupante e desafiador, visto que o consumo de álcool tem se tornado um sério problema de saúde pública mundial, o que nos faz sentir como um pingo de água diante de um oceano. Conviver com um familiar alcoólatra certamente não é tarefa fácil para qualquer mortal. Dentro do ministério pastoral, um das queixas que mais ouvimos são os malefícios do álcool, que se alastra sem piedade no seio das famílias. Segundo Valdenilson Lima, que é bacharel em Direito e atuante na área de dependência química há mais de dez anos no projeto “Vem Viver”, em Cachoeiro de Itapemirim, ES, o álcool está entre as dez drogas mais perigosas do mundo, um fortíssimo inimigo do ser humano. Veja o ranking das principais drogas que ameaçam constantemente a família apresentada por ele em suas pesquisas recentes: 1) Heroína; 2) Cocaína; 3) Barbitúricos; 4) Metadona (heroína sintética); 5) Álcool; 6) Ketamina; 7) Benzodiazepinas; 8) Anfetaminas; 9) Tabaco; 10) Buprenorphine (derivado do ópio). Estatísticas sobre o álcool Há uma grande variedade de bebidas alcoólicas no mundo, e isso faz do álcool a substância psicoativa mais popular do planeta. O etanol (ou álcool etílico) é obtido por fermentação ou destilação da glicose presente em cereais, raízes e frutas. Em todo o mundo o Brasil está em primeiro lugar no consumo de destilados de cachaça e é o quinto maior produtor de cerveja. As pesquisas confirmam que o álcool é a droga preferida dos brasileiros (68,7% do total), seguido pelo tabaco, maconha, cola, estimulantes, ansiolíticos, cocaína, xaropes e estimulantes, nesta ordem, e 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas acontecem devido ao álcool. Em São Paulo 65% dos acidentes com vítimas fatais são causados por motoristas embriagados. Consequências do álcool É assustador saber que o alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo. Além disso, causa 350 doenças (físicas e psiquiátricas) e torna dependente um em cada dez usuários. O álcool é a droga que mais destrói o corpo (tanto quanto a cocaína e o crack), a que mais faz vítimas e é a mais consumida entre os jovens em nossa nação. No entanto, parece que ninguém quer saber sobre esses dados ou quando sabe acha que é exagero ou até mentira. Entrevistei alguns filhos de pais que se tornaram presas fatais do álcool e aqui transcrevo uma delas: 1. O que significa ser filha de um pai que foi alcoólatra? R: Conheço muitas pessoas cujo alcoolismo de alguma forma afetou algum familiar e as experiências de cada uma delas foram diferentes. No meu caso, o alcoolismo significou, infelizmente, a perda do convívio com meu pai e a tristeza em não poder compartilhar minha vida com ele. 2. O que passa na cabeça de uma filha quando um pai alcoólatra aproxima-se da casa? R: Apesar de beber, meu pai não se tornava agressivo com as pessoas. Ao contrário, ele agredia somente a si mesmo e ao seu corpo com um vício tão destruidor. Entretanto, o sentimento que era constante no meu dia a dia era o medo, a tristeza e a impotência. O medo não de ele fazer algo comigo, mas de ser humilhado (e aqui abro um parêntese: quantas pessoas, ao verem alguém embriagado na rua, não o reconhecem como ser humano e com uma história de vida, ao contrário, zombam e até fazem piadas com essa triste realidade). Tristeza em saber que se meu pai me procurava era porque queria me pedir dinheiro para “resolver umas coisas” (ou seja, comprar bebida) e impotência por acreditar que não podia escolher outro caminho no lugar dele. É angustiante. 3. Quais os malefícios que a bebida trouxe especificamente para o seu pai e na vida da família? R: Para o meu pai foram os piores possíveis: ele perdeu um excelente emprego, perdeu a família, pois devido às mentiras e às altas dívidas feitas por ele minha mãe decidiu se divorciar, e perdeu a saúde com o grande desgaste do fígado (atualmente, por milagre de Deus, não é cirrótico, mas apresenta um quadro de esteatose). Para a família os danos não foram menores: perdemos (eu e meu irmão) uma fantasia que havíamos criado a respeito da figura paterna; minha mãe precisou passar por situações complicadas financeiramente não só para nos sustentar, mas para pagar as dívidas do meu pai e impedir que o matassem, além de se esforçar para que não deixássemos de vê-lo como pai; e, apesar disso, devido à tristeza em vê-lo alcoolizado, decidimos não compartilhar da nossa vida com ele, apesar de mantermos contato. 4. Que conselhos você daria para alguém que está querendo beber ou está bebendo? R: É difícil dizer, pois muitos bebem “socialmente”, afirmando que é para relaxar e se divertir, mas isso é só o começo. Não estou dizendo que todos que bebem irão se tornar alcoólatras, mas também discordo de que as sensações que esta bebida provoca, em longo prazo, sejam prazerosas. A única coisa que tenho a dizer é que pense em si mesmo, nas possibilidades que pode anular na sua vida devido ao uso dessa substância, bem como nas consequências que esse hábito pode trazer para a vida dos que estão a sua volta, seja desde ter que levá-lo para casa por estar embriagado até as últimas possíveis consequências, de vê-lo agonizando devido a doenças adquiridas ou acidentes. A solução é se conhecer e optar por escolher caminhos não de prazer absoluto e momentâneo, mas de manutenção de uma vida saudável e cheia de conquistas com liberdade. Uma dica: Deus pode nos ajudar nisso de uma forma surpreendente. Para finalizar, o que percebo, de maneira geral, é que a sociedade ainda não entende a realidade da legalização da bebida alcoólica, que, por ser socialmente aceita, parece também não produzir destruições. Atualmente o que se vê é um grande esforço em função da conscientização para não dirigir após ter bebido, o que já é um passo, mas o principal é que as diversas instituições sociais se unam em prol da conscientização dos malefícios acarretados pelo álcool. O desespero de uma vida escravizada pelo álcool Lembro-me de uma senhora que chegou à nossa igreja, uma alcoólatra inveterada. Ela ingeria todo tipo de bebida, e em um momento de desespero chegou até a fazer uma mistura de todas elas. Sua situação chegou a tal ponto que se parasse de beber morreria e se bebesse morreria também. A família tentou de todas as maneiras evitar o contato dela com qualquer tipo de bebida. Um dia, quando todos estavam ausentes, a agonia por querer beber foi tão grande que, ao procurar em todos os lugares alguma bebida para alimentar seu miserável vício, encontrou um vasilhame contendo álcool para uso doméstico, que em fração de segundos foi ingerido completamente. Diante da situação que só aumentava a dor naquela família, tive a oportunidade de falar de Jesus para ela. Então começaram a frequentar a igreja e a receber conselhos da Palavra de Deus sobre os perigos e as consequências terríveis que vêm sobre aqueles que são escravizados pelo álcool. Aquela senhora aceitou Jesus como seu Salvador pessoal e algum tempo depois foi recolhida para estar na presença do Senhor. O que a Bíblia diz a respeito da bebida alcoólica? Nas primeiras menções sobre a bebida na Bíblia ficam claras as desgraças advindas do álcool. Creio que são placas sinalizando a todos dos perigos que rondam o homem a cada instante. Noé, após embriagar-se, ficou nu dentro da tenda sendo visto por um dos seus filhos. Ao despertar do sono, amaldiçoou seu filho: “Maldito seja Canaã! Escravo de escravos será para os seus irmãos” (Gênesis 9.25). O primeiro incesto na história humana é descrito em Gênesis 19.30-38. Ló, já velho, é embriagado com vinho por suas duas filhas, que aproveitam o momento e deitam-se com o pai, e dessas relações incestuosas surgem os moabitas, descendentes de Moabe, e os amonitas, descendentes de Ben-ami. O sábio Salomão disse que “o vinho é zombador e a bebida fermentada provoca brigas; não é sábio deixar-se dominar por eles” (Provérbios 20.1). Será que não deveríamos atentar para os conselhos sábios e seguros da Palavra de Deus? Paulo disse: “Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem...” (Efésios 5.18). E, mais uma vez, o homem que experimentou a bebida como forma de achar a felicidade da vida disse: “De quem são os ais? De quem as tristezas? E as brigas, de quem são? E os ferimentos desnecessários? De quem são os olhos vermelhos? Dos que se demoram bebendo vinho, dos que andam à procura de bebida misturada. Não se deixe atrair pelo vinho quando está vermelho, quando cintila no copo e escorre suavemente. No fim, ele morde como serpente e envenena como víbora” (Provérbios 23.29-32). Em vez de ser enganado por uma ‘cobra’, como os nossos pais Adão e Eva, ouça a voz de Deus: “Não se embriaguem com vinho, que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito”. Não faça da bebida uma arma, a vítima fatal pode ser você! Ivonildo Teixeira é pastor e fundador da Igreja do Nazareno no Espírito Santo, palestrante na área de finanças em quatro continentes e autor de mais de 30 obras publicadas. (É permitida a reprodução total ou parcial do conteúdo do material editorial publicado, desde que citada a fonte e com autorização prévia e documentada da REVISTA LAR CRISTÃO) |
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